Páginas

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Estou cheia de vazios


Ao passear pelos blogs alheios, coisa comum é achar textos falando sobre saudade. Sempre fico pensando que eu acho que não sei o que é saudade, porque nunca tive vontade de escrever sobre isso. É claro que eu já perdi pessoas importantes nessa vida, mas acho que não tenho saudades doídas, dessas que nos fazem querer voltar no tempo. Na verdade, voltar no tempo é uma das coisas que, de fato, não me apetecem. E não é porque eu tenha encontrado uma alegria plena, que me faz sempre mais feliz que o dia anterior (deus me livre disso). Eu não sou de escancarar felicidade, vocês bem sabem disso. Sinto um aperto estranho aqui dentro, e pensei que pudesse ser saudade, porque é uma vontade de você há algum tempo atrás. É uma vontade daqueles olhos tagarelas, daquele desejo que contornava meu corpo, daquela taquicardia que o seu desejo me causava. Mas não é saudade, porque não dói. É uma lembrança docinha, até gostosa. Pensei estar brava com você, por ter mudado tanto. Pensei estar magoada com você, por não saber me manter achando que sou a oitava maravilha do mundo. Mas, não. Acho que hoje o que eu sinto é nada. Não posso confundir as coisas. Percebo agora que há algum tempo, venho tentando definir o indefinível, nomear o inominável, organizar meus sentimentos, etiquetá-los, perfumá-los e fazer deles minhas companhias. É assustador, mas talvez eu esteja avançando nisso. Não tenho vontade de gritar, não tenho vontade de lhe oferecer lágrimas ou sorrisos. Estou vazia. Sei disso porque está cabendo uma quantidade enorme de ar em meus pulmões, e isso não é usual. Pode parecer pra você, que os sentimentos não existem fisicamente, mas ele existe sim. Quem já sentiu dor de amor, bem sabe que a dor é no corpo, tão física quanto dor de dente. Então, agora não dói. E eu, que nem consigo olhar nos seus olhos hoje, te agradeço. Estou cheia de vazios. E os vazios são aquilo que eu tenho de mais legítimo. Não, eu não gosto de estar vazia, eu prefiro escorrer em letras sobre o meu amor, sobre o meu ódio, sobre o brilho dos seus olhos - que são o meu fetiche. Mas é o que temos pra hoje: vazios. E por isso eu te agradeço, porque você me faz mais eu mesma, mesmo quando me machuca.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Escrever é dar vida às coisas mortas dentro de nós



Tem gente que diz que escrever é uma terapia, que a escrita faz bem e tal. Eu acho isso de uma hipocrisia tamanha. Me desculpem se eu ofender alguém, mas é que, pra mim, terapia é tudo aquilo que faz bem e ponto final. E quem escreve com a alma, sabe que escrever custa muito caro. As palavras não são bailarininhas de plástico, que a gente coloca numa caixinha musical, dá corda e as vê dançando. As palavras são perigosas, elas nos fazem refém. Escrever não é matar alguma coisa, deixar algo no passado. Escrever é dar vida às coisas mortas dentro de nós. Sabe criança, quando brinca com espírito e depois fica com medo? Me sinto assim quando escrevo. O sentimento está morto dentro de mim, muito bonitinho e cheirosinho, e então eu vou lá futricar. Espremo, cutuco, faço sangrar. E por mais que eu publique no blog, vocês leiam, comentem e depois eu desligue o computador, aquelas coisa têm vida própria. Quando eu fecho o blog, as letras ficam dançando aqui, secretamente. E o meu estômago se revira, e a minha alma tem espasmos. E olha que a minha escrita é bem pobrezinha. Leio gente por aí que escreve bonito e difícil, mas eu não sei fazer isso. Escrevo do jeito que penso. Louca e simples, assim eu sou, assim as minhas palavras são, e também os meus pensamentos. Vejam só, no post anterior eu disse que a felicidade atrapalha a escrita. Então vim aqui dizer do sofrimento que a escrita causa, e agora minha alma sangra. A felicidade ainda está aqui, mas eu a fiz sangrar. Porque só assim eu posso escrever. Me veio agora a imagem mental de uma criança com catapora. Ela tem várias bolinhas pelo corpo, e não deve coçá-las. Aqui, eu coço com muito gosto. Arranco a casquinha fora, ponho a ferida pra sangrar. É delicioso se coçar, mas sangra. Assim é a escrita, deliciosa e sangrenta. Nada terapêutico.

Eu queria uma poesia pra comer, mas não consegui poesia nem pra escrever


Eu já caí no clichê na postagem de natal, e não queria cair no clichê pra postar sobre o fim do ano, mas aí me lembrei que o blog é meu e eu posto o que eu quiser.
Ah, como sou doce.
Enfim. Tá terminando 2011 e estou muito feliz. Nossa, estou irritantemente chata nesse post, mas é verdade que estou mesmo feliz. Foi um ano em que consegui muitas coisas que eu queria há um bom tempo, e que por algum motivo, não andavam. Nesse ano as coisas andaram. Mas acho que não é das minha realizações que quero falar aqui.
Vocês podem perceber que meus posts têm vida própria. Aqui nesse blog, eu rabisco. Escrevo as coisas conforme elas me vêm na cabeça, então eu nunca sei do que é que eu vou escrever quando começo a digitar. E também não leio os meus textos antes de publicar, porque senão eu acho ruim e apago. Então a minha proposta aqui, na verdade é vomitar. Escrevo de qualquer jeito e sei lá por que raios alguns de vocês gostam, ou ao menos, dizem que gostam.
Esse blog fará 1 ano em janeiro, e eu fico muito feliz que tenha mais de quatrocentos seguidores aqui. Fico muito feliz com os comentários aqui e no twitter. Então acho que hoje eu quero agradecer.
Obrigada, 2011, por ter me deixado conseguir coisas que eu queria. Quero agradecer também a mim mesma por querer as coisas. Vocês sabem, querer coisas é um treco muito complicado. Se esforçar dá trabalho.
Não to gostando nada do que to escrevendo, mesmo sem ler. Acho que eu queria mesmo era uma poesia. Eu queria uma poesia pra comer. Letras que me fizessem cócegas, textos que me transcendessem. Mas o último post foi clichê, esse post foi banal. A felicidade é mesmo uma merda pra escrita.

