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sábado, 29 de dezembro de 2012

É grave, doutor?


Há quem sofra muito, e por isso escreve. 
Eu escrevo, por isso sofro.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Quero me vomitar

Minhas ausências estão transbordando.
É estranho estar cheia de vazios.
Tenho tido náuseas e ânsias de vômito.
Queria poder vomitar todo o amor que sinto.
Enjoei de mim, estou cheia de amar, não quero mais vazios que se enchem.
Quero um pedaço de puro vazio.
Sinto como se todo o interior do meu corpo, que sempre senti oco, estivesse cheio de amor.
Digo "é o calor", como se eu acreditasse que a temperatura do mundo e a temperatura do meu corpo fossem mesmo coisas diferentes.
Cansei de me misturar ao mundo.
Cansei de me misturar às coisas e às pessoas.
Cansei de ser madeira, plástico e comida.
Cansei de ser letra, prosa e poesia.
Eu só queria descansar da minha existência.
Deixa eu te ser só por amanhã.
(Hoje não, preciso me despedir de mim.)
Me empresta a sua carne, divida a sua pele comigo.
Permita que eu enxergue com os seus olhos, que eu sorria com os seus lábios.
Preciso do seu cérebro para organizar as coisas que sinto.
Cansei de sentir.
Sinto muito.
Preciso sentir menos. Preciso sentir mais. Preciso sair daqui, estou claustrofóbica dentro do meu corpo.
Preciso de ar.
Preciso de desamor.
Preciso não precisar.

(Então alguém liga o ar condicionado e eu deixo isso tudo pra lá)

Quero uma frente fria na minha alma.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cócegas

Sinto apenas cócegas por você.
E aí digo que é amor.
Cócegas são pequenas angústias. Ou grandes angústias, dependendo da intensidade.
Cócegas são a denúncia de que não controlo o meu corpo, de que não controlo os seus movimentos, de que não controlo as minhas sensações.
O amor são apenas cócegas na alma.
Por mais que eu saiba que você vai me tocar com uma intensidade que oscila entre leve e agressiva, acima do meu ossinho da bacia, morro de agoniazinhas. Grito como se não acreditasse que sou dona de mim. Faço escândalo como se eu não fosse preocupada com a imagem que passo para as pessoas ao meu redor. Te arranho como se eu não me importasse com o susto que te causo.
E acho que a minha parte que mais de aproxima de mim, é assim mesmo. Machuca, desdenha, escandaliza. A minha parte que mais se aproxima de mim, me assusta.
E aí eu me visto, tal como uma cebola. (Porém mais lady).
Me visto de palavras, sapatos, roupas minimamente da moda e de ideias politicamente corretas sobre a minha pessoa.
E então acho que sou uma pessoa relativamente normal, relativamente  equilibrada, relativamente educada, relativamente bem-adaptada, relativa-mente. Ah, como sou mentirosa!
No fundo sei que sou um poço de loucura, lutando avidamente para me disfarçar sem morrer. Porque se deixo de ser louca, deixo de me ser, e então morro. E se enlouqueço sem amarras, morro ainda assim.
A loucura mata, mas a normalidade mata ainda mais.
Prefiro morrer de morte vivida do que de morte morrida.
Prefiro morrer de cócegas a morrer de angústia.
Ao menos nas cócegas, há alguém me tocando. (A angústia é a pura solidão) Vocês sabem, é impossível que façamos cócegas em nós mesmos. As cócegas são a encarnação da falência dos livros de autoajuda. Tem coisas que simplesmente não se pode fazer sozinho. É impossível ser feliz sozinho. E se você for uma mulher, é ainda mais impossível.
Eu te cócegas, bebê.

(Porque eu te amo já está muito batido)
(Porque amor significa coisas demais para representar o que eu sinto por você)



