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domingo, 11 de dezembro de 2011

Vocês tão fazendo isso errado



Então eu vejo essa imagem sendo compartilhada por milhares de pessoas no Facebook e penso: gente, vocês tão fazendo isso errado. É claro, eu sei que é uma brincadeira. Mas já diz o senso-comum que toda brincadeira tem um fundo de verdade. E já disse Freud também, que usamos os chistes como uma forma de lidar com aquela verdade que machuca. (É óbvio que Freud falou isso de um jeito muito mais bonito do que eu, que aqui faço referência a ele usando apenas a minha lembrança da leitura por pura preguiça de ir procurar no texto e fazer citação e pôr nas normas da ABNT, e...ah, o blog é meu eu cito do jeito que eu quiser! Eis outro chiste. Enfim, estou me prolongando, pra variar...) Mas como eu dizia, as pessoas colocam uma vaga à disposição, em busca de um amor. Opa! Essas coisas são contraditórias. Vaga e amor definitivamente não combinam. Quando a gente abre uma vaga, é porque espera alguma coisa. Tem critérios e uma moldura para que alguém se encaixe. Meu bem, se você usar uma moldura dessas e então achar alguém que se encaixe nela, então isso o que você encontrou é qualquer coisa, menos amor. Esse seria o momento em que eu daria mil definições sobre o amor, numa tentativa de ser poética, me deliciando com as palavras e com a definição de amor escapando de mim, mas vou me limitar a dizer que pro amor não tem moldura. Mesmo se você tiver uma moldura, só será amor quando ele não se encaixar nela, mas se encaixar em você. E de nós mesmos, a gente pouco sabe. Aposto que você não sabe se definir em uma palavra, nem em uma frase, nem em mil frases. Somos narcisistas, apaixonados por nós mesmos, mas sequer sabemos o que somos. E aí, pra gente se definir, tem que se cortar em partes. Sou a mulher de fulano, a filha de beltrano, a profissional de tal empresa. Não há como falar de si mesmo dizendo de si mesmo. Só podemos nos descrever em relação a alguém. E é por isso que se você procura um amor, você não o acha. Questão de lógica isso, bem, conhece a lei de Murphy? Você nunca vai achar a caneta que está procurando, você só vai achá-la quando estiver procurando outra coisa. A melhor técnica pra você receber aquela ligação que está esperando, é saindo e esquecendo o celular em casa. Então se você não consegue nem achar o objeto que procura, acha que vai achar um amor? Esqueça. Vai viver a vida e o amor por si mesmo. Não digo daquele amor vestido de “auto-estima” dos quais os livros de auto-ajuda tanto fala (me internem no dia em que eu fizer isso, por favor!) mas digo simplesmente o amor pelo amor. Porque amar alguém é insuficiente. É preciso que amemos também o amor. 

15 comentários:

meninamar disse...

Ai, Alicia. Seu texto não tem nada de arrogante, mas sim de verdadeiro. Uma pessoa que procura um amor não quer amar, ela só quer alguém que ocupe um lugar vazio.

@wallaceraposo disse...

Eu sou prático nesse sentido: não posso ficar frustrado com uma coisa que não depende só de mim para dar certo, depende de outra pessoa me querer como ser amado. Então, pra que me martirizar pelo estado civil de solitário?

Sandro Ataliba disse...

O que eu penso é que a maioria das pessoas que posta essa imagem, mesmo que por brincadeira, não está procurando amor. Quer que a tal vaga seja ocupada apenas temporariamente, no máximo com uma paixão avassaladora, daquelas que vem e vai com a mesma velocidade. Aliás, hoje em dia, parece que o amor é mercadoria desvalorizada, pois demanda dedicação, desprendimento, adaptação, e troca do "eu" pelo "nós", coisa da qual, pelo menos aparentemente, as pessoas estão fugindo.

Nayy disse...

Linda, Linda!
Estou encantada com blog! Parabéns pelo texto, pelo bom senso de sempre!
Indico sem moderação rsrs
Beijos!

Thaís Alves disse...

Acredito que não sejam pessoas procurando um amor, mas um momento de amor, ainda que fabricado, para tocar a sua vida enquanto o amor não chega. Beijos

Luana S. Santos disse...

Procurar o amor sempre me soou como algo "acredito em coelhinho da páscoa", porém tem gente que acredita.
A verdade é que o amor aparece quando você menos espera, você passa a vida inteira querendo um amor, lendo livros de romance e assistindo aqueles filmes norte Americanos que só iludem você ( pq o cara não vai correr atrás de você nos 15min do segundo tempo. acorda.) O problema é que a gente nunca para de procurar pela caneta, então ela nunca aparece. AS pessoas gostam de dizer que não estão sozinhas, pois têm medo de ficar sozinhas com elas mesmas, não se conhecem e ainda querem mais um infeliz pra 'dizer que ama' e depois brigar e acabar em mais caso de homicídio no jornal.

BJs!