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Natal é um clichê, mas eu também sou


Natal é um grande clichê. Presentes, comércio, árvores de natal, mercados cheios, sorrisos forçados, corações vazios. Sim, o natal pode ser uma época muito triste pra quem já teve muitas perdas nessa vida, e talvez por isso tanta gente odeie o natal. Eu gosto de natal. Não sou religiosa, não é exatamente o nascimento do menino Jesus que eu comemoro, mas gosto de ter as pessoas que eu amo perto. Gosto de comer e beber muito, e gosto até mesmo dessa coisa de presentes. Mas ter você ao meu lado é especialmente delicioso. Logo você, que diz que não gosta de natal, que não liga pro pinheirinho que eu monto com tanto carinho, que mal percebe que há uma guirlanda na porta de casa. Você, que se assusta com o amor que uma família pode dar, e que se sente sufocado várias vezes por dia, com os meus olhares que derramam um amor desesperado por você. Pra mim, Natal é amor. E você bem sabe que eu tenho uma pira com essa coisa de amor. Vivo pra descobrir que coisa é essa, que me faz levantar todos os dias, fazer trocentas coisas e gostar de dormir cansada. Vivo pra me entorpecer disso que me sufoca e me obriga a escrever coisas sem sentido, mas que me proporcionam uma dor gostosa. Vivo pra olhar os seus olhos, e torcer pra eu me enxergar neles. Vivo pra te seduzir, porque estranhamente preciso do seu encanto por mim, pra me encantar por mim mesma. É verdade que às vezes me apaixono por mim mesma e o seu olhar talvez seja reflexo disso. Eu não sei qual é a ordem dos fatores, embora esteja certa de que ela influencia no produto. Mas talvez seja essa a magia do amor, isso de não saber bem como acontece, e também não se importar com isso. Então hoje eu só queria ser bem simples e dizer que eu te amo. Assim, amo sem compromisso com as palavras. Amo sem a obrigação de ser feliz, amo sem saber como, quando, onde. É, eu te amo e isso basta. O amor é um tapa na cara da linguagem. Aniquila com as minhas palavras e me faz calar a boca. Amo e pronto. Natal, amor....tão clichês quanto a piada do pavê. Mas eu montei a árvore de natal, você fez a piada do pavê, nós fizemos comprar no shopping, e eu amo isso, porque é com você. Fodam-se os clichês. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O presente



"Ela pediu de presente de natal uma habilidade masculina. Nada de inveja do pênis ou coisa assim, tudo o que ela queria era diferenciar amor de sexo. Queria variar as relações dentro do seu próprio relacionamento. Vocês sabem que casamento é uma coisa que pode ser muito chata. Transar a vida inteira com uma mesma pessoa não parece nada interessante. Daí as mulheres enfiam o amor na história, a fidelidade, a necessidade de um compromisso...e ok, tudo bem, mas....booooooring!"


Semana especial de Natal no Blog 4 pecados.



terça-feira, 20 de dezembro de 2011

mau meu-humor, meu mau-humor


Acordar de mau-humor é uma coisa inexplicável. Não faz sentido algum. Só acontece que o mundo fica torto, as pessoas ficam burras, e...balela. Acho que não é nada disso. Talvez quando a gente acorde de mau-humor isso nada tenha a ver com o mundo de fora, mas com o mundo de dentro. Sim, eu escrevi sobre isso de alguma forma, no post anterior, que dizia da TPM. É claro que escrevo hoje sem apontar essa sigla como fator desencadeante, porque hoje digo daquele mau-humor que todo mundo tem, simplesmente porque tem. (Tpm não é mau-humor, é uma tristeza que não dói).

Mau-humor é uma braveza com si mesmo, que talvez se reflita no mundo. Sabe quando você faz careta pro espelho, e então ao ver o seu reflexo enxerga uma careta? É isso, o mundo é um espelho, e a gente o vê do jeito que é. Ou, do jeito que está. Faço aqui a diferença do verbo ser/estar não por psicologia barata (ou talvez seja), mas para apontar a efemeridade dos meus sentimentos, sensações e opiniões. Mudo de opinião facilmente. Isso porque acho que no fundo, não tenho opinião formada de coisa nenhuma. Apenas consigo pensar nas possibilidades de todos os ângulos de visão, e as defendo conforme o meu humor. Sim, eu entro em discussões e me exalto como quem agarra uma causa com unhas e dentes, e no instante seguinte já nem acho mais naquilo. Minto, no instante em que digo uma coisa já não mais acredito nela. E assim é também com a escrita. Não pense você que eu acredito em tudo o que eu escrevo aqui.

Meu humor oscila. Um psiquiatra qualquer facilmente diria que tenho algum transtorno do humor, caso eu fosse sincera em responder às perguntas babacas que os médicos nos fazem. Não acredito em mim mesma, não amo e nem odeio completamente nem as pessoas e nem uma causa. Às vezes acho que dou meu sangue pelas coisas que quero, outras vezes acho que aquilo que eu consigo é puro presente do universo, que eu sou uma relaxada. Escrevo um post defendendo a descriminalização do aborto, no entanto nem sei se isso tá certo. Defendo mulheres que mandam nos seus homens, mas levanto pra pegar cerveja pro meu durante o jogo. 

Enfim, nem sei mais porque é que falo disso, se o que eu queria dizer hoje era do meu mau-humor sem motivo. Estou brava hoje. E no fundo talvez eu tenha dito todas essas coisas aqui pra não falar do que me deixa mesmo mau-humorada hoje. E é assim que a gente vive fazendo, fugindo de si mesmo, ainda que já saibamos em que ponto estamos.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Sobre a TPM da mulher, e não essa que o imaginário dos homens carrega


imagem daqui


Não sou dona do meu corpo. Isso é uma coisa estranha. Tive educação religiosa e vivi um bom tempo da minha infância e adolescência entre freiras. Não sei se por isso, não sei se é coisa minha, não sei se é chatice minha, mas encasqueto com a ideia de que o meu corpo não é meu. Ele pertencia aos meus pais, quando eu era pequena e mesmo depois de adolescente, quando eu precisava fazer campanha pra que eles me autorizassem a pôr piercing no umbigo. Ele pertencia a Deus quando eu acreditava ser católica. E talvez se eu não gostasse de pensar (ou de pensar que penso) eu acreditasse que hoje, o meu corpo pertence ao homem que eu amo
.
Mas quando eu afirmo, hoje, que o meu corpo não me pertence, refiro-me a alguma outra coisa. É claro que eu sou dona dos meus movimentos corporais. Posso andar, dançar e mexer a barriga de um jeito que a maior parte das pessoas não consegue, porque eu mando nos movimentos do meu corpo. Mas isso não quer dizer que ele me pertence, de fato.

(Se você é homem e tá pensando aqui que eu sou completamente louca e chata, favor parar de ler a postagem aqui, e nem se atreva a comentar dizendo que as coisas são assim mesmo e blablablá autoajuda barata.)