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Texto inspirado pela @tatikielber, que me pediu para escrever sobre "lacuna emocional" e eu escrevi sobre cócegas. Mas juro que foi pensando em "lacuna emocional". É, gente, normalidade não é o meu forte.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

parece tpm, mas não te interessa o que é

meu corpo queima e não há o que fazer.
queria sair correndo, queria chorar, queria um chocolate pra alma, queria não querer coisa alguma.
respira e vai, menina, logo passa. eu digo pra mim mesma. mas queria que fosse uma voz que viesse de fora. queria um beijo que viesse de dentro. queria uma palavra que me calasse a boca do estômago.
sexto sentido, alguma coisa vai acontecer. seria, se alguma vez eu tivesse notícias disso. sou uma topeira, não vejo nem a cor da parede, vou notar algum saber em mim? sim, eu noto.
sei mais de dentro de mim do que do sofá da minha casa.
tenho alma colorida e tagarela, irritante como a poliana.
já a minha razão, tem 50 tons de cinza, isso mesmo, uma porcaria.
parece crise existencial, mas é apenas tpm.
parece tpm, mas sou apenas eu em mim.
me sou insuportável.
aí eu tinha conseguido esconder de mim a minha irritação comigo ao longo do dia e acabei de encontrá-la novamente.
é que no fundo eu amo as minhas mini-crises existenciais.
é que no fundo eu nunca saio delas.
é que no fundo sei que existo por causa delas.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Caí

Sou tão você que me confundo comigo.
Meu corpo não tem fronteiras e só quer sentir com o seu corpo.

O toque se faz insuficiente, quero me fundir a você, quero que meu corpo coincida com o seu para que eu possa, enfim, descansar a minha existência.

Silêncio... , está ouvindo? É a minha intuição me dando bronca.

Minha intuição manda que eu me cale. Ela disse que já estamos fundidos. Você não. Eu estou fodida.

Foi naquele dia, há anos atrás, eu sei exatamente quando. Eu estava ali parada, e ao lembrar do seu olhar senti um frio na barriga. Não foi um frio na barriga dessas borboletas que o povo diz que sente no estômago. Foi um frio na barriga do tipo que a gente sente quando pula de paraquedas (é claro que eu nunca pulei de paraquedas, mas deve ser assim). Foi um frio na barriga de montanha-russa. Um frio na barriga que é físico, e não imaginado.

Então, foi naquele dia, eu lembrei do seu olhar me olhando, do seu olhar me agredindo, do seu olhar me convidando sem você saber, e eu caí pra dentro de você! O frio na barriga foi o que eu senti quando minha alma foi sugada pra dentro do seu corpo pelo seu olhar.

E aí tem só um pouquinho de alma minha no meu corpo, e aí tem um pedaço guloso de alma minha dentro do seu corpo.

Você nunca percebeu? Ah, vá, você só pode estar tirando com a minha cara, né! Presta atenção no sangue que corre pelo seu peito, que desce para a sua barriga, sinta o seu sangue borbulhando...Você não borbulhava antes de mim, só corria.

Sei que você não acredita em mim. Que é racional demais para acreditar que parte minha vive embaixo da sua pele. Mas sei que você também tem medo. Sei que no fundo, você treme de medo que eu sugue a sua alma. Pois saiba que faço um imenso esforço para te preservar. É te preservando que me protejo de mim.

domingo, 11 de novembro de 2012

Das sabedorias femininas



Thais, 24 anos "... aí eu ganhei um roller do papai noel" 
Gabi, 10 anos "...manhêêê, ela ainda acredita em papai noel?"

A gente sempre acredita. Em tudo. De Papai Noel à palavra de homem, passando pela fada dos dentes e pelo amor. 
A Gabi também disse que sabe como chorar mesmo sem estar tão triste, pra conseguir o que quer. A Thais recomendou à Gabi que aproveite esse tempo da vida, porque depois dos 20 os homens nos deixam chorando sozinha.
Vocês que me acompanham aqui, bem sabem que não preciso de muito pra ter uma crise existencial, né. Pois hoje fiquei impressionada com a sabedoria da Gabi, uma menina de 10 anos. Olhei pra ela e pensei que na idade dela, eu também sabia as coisas que ela sabe (ainda que ela tenha anos-luz mais desenvoltura do que eu tinha na época), mas aos plenos 27 anos de idade não aprendi muito mais coisas. 
E quando a Thais disse que depois dos 20 não adianta chorar, pensei que isso é bem verdade, mas então por que ainda faço isso? 
Essa história de que as mulheres choram porque querem conseguir as coisas, acho que funcionam, sim na infância, a Gabi bem sabe disso. Só que depois a gente continua fazendo isso sem perceber que parou de funcionar. Porém, contudo, entretanto, todavia, no entanto, já percebi que choro muito mais gostoso quando tem alguém comigo, do que sozinha, no banheiro. E rio também. Não consigo gargalhar sozinha. E não é apenas porque me sinto ridícula, mas é que eu não tenho vontade mesmo.
Há algum tempo comecei a reparar nisso, os homens se matam de rir SOZINHOS com aqueles vídeos ridículos do partoba. Eu posso ver a coisa mais engraçada do mundo que solto um discreto "rs" se tiver sozinha, mas se estou com alguém, rio até a barriga doer.
Essa reflexão pode parecer inútil, e é mesmo, mas eu só queria dizer que tenho pensado que nós, mulheres, somos muito mais dependentes de alguém, do que supomos.
E cada vez me parece mais ridículo, idiota e sem-sentido as filosofias de autoajuda que propõem "seja feliz sozinha" pra depois ser feliz com alguém.
Olha, impossível.
Então eu apenas espero poder continuar acreditando. Seja lá no que for.