Danelize Gomes disse...

Texto muito lindo, lindo mesmo.
Sinceridade e profundidade de Alicia.
Um dia pensei numa frase e postei no tumblr: "Não quero alguém para amar, quero alguém para falar de amor comigo". Até que está dando certo...
Adorei o texto, sua linda ;*

Camila Márcia disse...

Gostei bastante da reflexão...
Acredito que a procura do amor não é assim... O amor simplesmente chega, mesmo que estejamos de 'portas' fechadas, ou mesmo 'abertas'... o amor simplesmente chega...

bjs

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Eu acho que há uma coisa que se repete, mesmo em uma época tão diferente como a nossa: as pessoas continuam (e vão continuar sempre) a fantasiar o tal "amor verdadeiro", como se ele fosse uma coisa infinita, "pra sempre". Eu nem acho que isso seja ruim, em certo sentido, porque as utopias, mesmo que não sejam garantias absolutas, para alguns floreiam uma caminhada que, sem isso, seria algo próximo da indiferença absoluta, o que também seria ruim.

O problema maior está no fato de que, como não há mais nem como tentar justificar a tal utopia (antes dava, quando se criou o casamento cristão, a monogamia de fachada e o "até que a morte os separe"), as pessoas então estão nesse período nostálgico pós-perda do referente. E então publicam o seu chororô, das mais variadas e sintomáticas formas.

Vamos na lata, como ensinou titio Nelson? Não há mais essas fantasias, do tipo "amor sem fim". Se à pessoa interessa trocar com alguém numa experiência tipo casamento tradicional, então se prepara, porque hoje é mais difícil do que nunca. Porque como você diz, o amor não aceita molduras. E o casamento é uma moldura.

Beijos

Mente Hiperativa disse...

Texto muito inteligente e crítico, como sempre, gostei!

O que eu vejo é que muitas pessoas - seja por medo, por pressão social ou por qualquer outra coisa - procuram um currículo, uma pessoa, que ofereça estabilidade, segurança. Isso pode ser bom, mas... Isso é amor? Como você mesma disse é qualquer coisa menos amor.

E ainda tem algo que me admira ainda mais, algumas pessoas que conheço me dizem que amor é uma decisão: "eu decido que vou amar fulano e pronto, me apaixono." Então eu penso, ou essa pessoa definitivamente NÃO sabe o que á amor de verdade, ou então eu sou um completo psicopata desprovido de qualquer sentimento, pois eu não consigo 'decidir' que vou amar alguém.

Bjo

Tarso disse...

É, acho que vc tá certa... Apesar de que eu acho que se abrir para o amor (que é diferente de ter uma "vaga" aberta) só é possível se a abertura não tiver pré-requisito. Acho que amar alguém deve ser despretencioso, se nossa felicidade depender disso estamos ferrados. Esse é o curioso e o mais difícil pra muita gente entender...

Ayanne Sobral disse...

Primeiro: Que layout é esse?! Coisa mais linda do mundo todinho. Sempre que venho aqui tenho vontade de sair levando tuas palavras comigo, pra espalhar por aí todo o teu encanto, tua sensibilidade, todas essas coisas tuas que o mundo precisa conhecer.

Segundo: Acabei nem falando do layout, né. Mas é que, apesar de estar tãotão lindo, aqui, ainda é o de menos.

Terceiro: Não dá pra criar nenhuma espécie de degraus para sua genialidade, é que você tá sempre construindo um topo a mais. Esse texto é prova disso. Tão diferente de outros textos seus, e tão você.

Quarto: Porque a vida acontece quando a gente se distrai, aprendi. E o amor também.
"Não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios", já disse Clarice Linda.

Quinto: Você é a Lispector do século XXI.

Sexto: Às vezes me pego olhando para o celular, mentalizando para que ele toque - confesso. Nunca funciona.

Sétimo: Suas palavras são caminhos na minha alma, Alicia. Eu leio suas letras e sou vista por elas, aí parece que ao mesmo tempo que algumas coisas saem de mim, outras começam a nascer aqui dentro. Loucura, né. Mas você me entende, eu sei.

Oitavo: Tava morrendo de saudade de vir aqui, onde me sinto em casa, acho que por isso tô falando tanto, tanto.

Nono: Sou sua fã. Te admiro muito, demais. Aguardo ansiosamente o lançamento de um livro teu.

Décimo: Na verdade não tinha décimo, mas como não gosto de números impares, deixo um sorriso e um abraço gigante, aqui.

:)

Flavio Ferrari disse...

É preciso amar o amor ... gostei disso.

Verônica disse...

Falou TUDO!
Só pra variar...

:D

Camila Lourenço disse...

"Porque amar alguém é insuficiente. É preciso que amemos também o amor."
Vdd. E eu não sei se a gente sabe amá-lo. Deve ser por isso que o circo anda pegando fogo desse jeito.


P.S: Mas como tá lindo o novo layout do blog! ^^ o//

Bjo