Meus parênteses podem dar margem para as pessoas chatas (tipo eu) dizerem que sou sexista. Mas me refiro aos homens, simplesmente porque vou dizer aqui da influência que os hormônios têm no corpo de uma mulher. Os homens podem achar que essa coisa de TPM é balela, desculpas para as mulheres terem carta verde pra ter chiliques sem se responsabilizar por eles. E muitas vezes isso é verdade. Então, quando digo de TPM, refiro-me não às oscilações de humor ou vontades de comer chocolate, mas falo de como é uma coisa sem explicação, isso de se sentir uma estranha dentro do seu próprio corpo. Não que eu me sinta confortável com o meu corpo nos outros dias, mas isso acontece de um jeito diferente. Normalmente esse desconforto de mim mesma se reflete na roupa que não fica do jeito que eu queria, no espelho que me mostra de um jeito que não é o que eu imagino, na pele que tem uma textura que não corresponde à imagem da gostosona da revista, photoshopada. Na TPM, essas representações caem. Fico triste e não consigo etiquetar um motivo. Me sinto deslocada do meu corpo, e não me parece que o problema seja a roupa. As pessoas dizem coisas que são extremamente desagradáveis, o mundo gira muito devagar, e eu sei que não é o mundo de fora que está estranho, mas o mundo de dentro. 

Sim, eu sei que na TPM o nível de estrógeno e progesterona se elevam, alterando a comunicação com os neurotransmissores e nhenhenhém. Mas eis que saber disso não basta. Ou quando você tem dor, o fato de você saber qual é a causa dela, faz parar de doer? Saber intelectualmente não serve pra nada. Qualquer um que já se apaixonou ou já tentou fazer regime, sabe disso.

Enfim, pra variar estou sendo prolixa. Mas o que eu quero dizer é que eu não mando no meu corpo, embora eu more nele. É como se eu não tivesse casa própria, mas pagasse aluguel. As coisas não são do jeito que eu queria, eu sempre tenho muitas ideias de como poderiam ser melhores, e eu nem tô falando de celulites, estrias, varicoses ou todas essas merdas que a mulher tem muito mais propensão a ter do que o homem. Porque sangrar todo mês não bastaria, né, deus? Tem que nos presentear com um monte de perebas, nos fazer gestar, parir e amar, que é a coisa mais difícil de todas. Daí depois de tudo isso, vocês ainda querem que eu seja cristã?

(Obs: esta última frase é uma IRONIA, o post é sobre TPM e não sobre religião. Assim, só pra deixar claro)            

domingo, 11 de dezembro de 2011

Vocês tão fazendo isso errado



Então eu vejo essa imagem sendo compartilhada por milhares de pessoas no Facebook e penso: gente, vocês tão fazendo isso errado. É claro, eu sei que é uma brincadeira. Mas já diz o senso-comum que toda brincadeira tem um fundo de verdade. E já disse Freud também, que usamos os chistes como uma forma de lidar com aquela verdade que machuca. (É óbvio que Freud falou isso de um jeito muito mais bonito do que eu, que aqui faço referência a ele usando apenas a minha lembrança da leitura por pura preguiça de ir procurar no texto e fazer citação e pôr nas normas da ABNT, e...ah, o blog é meu eu cito do jeito que eu quiser! Eis outro chiste. Enfim, estou me prolongando, pra variar...) Mas como eu dizia, as pessoas colocam uma vaga à disposição, em busca de um amor. Opa! Essas coisas são contraditórias. Vaga e amor definitivamente não combinam. Quando a gente abre uma vaga, é porque espera alguma coisa. Tem critérios e uma moldura para que alguém se encaixe. Meu bem, se você usar uma moldura dessas e então achar alguém que se encaixe nela, então isso o que você encontrou é qualquer coisa, menos amor. Esse seria o momento em que eu daria mil definições sobre o amor, numa tentativa de ser poética, me deliciando com as palavras e com a definição de amor escapando de mim, mas vou me limitar a dizer que pro amor não tem moldura. Mesmo se você tiver uma moldura, só será amor quando ele não se encaixar nela, mas se encaixar em você. E de nós mesmos, a gente pouco sabe. Aposto que você não sabe se definir em uma palavra, nem em uma frase, nem em mil frases. Somos narcisistas, apaixonados por nós mesmos, mas sequer sabemos o que somos. E aí, pra gente se definir, tem que se cortar em partes. Sou a mulher de fulano, a filha de beltrano, a profissional de tal empresa. Não há como falar de si mesmo dizendo de si mesmo. Só podemos nos descrever em relação a alguém. E é por isso que se você procura um amor, você não o acha. Questão de lógica isso, bem, conhece a lei de Murphy? Você nunca vai achar a caneta que está procurando, você só vai achá-la quando estiver procurando outra coisa. A melhor técnica pra você receber aquela ligação que está esperando, é saindo e esquecendo o celular em casa. Então se você não consegue nem achar o objeto que procura, acha que vai achar um amor? Esqueça. Vai viver a vida e o amor por si mesmo. Não digo daquele amor vestido de “auto-estima” dos quais os livros de auto-ajuda tanto fala (me internem no dia em que eu fizer isso, por favor!) mas digo simplesmente o amor pelo amor. Porque amar alguém é insuficiente. É preciso que amemos também o amor. 

domingo, 4 de dezembro de 2011

Brilhe pra mim, que eu reflito pra você



Durmo nos seus olhos

Respiro nos seus pulmões

Existo no seu olhar

Secreta-mente.

Por favor, não me descubra.

Só quero o brilho dos seus olhos.




quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A tristeza, a beleza, o capitalismo e hoje


A sua presença harmoniza a minha vida. Às vezes paro pra pensar no quanto você me faz sentir bem comigo mesma e não posso acreditar. Estudei em colégio católico e passei um bom tanto da minha vida rezando. Sempre pedi a Deus – mesmo sem pedir – um cara cheio de características legais, dessas bem clichês mesmo, que nem vale a pena citar aqui, de tão óbvias que são. E hoje quando eu me dou conta de que estou com você, parece tão diferente do que eu previ... E eu sequer consigo explicar o porquê de ser diferente. Mas ao seu lado, eu sinto que posso fazer o que eu quiser. Posso mudar de profissão, posso ter os amigos que eu quiser, posso te amar de mil modos diferentes, posso voar. É estranho, porque o que eu estou dizendo não é exatamente assim, mas sem deixar de ser. Não, amore, eu não espero que você me entenda. Você se esforça pra isso, eu sei, mas eu nem quero que você me entenda. Aliás, deus que me livre de ser compreendida por você. Tudo bem que você me ache louca, eu concordo um pouquinho com isso. Tanto é que nem é só pra você que escrevo. Se fosse isso, te mandava uma carta, um e-mail... Escrevo porque não sei. De algum modo gosto de ser lida, de algum modo gosto que as pessoas me leiam e se encontrem em mim. É confortante pra mim porque vejo que sou muitas em uma só, que cada pedacinho de mim, é mais alguém por aí. E aí sinto que essa minha loucura tem razão de ser. Sou um harém de almas em um só corpo. Escrevo porque acordei triste hoje, sem saber muito bem o motivo. Agora que falo disso, vejo que é uma tristeza doce. Não sei se a priori é doçura em excesso, ou se acabo de adoçar com palavras a minha tristeza. Nem sei se é tristeza. Aliás, sei sim, é tristeza. Sei porque meu peito se amortece levemente, e essa sensação se espalha de um jeito esquisito pelo meu abdômen. E aí o meu corpo todo se entrega, a isso chamo de preguiça, mas é tristeza. E talvez não haja motivos para eu estar triste hoje, além do simples fato de que estou triste hoje. Não é preciso estar feliz todos os dias (chupa, capitalismo! - digo isso porque sou adepta da ideia de que o capitalismo exige que sejamos felizes o tempo todo, nos deprimindo com essa ideia de felicidade plena, sem que saibamos). E eu me dou ao direito de ser infeliz de vez em quando. De me recolher ao meu mundo interior, tocá-lo, estranhá-lo e amá-lo. O amor nem sempre é alegre. O amor é também uma tristeza doce. Talvez haja um “q” de tristeza, justamente porque é belo. E eu acho a beleza triste. A verdadeira beleza é triste.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Guarda a minha escrita