* No fundo toda mulher é uma menina de 10 anos, que nem acredita mais no amor, mas que acredita que alguém ainda a fará acreditar nele. E então ama.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Talvez

Algo ameaça a mudar e estou me desequilibrando. Talvez eu caia. Talvez eu volte ao meu equilíbrio costumeiro. Talvez eu mude o meu ponto de equilíbrio. Talvez eu esteja supervalorizando a minha mini-mudança. Talvez nem seja uma mudança. É possível que não seja uma mudança, ainda que algo mude, e saber disso me dói. Mas é de talvezes que se faz um amor e é de talvezes que se faz uma vida. É de talvezes que eu me faço. Talvez eu me case, ou compre uma bicicleta. Talvez eu deva ir me foder por escrever palavras tão ridículas. Acontece que sou uma apaixonada pela pequenez humana. O ser humano é tão medíocre...e eu sou cretinamente apaixonada por essa condição. Isso faz de mim um talvez ambulante, que nada sabe fazer, e que se engana achando que é resiliente, quando é apenas babaca. Isso faz com que eu ame e ache que isso é grande coisa. O amor, às vezes e na melhor das hipóteses, serve pra atrapalhar. E na maioria das vezes, o amor não serve pra nada. Pode soar pessimista, vocês podem achar que eu não conheço o amor ou qualquer blá-blá-blá que conforte vocês na ideiazinha de que o amor é lindo...e hahahahaha, me desculpem, gente. Mas o amor é ridículo. Eu amo o amor, eu amo amar, eu não seria eu se não amasse ou se não fosse amada. Mas preciso confessar a vocês que até mesmo o amor se mostra pequeno diante da vida. Não porque o amor seja pequeno, o amor é milagreiro, mas é que o ser humano consegue afundar com qualquer coisa que chegue até as suas mãos, até mesmo com o amor. Só que o amor continua sendo lindo, mesmo estando fodido - eis todo o problema.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Soneto de infidelidade

Tem uma vertigem me comendo. Entrou pelo meu umbigo, quando eu ainda tinha um cordão umbilical que me ligava à minha mãe. Talvez tenha sido ela quem me transmitiu essa vertigem. E talvez por isso tenhamos uma relação esquisita. Amo tanto a minha mãe que se eu chegar perto demais, dói. Então me distancio pra poder respirar. A minha vertigem, quando encosta na vertigem dela, dá uma espécie de curto-circuito onde saem faíscas de amor. É terrível quando isso acontece. Quem já amou bem sabe que o amor machuca. Tal como a felicidade dói. Sentir é sempre dolorido. Mesmo quando sentir é bom. Se não dói eu não sinto. Chamo de dor tudo aquilo que me afeta. Sou masoquista da existência. Odeio sentir dor, mas odeio ainda mais não sentir. Sentir nada é a própria loucura. Prefiro o desespero das cócegas do que a agonia do silêncio do corpo. Mas sentir só é bom se tiver intervalos. Qualquer coisa só é boa ou ruim quando nasce de um intervalo. Entre eu e mim existe um intervalo. Um intervalo enorme, parece um precipício. E esse precipício é mais do que eu, é mais do que mim. Pertenço a esse precipício. Estou sempre sendo seduzida por ele, ao mesmo tempo em que me esforço para me distrair com outras coisas da vida. Tenho uma forte tendência à loucura, mas disfarço com resignação. Finjo para mim mesma que sou resiliente, e então acredito, e então pareço ser. Sou falsa comigo e faço de conta que não sei. Mas não faço isso por pura falsidade, é por não saber fazer diferente. Desde sempre sou infiel a mim, e essa é a minha mais profunda fidelidade.

sábado, 20 de outubro de 2012

Saudades de sei lá o que. Porque se eu soubesse do que era, não sentia saudade.