Você adormece e tudo o que eu quero é entrar nos seus sonhos.
Mas minha energia se conduz pra escrever. Escrever várias e diferentes coisas.
É o efeito do vinho, ou talvez a carência de efeitos dele.
Eu gosto disso, sabe?
Sei que às vezes você fica de saco cheio dessa nossa rotina, sei que às vezes eu reclamo muito, e você sempre faz de tudo pra que as coisas fiquem mais leves pra mim...
Mas eu gosto disso.
Você dorme. Ronca, na verdade.
Mas guarda a minha escrita.
Sou eu quem deveria guardar o seu sono. Talvez eu o faça. Mas estou mulherzinha demais pra reconhecer isso agora.
Mas você guarda a minha escrita. Dormindo ou acordado, você faz isso.
Dormindo, porque sei que posso te acordar a qualquer momento, e você rapidamente me salva de qualquer monstro que possa vir a me atormentar.
Acordado, porque eu só posso escrever nesse intervalo que há entre mim e você.
Te quero colado em mim, e se dependesse apenas de mim, eu te engoliria e seríamos um corpo só, sim.
Mas graças a deus que você tem bom-senso (ou tem medo de mim, que diferença faz?) e não permite que sejamos um corpo só. Porque assim podemos brincar de colar e descolar, e porque assim, eu consigo inventar.
Porque eu só amo aquilo que eu invento.
Então eu nem sei se você existe...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Estrela



A menina, desolada, olhou pra cima, pedindo uma resposta de deus.
Caiu uma estrela.
Que coisa linda, sinal divino! Ela pensou.
E a ponta da estrela lhe furou o olho.
E a menina ficou cega.
Porque, coitada, não sabia que o brilho das estrelas é pura enganação.
Estrela é coisa morta, sua luz é apenas resto de vida, menina boba.
Mas também, que se dane. Porque os olhos nos enganam tanto... a menina ficou esperta e pensou isso.
E ao ficar cega, enxergou.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Pensar é se defender da vida



Eu te quero e não sei por que isso acontece. Já quis saber, já vasculhei minhas células em busca de uma resposta, já entrei na tua alma buscando um sentido. Quase achei o motivo, olha só que perigo isso. Acho que a gente só pode amar porque não sabe. E eu quase enforco meu amor por você nessa busca desenfreada. Por sorte ou porque eu não quis mesmo, não achei o porquê do meu amor. Agora desisti de querer saber. Ou assumi que não quero saber. Não me interessa racionalizar, não interessa me defender. Pensar é se defender da vida. E eu mandei todas as minhas defesas pro beleléu. (Eu ia dizer que mandei todas as minhas defesas se foderem, mas daí pensei que tenho falado muitos palavrões. Uma vez eu nunca falava palavrão, agora até os escrevo. Nem sei por que estou falando disso. Na verdade sei, é porque eu fico mudando o tempo todo, e acho que nessa, a minha forma de te amar também muda. E eu acho que isso é bom) Agora estou eu aqui, nua diante de você. Despida das minhas racionalizações, pura de desejos, verdadeira como nunca – exceto pelo fato de que finjo a coragem, quando morro de medo. Tsc. Não é isso. Eu sou mesmo uma mentirosa! Porque não finjo porra nenhuma. Eu estou toda corajosa e estou toda medrosa. (Não-toda) E ao mesmo tempo....Porque ser mulher é mais ou menos isso. Ser uma coisa e o contrário da coisa ao mesmo tempo. Ai, como isso é bom.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ai, Ai


Menina brava, discutia em casa com mãe, pai, cachorro e abajur. Proclamou sua independência com mochila nas costas. Achava-se cheia de ideias marxistas, perdia-se na Mac, de maquiagem a Iphone. Tal como Eva, iniciou-se no pecado com uma maçã. (Pausa, pelamordedeus... gente, fomos expulsos do paraíso porque Eva comeu uma maçã. Imagina se fosse uma nhá benta?)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O tapa



Texto da semana pro blog 4 pecados.

"Embriagados da falta de palavras, o moço a sentou na cama. Ajoelhou-se em sua frente e ensaiou lhe beijar a boca. Ela, toda prosa, fez o seu melhor bico para esperar o beijo que não veio. Ele foi direto ao pescoço. Minha calcinha tá pegando fogo, pensava ela, que desconhecia a estranha sensação que é pra uma mulher sentir prazer. Azar do moço, vai se queimar."

domingo, 23 de outubro de 2011

O amor não é líquido, é plástico.



Desde a primeira fincada eu senti que não era normal. Não era sexo. Muito menos essa balela de amor. Era além descrição.
Minha boca molhada desejava a dele, humildemente, mas ele recusava. Deixava-me tonteada e sem sentido enquanto negava... Eu só queria um beijo, só queria arrancar um pedaço daqueles lábios, só queria sentir o gosto de sangue-chocolate que ele tinha... Mas o seu falso poder não me deixava saborear o corpo caprichado.
Sentia suas costas suadas, arrepiadas, quem sabe de tesão. Isso indicava que aquela seria a primeira - ou última - vez que ele fosse comer alguém. E por sorte ou infortúnio eu era escolhida para ser comida e desejada e fodida e amada e beijada por aquele homem.
Estou transando. Estou fodendo. Estou amando. Estou morrendo.
Quantos deuses são necessários para descrever o tesão que sinto quando o seu corpo inteiro toca o meu? Quantas almas morreram para me dar o sentido que sinto quando ele suavemente passeia com sua língua nos meus seios?
E ele me chupa. Cada pedaço do meu corpo parece ser gota d´agua num deserto putanhesco, onde só o desejo impera e domina. Sou sua escrava numa posição e noutra sou sua dona. Ele me chupa e eu imagino...
Numa ultima dose de sofreguidão imaginária, ele mexe os quadris, quando dentro de mim. Rebolava e ao mesmo tempo murmurava palavras que me destruíam... Cada mexida sua, era um orgasmo dançante ao som de ninfas.
Ele gozou, e eu pensava que sentia. Sentia a quentura doce e abençoada que vinha daquele ato de amor... Sentia os últimos vais e vens, como se a cada vai eu fosse violada sem futuro e a cada vem eu fosse amada incondicionalmente...
Neste final sobrou o silencio. Um silêncio doído e necessário que só os amantes sabem a necessidade. Ele não me ama, nem eu amo ele. Tanto amor em mim, e em você nada.
Ele sai de mim, deixando somente seu gosto amargo nas minhas gotas de suor - que só eu sinto. Eu relaxo e rezo. Rezo pelo desejo e pelo tesão de menina que ficou. Choro pelas lagrimas de prazer que quiçá ainda vão vir.
Sobrou somente uma realidade: Te acho tão amável, tão sexy, tão quente... mas a sua existência resume-se apenas a alguns reais trocados por um pedaço de borracha fria, comprada num sexshop qualquer. E, nem de perto você me dá o amor que necessito nesse mundo...


Presentinho



sábado, 15 de outubro de 2011

Hoje eu decidi excluir os homens.



Mulher tem muito dessas coisas. Ir com a cara de alguém, não ir com a cara de alguém. Não é que homem não tenha disso, é claro que tem, mas isso de "bater com o santo", no universo masculino, sempre tem um tanto de sentido permeando – como tudo, aliás, no mundo dos homens.
Já com as mulheres, as coisas são sempre um tanto confusas, um tanto misturadas, um tanto inexplicáveis. Mas não é porque é inexplicável que é sem fundamento.
Pois bem, eis que por motivos obscuros, nossas almas - femininas -  fazem amizades em segundos de olhares, e criam guerras infinitas em um piscar de olhos.
Alguns chamam de sexto sentido, porque geralmente quando uma mulher não vai com a cara de outra mulher, essa coisa tem motivos que serão descobertos depois. Mas tem motivos.
Acho isso incrível. Nós, mulheres, temos um saber que a gente sabe sem saber explicar. É isso o que me faz escrever. Pra tentar descobrir essa coisa que eu sei, mas não posso nomear. Como se fosse impossível ser plena nas palavras, assim como é impossível alcançar a plenitude na vida.
Às vezes tenho uma tendência a acreditar que nós, mulheres, somos pedaços de uma grande alma. Talvez uma grande mãe. Talvez uma mãe-natureza. E nós que nós somos, todas pedacinhos diferentes da mesma coisa. Então, ainda que a gente não seja outra coisa além de nós mesmas, nós temos o saber de toda a natureza.
Que papo meio wicca. Que papo meio adolescente.
Mas, oras... um q de bruxa e um q de adolescente é pré-requisito pra ser uma mulher, não?

-
Dedico esse post à minha irmã-bruxa-de-alma, Ayanne Sobral, que aniversaria hoje. Moça que escreve coisas lindas e colore os meus dias sem saber. Queria eu, na sua idade, ser curiosa assim como você. Que a vida te dê pingos de arco-íris todos os dias, e que você saiba borrá-los da forma mais bonita. Que os pingos não te saciem, mas que também não te impeçam de querer sempre mais. Que você não acredite que os arco-íris têm apenas sete cores, e nem que os gatos têm apenas sete vidas. Que você duvide de tudo e de todos, mas principalmente de si mesma. Que as dúvidas lhe impulsionem sempre para voos altos, e que eles te encham de friozinhos na barriga. Que você jamais faça regime de letras. Que tenha sempre uma alma gorda. E que você queira muita coisa nessa vida.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Engoli uma coroa, mas ela só sabe me espetar



Tem momentos em que não caibo no meu corpo. Fica tudo desengonçado. Se me mexo, esbarro em objetos e derrubo coisas. Se não me mexo, esbarro em mim mesma e derrubo-me toda. Palavras dizem coisas erradas. Silêncios gritam coisas esquisitas. Tudo fora do lugar. Cadê a minha faxineira? Tá abandonada, bêbada, em algum canto meu. E em mim, uma bagunça interior, que só vendo. Tudo fora do lugar. Sentimentos esparramados, demandas escorrendo. Alguém me ajuda, alguém me ama, alguém me adora, alguém... me dá uma bronca, por favor? E às vezes é só disso que eu preciso. Que alguém me olhe firme e não entre nesse meu joguinho de seduzir a todos e todas. Que alguém olhe pra mim e veja o meu corpo, ao invés de se esforçar pra ver a minha alma. Que alguém me pegue de jeito, e me tire o jeito. Que alguém me roube o ar e me deixe encabulada. Porque vezououtra eu engulo uma coroa e acho que sou a rainha da cocada preta. Mas é tudo dramatização, é tudo faz-de-conta, é tudo mentirinha. O que eu quero de você é bem simples. O que eu quero da vida é bem pouco. Não que eu saiba o que é que eu quero, longe de mim! Mas sei que é simples. E talvez por medo de conseguir, e talvez pra florear, e talvez pra dar um tanto de emoção, e talvez porque não sei-de-nada, eu complico. Quer facilidade, bem? A solidão tá aí pra isso. Tô aqui pra complicar a sua vida. Porque complicar só a minha é fácil e insuficiente.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Quero te comer




Numa dessas nem é amor. É um negócio de pele. É uma exigência da boca. Preciso sentir o teu gosto. Salivo de imaginar a textura do teu ombro! Vê se faz sentido isso. Tenho tesão até pelo seu antebraço. Cada milímetro do teu corpo é um troço que me deixa maluca. Não há razão. Teu corpo desencadeia as minhas irracionalidades. Quero comer você. Eu sei que sou mulher e que as coisas não funcionam assim e é o homem quem come e blablablá...mas não é isso que estou dizendo, peraí, você não tá entendendo nada. Quero comer você...assim...mesmo. Sem metáforas. Quero tua pele na minha – para sempre. Quero teu sangue impregnado no meu. Quero sentir o gosto do jantar com a tua língua. Quero tragar o teu cigarro. Quero a agonia da tua asma.
Ah, sem essa de que sou louca. Eu só tenho episódios de sinceridade. Digo isso tudo e em seguida disfarço a minha crueza muito bem. Sorrio, te dou beijo na testa e te acaricio os cabelos. Uma lady.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lágrimas de Morango