Sinto saudades e digo que é de você, quando na verdade é de mim que sinto falta. Sinto saudades da minha espontaneidade e da minha leveza. Do meu corpo cru e dos meus cabelos levemente mais cheios. Da minha taquicardia e dos meus desejos. Sinto saudades da criança que fui, quando era inundada em esperanças. Sinto saudades de quando eu achava que a vida de gente grande era melhor do que a de criança. E sinto saudades de achar que a vida de criança era melhor do que a de adulta. Saudades, pra mim, é um bicho estranho. Não sei dizer bem onde ou como é, nem onde é que sinto. Amor eu sei que sinto no peito. Paixão eu sei que começa no peito e se espalha por todo o corpo (até pelos cabelos e unhas). Mas saudades eu não sei em que lugar do corpo que machuca. E quando a saudade se mistura com culpa, acho que vira angústia e fica ainda mais esquisito. Não é culpa. Acho que raramente eu faço coisas que me gerem culpa, costumo pensar e analisar demais antes de agir, até porque tenho medo de sentir culpa. Isso, sinto medo. É um misto de saudades com medo. Quando um sentimento se mistura com outro, eu chamo de angústia, porque não dá pra definir o que é que acontece, os sentimentos não são como água e óleo, eles não só se misturam, mas se confundem. (Tem um nome pra isso, né? Acho que aprendi na aula de química) Enfim, acho que o amor é a única mistura de sentimentos que não é angustiante. O amor pode machucar, mas acho que ser angustiante, não. E eu já não concordo com mais nada do que escrevi aqui. Saudades de quem eu era quando comecei a escrever esse texto. Ah, estou insuportável hoje.

domingo, 7 de outubro de 2012

Me beije a boca do estômago

Minha alma quer fugir do meu corpo para se fragmentar do universo.
Quero entrar em combustão espontânea e tirar férias de mim.
Preciso de uma existência que formigue, de um amor-tecido.
Quero deitar minha cabeça em seu peito, e então parar de respirar, enquanto o sangue que corre pelas suas veias ande cada vez com menos pressa, até então, p a r a r .
Te quero lambendo a minha alma.
Me beije a boca do estômago.
Abrace o meu sorriso triste.
Meus olhos cansados pedem cafuné.
Ah, mas nossa, Alicia, que palavras deprimentes.
Parece tristeza, mas é só cansaço de ser.
Roube-me de mim, por favor.

domingo, 23 de setembro de 2012

Me veste com as suas palavras? Me despe com os seus beijos?

Estou rancorosa comigo por não saber guardar rancor de você.
Mentira, tô só pensativa, não sei guardar rancor nem de mim.
Vivo capturando as palavras alheias e tenho mania de enxergar verdades mesmo onde elas não existem. Qualquer que seja a roupa que você me vista, eu acredito que é a minha pele.
Talvez eu não tenha características especificamente minhas, então levo a ferro e fogo as suas palavras.
Isso é muito perigoso. Me jogo inteiramente nas suas mãos e acredito em tudo o que você diz. Por não saber o que sou, me torno exatamente aquilo que você diz que eu sou. Então posso ser qualquer coisa, desde que você queira.
Isso é delicioso. Porque se posso ser, posso des-ser também.
Sou uma pessoa sem corpo, sem personalidade, sem nome e sem desejo. Objetalizo-me para você.
E isso tudo é uma grande mentira, mas é muito mais fácil existir para você do que ser para mim.
Então me empresta aqui a sua existência pra eu sumir um pouco de mim. É pra isso que serve o amor, né.