Chorei hoje lágrimas de morango.
Fosse em outros tempos diria que eram lágrimas de sangue. Diria da dificuldade que a condição feminina implica em viver. Falaria que ser mulher é doído, e brincaria com as palavras doido e doído, numa tentativa desesperada de me salvar da minha própria veia dramática – vulgo mimimi.
Mas são outros tempos. O que não quer dizer que eu não tenha chorado lágrimas de sangue. Só que hoje foi diferente. Estava eu imersa num choro quase gostoso, desses que nos remetem à infância, desses que nos fazem soluçar, desses que te fazem ficar em dúvida se chorar faz aliviar ou se faz doer mais. Então, estava eu imersa num choro desses, e um pensamento mal-educado falou na frente de todos os outros. “São lágrimas de morango”.
Não sei bem o que é que isso significa, mas acalmou meu coração. Achei bonito e fiquei orgulhosa desse pensamento ter sido inconveniente com os outros justamente naquele momento. Morangos me acalmam. São vermelhos assim como o sangue, mas mais doces. Vão bem com tudo. De pratos light a calóricos. Contêm as letras de AMOR no nome. É, eu gosto de morangos.
E por algum motivo, também os morangos, assim como o choro, me remetem à infância. Talvez porque quando pequena eu tinha uma boneca que se chamava Moranguinho... Cheirosíssima ela era, aliás.
Hoje eu chorei infância. A minha, a das minhas irmãs e acho que a da minha mãe também. Hoje eu chorei mulher. Lágrimas de amor-ango. Mulher-ango. Ango. Angu. Lágrimas de bebê. Talvez todas elas sejam.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Blog 4 pecados

Pessoal,

Convido vocês a lerem, seguirem, comentarem o blog 4 Pecados.

São 5 autores que postarão diariamente textos sensuais.

Eu, @paraquenomes, @danisgorlon, @todo_sentir e @tabalipa

Hoje é a minha estreia e eu vou ficar bem feliz de ver comentários de vocês.





Beijocas.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sobre o aborto


Ontem o assunto comentado no twitter era o aborto. Devemos proibir? Liberar? Qual é a posição que cabe à sociedade tomar diante de gente irresponsável? (Porque pra engravidar sem querer, há que se ter no mínimo, uma dose de irresponsabilidade). Daí eu disse que ia dar um pitaco, e eis que surgiram várias discussões.
O pitaco que dei em no microblog foi o seguinte: Acho que é a mulher quem deve decidir se quer ter o filho, se não quer...e o homem só tem que calar a boca e assumir a decisão da mulher.
De repente o que o pessoal tava discutindo comigo era a questão de sexo, de gênero, nem mais aborto era. E é disso que eu quero falar em mais de 140 caracteres. Não das implicações políticas e sociais do aborto, mas do lugar da mulher nessa decisão.
O fato é que pro homem, nesse sentido, é tudo muito fácil. Come uma aqui, se apaixona ali, tem filho com uma, casa com outra. Pode-se montar a vida do jeito que bem entender. Não é preciso articular amor e sexo. Amar uma e transar com a outra é facinho.
Uma foda pode durar desde 5 min até umas 3h, para um homem. Já para a mulher, uma foda pode durar desde 5 min até uns 10 meses. Sim, porque a foda do homem acaba quando o espermatozóide sai do corpo dele. Já a foda da mulher, pode acabar só quando o bebê sai de dentro dela. E muitas vezes, é aí que a coisa piora. Há zilhões de mães solteiras pelo mundo afora que podem dizer disso.
É claro que não é a minha intenção vitimizar mulher nenhuma. Aliás, vitimizar nunca é bom pra ninguém. As Unidades de Saúde estão espalhadas pelo Brasil. Há camisinhas e anticoncepcionais gratuitos. Há informações por tudo o que é canto. Assim, se alguém engravida, há que se responzabilizar por isso, independente das contingências às quais esteja submetida. Isso é fato.
Mas acho que tem gente que tem a tendência de se dizer ser contra o aborto com a justificativa de “fez, cuida”. E muitas vezes o que está dito nas entrelinhas, é “Mocinha, você foi lá e deu, né. Agora te vira e cuida dessa criança!”.
Só que aí a sociedade coloca pra essa mãe, ter essa criança, como uma punição por ela ter engravidado. Ok, acho que talvez seja mesmo o caso de punir pessoas irresponsáveis de algum modo. Mas, gente, não assim. É extremamente assustador, desastroso, enlouquecedor pra uma criança, viver num ambiente em que ela não é desejada. Bem, o que tô dizendo aqui é, que a gente não puna uma pessoa com outra. A mesma lógica que funciona pra defender a proibição do aborto, funciona pra defender a legalização do aborto. Não é justo matar um ser vivo pela irresponsabilidade de outro. E nem é justo forçar a viver em péssimas condições um ser vivo, pela irresponsabilidade de outro.
Não costumo escrever sobre essas questões polêmicas, mas essa do aborto me beliscou. Talvez porque para mim isso seja, sim, uma questão de gênero. Muito me irrita homens julgando mulheres acerca disso. Podem me chamar de feminista, de ignorante, de seja lá o que for. Mas as mulheres sabem, que no fundo, há que ter um “plano b”, um modo de se virar sozinha. Homens podem ser maravilhosos, companheiros geniais, mas eles são assustadores: dissociam amor de sexo facilmente. Ou seja...em se tratando de fazer filhos, a responsabilidade cairá sempre à mulher de uma forma muito mais pesada do que cairá ao homem. E é óbvio que aqui eu estou generalizando pra poder falar do meu ponto de vista. Sei que há homens que são muito diferentes disso, mas não é disso que estou falando. (Não vistam carapuças à toa).
Enfim, acho que a questão do aborto é decisão de mulher tomar. Não digo no sentido político ou social, mas no um a um, no caso a caso. Sou mulher, o corpo é meu e tenho o direito de decidir o que entra e o que sai do meu corpo. A proibição do aborto é um estupro ao contrário.
Assim, não estou defendendo o aborto, nem a legalização do mesmo. Apenas digo que proibi-lo é uma violência. E acho que é justamente isso que falta na nossa sociedade. Discutirmos os temas, antes de tomarmos decisões.
.