domingo, 16 de setembro de 2012

Confundindo alhos com bugalhos, mas o amor é meu, caralhos

Isso que chamam por aí de "química", eu chamo de amor.
Na verdade chamo muita coisa de amor e por isso falo tanto disso.
Acho que chamo de amor até mesmo aquilo que não é amor.
Meu ódio por você é amor, meu tesão por você é amor, a química é amor, as coisas que não entendo são amor, é tudo amor.
Então o amor não tem pra mim aquela dimensão mimizenta que vocês conhecem, de príncipe, princesa, felicidade, para sempre e blé.
Mas eu te amo, seu zé mané, e as vezes te amo tanto que fico com eca do amor que tenho por você. É um exagero, bastava eu te amar só um pouquinho e as coisas fluiriam muito melhor. Mas nãããão, sou exagerada, dramática e chata então te amo um tanto absurdo que é só pra azucrinar a sua vida.
Esse texto não tá nada poético, mas é que o meu amor nem sempre é poético, as vezes ele é bem arroz com feijão mesmo, e eu gosto que seja assim.
Então é isso, eu moro no exagero, mas prometo não te comer de verdade (que nem eu sempre quero sentir você no meu estômago) e prometo não sugar a sua alma, tá?

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

se te odeio, então...nhac!

Eu odeio a forma como você joga palavras ao vento e elas parecem não voltar pra você. As palavras não desgrudam de mim, independente de eu as dizer ou apenas pensar. Mas palavras são bumerangues que não voltam pra você.
Odeio como você diz meia frase e espera que eu entenda todo o google a partir dela. (Atenção que eu ia dizer "toda a barsa", mas estamos em 2012, né)
Tenho muito ódio, mas muito ódio, mas muito ódio mesmo, da sua economia de palavras.
Não, eu não pretendo ler mentes. Não, eu não entendo os seus olhares. Não, eu não sei o que é óbvio pra você. Não, eu não sou idiota, é você quem não se traduz para mim.
Odeio a sua impaciência com as pequenezas do mundo, inclusive as minhas.
Eu odeio tanta coisa em você, que hoje, quando você saiu de casa, eu queria te beijar. E queria então que você me tomasse nos braços como se não soubesse quem sou, como se nunca tivesse se irritado comigo e me fizesse sentir que eu sou menos eu. E queria que os relógios parassem lá fora e que a gente pudesse ficar o dia todo juntos, ignorando a quarta-feira, a correria, os trabalhos e as irritações cotidianas.
E quando você me veio dar um beijo de tchau, eu quis entrar em combustão espontânea. Como eu amo e odeio que você esteja sempre sóbrio. E eu quis te morder, arrancando um pedaço dos seus lábios, manchando de sangue a sua camisa linda e roubando o seu lindo equilíbrio. Como eu queria não ser tão sóbria. Aí você virou as costas, eu te dei um chute na bunda, você saiu e eu fiquei com dor de cabeça. Porque sozinha que eu não ia ficar...

domingo, 9 de setembro de 2012

Deixa eu te matar só um pouquinho?




Oscilo entre querer entrar no seu corpo e desejar a sua morte.
Querer entrar no seu corpo, sim, porque parece que na sua pele tudo é mais gostoso. Você come aquele rolinho primavera com molho agridoce com tanta vontade, que eu, que odeio aquele treco, não canso de experimentar, porque na sua língua aquilo parece tão bom....aliás, tudo o que você come parece delicioso, não foi à toa que aprendi a gostar de tantas coisas que antes eu enchia a boca pra dizer que não gostava, com você. Seu sono parece sempre mais gostoso que o meu, eu chego a descansar enquanto te olho dormir, inspirar e expirar, inspirar e expirar...como se fosse minha responsabilidade cuidar do seu sono e garantir que tenha um bom descanso em vida.
Desejar a sua morte, sim, porque acho que só se você morresse pra eu me ver livre do amor que tenho por você. Não se assuste, bebê, você sabe que eu jamais te mataria, sabe que isso aqui tudo é metafórico (NÃO SABE? Pergunto eu, te arregalando os olhos com um sorriso esquisito só pra brincar de te assustar) Enfim. Tenho uma vontadezinha de te roubar a vida, de saber se eu poderia sobreviver sem você, de comer um pedacinho da sua carne, ver se o seu sangue me entorpeceria, saber se a sua pele deixaria a minha mais macia. Nham.
E na verdade tudo isso é mentira, ao mesmo tempo em que é verdade. Eu sei que eu sobreviveria sem você, e sei que se eu tirasse sangue seu jamais me perdoaria. Sei disso tudo, mas é tão bom querer...me deixa enlouquecer aqui, quietinha, com o amor que tenho por ti. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

dividindo o meu corpo

Eu achei que o amor ia passar, que depois de um tempo seria insensível a você. E olha, vamos deixar a hipocrisia e o amor idealizado de lado, e admitir que muitas vezes, sou sim. Por vezes te olho e você não me diz nada, é só uma pessoa nesse mundo. Não te amo o tempo todo. De vez em quando, acontece ainda de eu te odiar....em silêncio, porque procuro te poupar da minha gangorra existencial. Aliás, muitas vezes eu te amo como nunca nenhuma mulher aguentou amar nesse mundo, e você nem tem notícias disso. Me arrebento de amor e de ódio por você, e você nem sabe. É que eu sei que se você me conhecesse mesmo, eu te seria insuportável. Forjo um certo equilíbrio nas minhas palavras, e eu sei que muitas vezes você acredita. Forjo tão bem, que por vezes eu mesma acredito. Teve um dia dessa semana que eu me peguei insone. Não podia dormir porque o toque da sua pele na minha, berrava nos meus ouvidos, de um jeito irritante. Não sou dona de mim, é verdade, mas quando você me toca, eu desisto de me ser. E depois de meia década juntos você ainda tira o meu sono. Você tem noção do quão ridículo é isso? Me sinto encabulada de escrever isso, mas o faço porque me reconheço no seu olhar que, ao me ler, balança a cabeça, me chama de louca e diz que não entende. (Embora eu nunca veja você me lendo) Que bom que você não me entende, eu não suportaria dividir a minha vida e o meu corpo com alguém que me entendesse. É, amar é dividir o corpo com alguém. Mas isso só vale se você for mulher. Porque o homem que ama aceita ter meio corpo a mais, mas não meio corpo a menos. Homens são donos de si, mulheres estão sempre em busca de alguém que as faça sentir que são donas de si. E por isso não são, pois precisam que alguém lhes diga isso. E que diga sem palavras. O amor de um homem diz sem palavras. Adoro escrever de um jeito ininteligível aqui, e saber que as pessoas que me leem irão me entender, ou ao menos pensar que me entenderam. Enfim, meu amor por ti já passou e todos os dias sou visitada por um novo amor. As variações do amor se mostram pra mim todos os dias, e parecem ser infinitas. Cada "te amo" fala de um amor que é único. Eu nunca repeti um "te amo". Sabe o "te amo" que eu te disse da última vez? Não existe mais.

domingo, 26 de agosto de 2012

Quero te vomitar

E de tanto te amar, e de tanto te engolir, e de tanto querer fazer nós dois virarmos um, e de tanto te desejar tatuado na minha pele, e de tanto querer sentir o gosto da comida com a sua língua, e de tanto querer enxergar o mundo através do mel dos seus olhos, e de tanto meu querer, quero te vomitar. Me fundo a você demasiadamente. Quero a minha essência de volta. Essa mesma, a que eu nunca tive. Não quero mais me confundir com você. Não quero ficar em dúvida se sou eu que penso ou se é você que pensaria. Cansei de achar que quero uma coisa, mas não saber se quero de forma autêntica, ou se é só pra ser desejada por você. Camaleoo-me por você, independente da minha vontade. Gosto do que você gostaria que eu gostasse assim, sem fazer tipo, verdadeiramente. É como a funcionária honesta e entediada, que odiando o seu trabalho, não pode faltar ao mesmo, e então empresta o seu corpo à doença. Assim sou eu, que pra ser objeto do seu desejo e do seu amor, me torno aquilo que você gostaria que eu fosse. Torno-me desde sempre aquilo que você queria. E ainda assim não é o suficiente. Nunca é. Porque sou aquilo que você queria de um modo desajeitado, e não de forma sexy. Só sei existir torta, e essa é a minha única essência. Porque sempre resta um pontinho de mim pra entortar aquilo em que eu me transmuto. Quero que esse pontinho tome-me toda. Mas ele é mirrado, desnutrido, fracassa toda vez, só sabe ser torto. Saia daqui de dentro de mim. Meu corpo precisa existir em si mesmo. Meu ser quer des-ser. Quero te vomitar.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu e os meus 12 pulmões