sábado, 24 de setembro de 2011

Eu não sei se eu sei ser feliz sem você



Acho uma droga o quanto a minha felicidade parece depender da sua. Não posso ficar totalmente bem se você não estiver.
Acho uma droga o quanto a minha felicidade independe da sua. Porque de vez em quando, você é puro mau-humor e eu sou um pedacinho de paz no mundo. Não tá errado isso?
Pois eis que eu não sei. E parte da minha guerra interior tá desenhada aí. Posso eu ser feliz sozinha? Saiam daqui, otimistas! Não quero ouvir essa porra desse clichê de que todo mundo tem que ser feliz sozinho, ou de que temos que estar bem sozinhos primeiro para depois estar bem com o outro, ou de que só é amado quem ama mais a si mesmo. Isso é puro blá-blá-blá. Lindo e óbvio de ser dito. Mas quando é experienciado, o clichê se derrete, me congela inteira, e se transforma em pura avalanche.
Não, eu não sei se eu sei ser feliz sem você. Isso que eu não estou nem considerando o fato de um dia você ir embora, ou eu me cansar...nada. Digo apenas de momentos. Me refiro a esses instantes que vivem acontecendo, quando escapamos um do outro. Das manhãs em que você acorda cantando quando eu queria que o satélite da NASA caísse aqui em casa. Das noites de domingo em que fico eufórica e animada, enquanto você confessa sileciosamente toda a sua dor de existir ao universo. Naqueles momentos em que quero discutir teorias filosóficas, e você quer assistir a porcaria do Pânico na Tevê. Das minhas paranóias de achar que você não me ama de 5 em 5 minutos, e tentar disfarçar a minha loucura com silêncios floreados. Das suas paranóias de achar que não falo o suficiente, e deixar tudo o que você pensa, irritantemente óbvio pra mim.
E, subitamente, quando me dou conta, estamos numa sintonia doída. Você diz de um assunto pelo qual eu não tenho o mínimo interesse, mas acho lindo que você saiba aquilo. De repente, você faz um comentário diabeticamente doce fazendo referência ao nosso futuro. Quase enfarto quando sem-querer, me dá um sorriso sexy, de quem enxerga a minha alma e lê os meus pensamentos.
Aí, mas nem era disso que eu queria falar. Eu tava perguntando se era justo eu ser feliz sozinha...e eu não sei se há uma resposta definitiva. Mas ao que me parece agora... Claro que é, porque às vezes estamos juntos, emaranhados um no outro, e às vezes caminhamos sozinhos, lado a lado. Porque você me entorpece, e eu preciso respirar. Porque sei que você também precisa respirar, e eu tenho uma tendência bonita e agressiva de te deixar asmático.

sábado, 10 de setembro de 2011

É tudo bem estranho. Beeeem estranho.

É tudo bem estranho.
Me divirto com você.
Mas não to a fim de te fazer MAIS UMA declaração de amor. Já tem muitas.
É, nem tem mais graça.
O fato é que assim, sendo, nada tenho a dizer.
E fico muito brava comigo. Quer dizer, que, prestenção, se eu não vou dizer do meu amor por você, nada mais tenho a dizer?
É.
Vai se foder. (de mim para mim).
Acho muito legal amar. Ser amada. Enlouquecer de amor.
Sei lá se eu existiria se não te amasse.
Me dói, sabia?
Você pode achar que amor é coisa boa e tal, mas me dói. E não é metáfora, é dor mesmo. Arde o peito, falta o ar.
E se eu não vou falar de amor, dói também, sabia? Fico vazia, balançando que nem balão de gás hélio. Pra lá e pra cá sem direção.
Me dá um beijo no coração. Ou some da minha vida.
Te amar dói, fingir que não te amo, dói de um jeito insuportável.
Quero você pra sempre, mesmo que seja por dois minutos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Não escrever é resistência




Pois é. Estou numa fase crítica. Tenho estado vazia e sem inspiração. Talvez eu esteja trabalhando demais, o que me deixa demasiadamente sóbria. (Silêncio) Caramba, como eu sei ser hipócrita. E desde quando o trabalho nos deixa sóbrios? Ainda mais eu, que trabalho com pessoas. Pessoas foram feitas pra nos enlouquecer, e não pra nos equilibrar! Talvez, na verdade, eu nem esteja vazia. Talvez esteja é transbordando. E por transbordar, faço um bico, assobio e finjo que está tudo bem, que não é comigo. Sim, eu sei assobiar. Nem todo bico que eu faço é pra fazer manha.
Hunf. Às vezes fico puta como me deixo influenciar pelas coisas que você diz. Eu nem me acho manhosa, e cá estou aqui, me justificando pra você. Na verdade, assim, lá no fundo mesmo, eu sou manhosa. Muito manhosa. Demais da conta. Mas, benzinho, você não me agüentaria um dia sequer, caso eu fosse tudo o que eu tenho vontade de ser. Aliás, acho que eu mesma, vomitaria de me ver sendo o que sou. Então, aos seus olhos, eu não devia ser manhosa.
Poxa vida! Olha a batalha em que eu vivo. Fico lutando todo o tempo comigo. Sou ferida aberta sangrando como uma hemofílica e finjo ser toda cicatriz. Me disfarço de tatuagem, essa coisa bonita com um leve alto relevo. Tá aí: tatuagem. Era isso que eu queria ser pra você. Uma coisa que te fizesse companhia sempre, da qual você se orgulhasse e nem pensasse em se livrar. Mas o que eu quero é sempre querendo-não-querer. Assim, faça-me o favor de não realizar todos os meus desejos, pois é neles que eu respiro.

sábado, 3 de setembro de 2011

Há algo em mim que grita quando silencia




É comum eu me queixar do seu silêncio, da sua mesquinharia com as palavras e com os versos que se fazem de letras.
Mas ultimamente eu é que tenho me calado. Não sei por quê. Poderia dizer que é o reflexo do seu silêncio, mas isso seria pura hipocrisia minha. Não, a minha atitude não depende da sua. Amar é apesar de, e não porque. E eu te amo apesar de você ser você. E quero ser amada apesar de ser eu mesma.
Pois bem. Do que é que se trata esse silêncio meu? Veja só, que você sequer se queixou do meu silêncio. Porque ele talvez nem exista para você; mas em mim, grita.
Esse silêncio, tão meu, me berra coisas incompreensíveis. Trata-se de uma série de vogais, numa miséria de consoantes e de pouca expressão facial. Trata-se de um silêncio angustiante, por ser pouco compreensível.
Há algo em mim que me cala, enquanto grita. E eu não sei o que é. Há algo em mim que me grita enquanto eu calo. Talvez seja um mini-surto. Porque vc sabe, né. Tenho vários mini-surtos. Quer saber? Você não sabe. Não tem a menor idéia. Tenho crises existenciais gravíssimas, da qual você mal tem notícias. E não é porque eu sou ensimesmada, autista (como você adora dizer que sou), ou egoísta. É simplesmente porque decido te poupar de parte das minhas loucuras. Você não agüentaria. Ou, eu é que não agüentaria me enxergar enlouquecendo diante dos seus olhos.
E depois tudo isso passa. Em um mês, ou em um segundo... O tempo é meu amigo e sempre me surpreende.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Me esborracho por te amar