A minha pele grita pela sua, e eu sei que é paixão (Mentira, é tesão mesmo, mas paixão pra mim é eufemismo pra tesão, porque não sei falar de tesão como se fosse uma coisa natural. Aliás, acho que não sei falar de mim como se eu fosse uma coisa natural. Enfim.)
Minha alma grita por você e eu sei que é amor.
É estranho isso de dizer que corpo e alma são coisas diferentes, eu nunca sei explicar como posso sentir algo para além do meu corpo.
Acho que chamo de corpo aquilo que eu consigo localizar. Sinto uma dor muscular, aperto o local e dói mais ainda. Sinto vontade de comer doce, e localizo a parte embaixo da minha língua que saliva  por um pedaço de chocolate. É apaziguante isso de conseguir localizar de onde vem determinadas vontades, ainda que sejam ruins.
Acho que chamo de alma quando não consigo achar o lugar de onde vem o meu desejo. Te amo num lugar que não sei onde é. Balela isso de dizer que a gente ama com o coração. Se fosse só com o coração eu estaria tranquila.Besteira achar que é com o cérebro, se assim fosse, eu nem amaria. A merda é que eu não sei com que parte de mim eu amo, e aí chamo de alma, porque parece que é com o corpo todo e mais um tanto. Te amo com 50 dedos, embora eu tenha apenas 20 (sim, gente, 10 nas mãos e 10 nos pés, não é?) Te amo com as minhas 10 cabeças, embora eu tenha apenas 1. Te amo com meus 20 estômagos, com os meus 87 pés, com os meus 5 esôfagos, meus 10 rins, minhas 150 trompas de falópio, e por aí afora.
Não é fácil ser eu, meu filho. (Ficou estranho isso de filho, mas tenho uma regra própria aqui de não apagar as coisas que eu escrevo, então azar, vai ficar assim mesmo)
Tudo o que você tem que fazer é me lembrar de vez em quando, e de forma doce, que existe um chão embaixo dos meus pés. Que tenho apenas 1 cabeça, 2 rins, 1 útero, 1 sexo, 2 pernas, e tal. Pode parecer maluquice isso, mas preciso que você dê contorno ao meu corpo. (E agora pareceu mais maluco, né? Dane-se).

domingo, 12 de agosto de 2012

A culpa é toda sua


Geralmente a culpa é da minha mãe, mas dessa vez percebo que a culpa é toda sua, pai. Primeiro porque você me fez nascer mulher. Maldito cromossomo x que você resolveu me dar. Já não bastava o cromossomo x da minha mãe, você resolveu me dar um também. Ter dois cromossomos x é tipo ganhar dois vestidos iguais. Tenho que inventar moda com um dos vestidos se eu quiser fazer alguma coisa com o vestido repetido.
Enfim. Aí acho que você quis se redimir por ter me feito menina e pra compensar me deu todo o amor do mundo. Me fez acreditar que eu era uma princesa. A mais bonita, a mais inteligente, a maior merecedora do universo de todas as coisas boas. Eu acreditei, é claro, porque eu acreditava em tudo o que você me dizia. 
Eu acreditei quando você foi viajar de avião, e quando eu chorei um céu de lágrimas porque você ia ficar uns dias longe (uns dias é tipo pra sempre quando se é criança), você me consolou me dizendo que traria nuvens de presente. E eu acreditei quando você me disse que não tinha trazido o punhado de nuvens prometidas porque as janelas do avião estavam fechadas.
Eu acreditei quando você me prometeu dar um aquário de presente se eu parasse de roer as unhas, e acreditei que você esqueceu de me dar o aquário todos os dias até hoje. (Tá, até hoje também não, né, mas você sabe que mulher que se preze tem sempre que fazer um drama pra dar realidade à coisa)
Eu acreditei quando você me dizia que a minha dor existencial era "dor de crescimento" e também quando você me prometeu ser meu pai por toda a minha vida, embora fosse se separar da minha mãe. (Foi meio esquisito entender que eu e a minha mãe não éramos uma só, e que era possível você se separar de uma sem deixar a outra.) 
Acreditei em todas as suas promessas, até nas que você não cumpriu, porque de algum modo, o que eu queria eram as promessas. (E ainda hoje é um pouco assim, não me importa se serei amada para sempre de verdade, mas eu bem gosto de ouvir que sim)
Acreditei em todas as vezes que você me disse que tudo ia ficar bem, e de algum modo, tudo sempre se resolveu. Mas por sua culpa, vivo achando que as coisas não estão tão bem quanto eu merecia. Porque você, paizinho, me fez acreditar que eu merecia as melhores coisas do mundo e que isso viria fácil, simplesmente pelo fato de eu, princesinha, existir. Acreditei que vivia num mundo onde todos eram meus súditos e que eu era a sua filha preferida. E agora dou-me conta de que você nunca me disse nada disso. A única coisa que você fez nessa vida foi me amar. (E claro, pôr comida em casa, pagar colégio, me levar pra aula e pro ballet, ir a todas as apresentações da escola, às reuniões, etc e tal, "detalhes")
Então às vezes me pego, sem perceber, te odiando por ter me amado de um modo único. Por sua culpa eu sempre serei um tantinho frustrada no amor, porque nunca nenhum homem vai me amar como você. E por sua causa não amo alguém que não merece o meu amor. O seu amor por mim tornou o meu amor seletivo o suficiente pra só se concretizar na minha carne, quando me apareceu uma pessoa tão digna de ser amada por mim.
Aí que assim, já que você me deu o cromossomo que me fez ser mulher, muito obrigada por ter me ensinado a amar o amor a ponto de não entregá-lo nas mãos de qualquer um. Porque é muito triste saber que muitas mulheres não foram devidamente amadas pelos seus pais (ou por qualquer outro homem) , e então hoje entregam o que há de mais precioso numa mulher (nada de órgão genital, é o amor, gente) nas mãos de pessoas que não sabem ser amadas.
Então é isso, pai, obrigada pela dignidade que o seu amor me deu. E muito obrigada por estar vivo para ler isso. (Embora você não vá ler, simplesmente porque eu não vou te passar o link)