Eu estava ali, encantada com a sua capacidade de me despertar taquicardias secretas. Abismada diante da nítida sensação de que você leria os meus pensamentos. Eu te amo, eu pensava. Mentira, amo não. Também eu pensava, logo em seguida, para te despistar de toda a minha queda por você. Eu me apaixonei muito rápido e fiquei torcendo para que você correspondesse, minimamente. E você correspondeu mais do que eu achei que seria possível. Você me amou do mesmo jeito que o meu sonho mais ambicioso tinha sonhado. E aliviada, eu pisquei. Aliviada, respirei bem fundo, ufa. E assim que abri os olhos me vi aqui. Toda inserida numa rotina ao seu lado. Dividindo as contas e as tarefas da casa com você. Dividindo o meu sono e os meus sonhos com você. Testemunhando a sua existência, e querendo que você compartilhe cada pedaço do meu corpo comigo. Puta que o pariu, nem nos meus sonhos de menina mais ousados eu achei que seria possível ter alguém como você do meu lado. É claro que vezenquando ou vezemsempre você muito me irrita e eu tenho vontade de me deliciar te enforcando com as minhas próprias mãos. É claro que uma duas vezes por dia eu te fuzilo com o meu olhar. É claro que muitas vezes tudo é escuro. E é óbvio que nem tudo são flores. E eu nem sei dizer quando é que eu mais te amo. Se é quando você me conta uma coisa muito inútil, mas que eu acho lindo que você saiba, se é quando você me diz uma coisa sem cabimento e eu tenho vontade de te dar um tiro na testa, ou se é quando você, de repente, me dá uma olhada charmosa e cheia de não-intenções. Talvez seja o tempo todo. Me derreto por você. Às vezes me odeio por ser tão fragilizada a ponto de me esborrachar no chão por qualquer palavra sua, mas de nada adianta. Já estou ali, toda desmontada diante da sua existência. Eu nem sei por que é que estou escrevendo isso tudo. Talvez seja para agradecer ao Papai-do-céu. Obrigada, porque você é de verdade.

domingo, 21 de agosto de 2011

O amor é ridículo




Tá tudo errado. Não era pra ser assim. Não era pra eu te amar desse jeito desproporcional. Eu devia ter um amor do tamanho do meu corpo, e não do tamanho da minha alma.

Não era pra eu ter um amor doído. Acreditei que amor era bom e que fazia as pessoas felizes. Descobri com você que amar é maravilhoso – ou é um inferno. Dizem no senso-comum, ou oito ou oitenta.

Meu amor por você me faz chorar e me esmigalha a alma. Faz faltar o ar dentro do meu corpo, e só poder ser apaziguada por você mesmo, ainda que eu te odeie por alguns instantes.

Que coisa mais ridícula! Você me machuca e só você consegue me consolar. Você se recusa a me consolar, e me machuca ainda mais.

Que coisa mais ridícula! Entrego nas suas mãos a parte mais frágil que tenho de mim mesma, e deixo você pintar e bordar com ela. Você estraçalha a minha parte delicada e preciosa, pisa em cima e ainda cospe. Mas não, meu amor, sei que você não faz de propósito. Não, você não tem a menor idéia de que tem nas mãos esse pedaço tão importante de mim.

E aí tem momentos que eu só sei doer. Só sei transformar alma em lágrima, só sei condensar a minha existência, e condenar os meus sentimentos.

Meu amor por você é meio masoquista. E isso não é baixa auto-estima. Fosse esse o problema, seria muito mais fácil de resolver.

Não sei se o problema é a forma ou se é o tamanho do meu amor. Mas também, no fim das contas, se não fosse um problema...ainda seria amor?


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O amor não é bonitinho.


O friozinho na barriga. A dúvida gostosa. A tentativa de ler olhares. O descompasso cardíaco. O sorriso como reflexo. É, o amor pode ser lindo.
Mas acontece que o amor é bicho traiçoeiro. Quando você se apaixona pelo amante, quando você está ali, pingando libido, apaixonada pelo amor... Ah, ele puxa o seu tapete. O amante? Não, o amor.
Esse sentimento que pode ser tão bonito, pode também virar o seu mundo de ponta cabeça. E vira mesmo.
De repente, como num susto, me pego te odiando. Querendo te matar. Ah, deve ser a TPM! Dirão os acomodados. Queridos, se todo o problema do amor fosse resumido a hormônios, eu daria risada dele. Ao menos do amor feminino.
Mas o meu amor é sacana. Veja só, bebê, não estou dizendo que você é sacana, mas que o meu amor o é. Chamarei você de amante, tá?
Como eu ia dizendo, o meu amor é sacana. Basta um titubeio seu, e num piscar de olhos, eu, tão equilibrada e paciente, me transformo numa louca. É, numa doida varrida. Assim mesmo, sem eufemismos. Nada de te culpabilizar, nada de tentar deixar a coisa bonitinha. Tomemos o amor assim como ele é: escrachado.
E o meu amor ri da minha cara. Diverte-se com a minha instabilidade. Gargalha da forma mais barulhenta, enquanto assiste ao meu desespero diante das minhas dúvidas.
Tenho uma tendência a achar que não sou amada. Vivo desconfiando do teu amor por mim. Se você pisca diferente, se diz uma palavra a mais ou a menos, já acho que é porque não me ama. Meu coração tem Alzheimer, preciso saber que você me ama todos os dias.
Já você, é cainha com palavras. Ô, homem desgraçadinho! Mania de dizer em meia dúzia de palavras o que eu levo 55 páginas pra entender. Mania de achar que eu devo deduzir o que você não disse. E nessa, eu vou entendendo as coisas do meu jeito. Daquele jeito que tende para uma esclerose, que tende pra uma rejeição, que tende pra um abandono, que tende para o lugar que pra mim é conhecido.
E olha que eu acho que sou muito amada nessa vida...(acho, né). Só que tem coisas que eu sei, racionalmente, mas que o meu corpo não sabe. E o meu corpo não sabe que você me ama, a não ser quando você diz isso pra ele.
Declarações de amor, manifestações de afeto, não têm prazo de validade. “Válido por três meses”. Nananina. Acabou a declaração, acabou o amor.
Céus, eu sou muito chata. Sei disso. Mas saber não basta. Então sinto muito... faço o que posso. Mas se queres o meu amor, agüenta, bebê. Força. O meu amor é gordo e pesado e eu espero que você tenha músculos o suficiente para sustentá-lo.


domingo, 14 de agosto de 2011

No-body



Escrevo. Apago. Escrevo. Apago. Escrevo. Apago.
Estou escrevendo muito mal ou é o botão delete que está irresistível hoje?
Nem um, nem outro.
Minha alma grita, e assustado, o meu corpo se cala. E extasiado, se nega a aceitar o movimento dos meus dedos sobre o teclado.
É que eu ouvi Zeca Baleiro.
Ou eu fui pôr o Zeca pra cantar pra tentar quebrar essa dança frustrada entre corpo e alma?
Não sei. E acho que isso nem importa.
O que importa é que escrever é extravasar pedaços de alma.
E às vezes meu corpo está tão encantado com os pedaços de alma, que se recusa a extravasar. Fica ali, todo cheio, exibindo-se para si mesmo. E a alma fica ali, encantada pelo encanto que produz no corpo...
Oras, do que é que estou falando?
O corpo, a alma. Que casal bonito! Mais parece eu e você.
Pois veja só, bebê. Não importa do que eu fale, acabo falando de você.
Pois veja só, alma. Não importa do que eu fale, acabo falando de você.
Então falem comigo...
Não me deixem aqui, só, diante do meu corpo que, vez em quando, decide se calar.