(Tenho alma de adolescente toda vez que falo do amor, mas acho que ao falar do meu pai regrido ainda mais. Porque só sei amar sendo infantil e veadinha)

domingo, 5 de agosto de 2012

Minhas mulherzices

Já não sei mais se escrevo pra você, meu amor, se escrevo pra mim, ou se escrevo pra essa gente louca e linda que vem aqui ler as minhas bizarrices amorosas e se identificam.
Essa história de escrevo pra isso ou escrevo pra aquilo, já orkutizou, né? Ficar dizendo que eu te amo de mil jeitos diferentes também já encheu o saco, né?
Mas é claaaaaro... que não.
Sou mulherzinha, e dessas que não se cansa de dizer a mesma coisa de um milhão de jeitos diferentes. Acho que dizer "eu te amo" é sempre novo. Posso dizer que te amo em arial, ou em times new roman, ou em português, ou em croata, depois de comer macarrão ou enquanto como chocolate, e cada vez a minha declaração terá um gostinho diferente.
Não precisa se dar ao trabalho de me explicar amorosamente que você discorda de mim. Eu já sei bem que você funciona de uma forma muito diferente da minha. Mas essas pessoas que passam aqui no blog, sabem bem o que eu quero dizer com isso. Também são obsessivas com o amor, e com as formas de amar, e com essas coisas que as palavras não dizem.
É estranho, eu me sinto acolhida por esses olhos estranhos, que leem as minhas palavras. (Sim, os seus olhos, gentes que eu não conheço!) Me sinto mais confortável amando loucamente 9amar loucamente é pleonasmo?), desde que vocês começaram a vir aqui me dizer que também sofrem disso, e que às vezes gostam de não sofrer disso que poderia ser um sofrimento. São vocês que dizem isso ou sou eu que estou dizendo? Tá dando pra entender? Vocês estão me acompanhando, ou tô aqui falando sozinha?
Tenho essa mania de me confundir com os outros. Leio um trecho de um livro e entendo coisas que o autor não disse. Leio os comentários de vocês e degluto palavras que eu mesma digo para mim, como se elas tivesse vindo de fora. Por isso que não sei mais para quem eu escrevo. E também acho que isso não importa. Mas deveria importar. Eu sempre acho que as coisas não importam, e elas não me importam mesmo, mas eu deveria me importar mais com as coisas. Ai, que preguiça de me importar com as coisas. Meu amor, sou tão besta...satisfaço-me com um beijo quente seu. (por 1 segundo)

domingo, 29 de julho de 2012

Soneca de Aurora



Sempre fui muito difícil de me encantar com as pessoas. Sou alguém legal, que se dá bem com a maioria das pessoas, sou alguém que odeia pouquíssima gente. Sou alguém que gosta de muita pouca gente também. A maior parte das pessoas é indiferente pra mim. Aí, desde sempre, enquanto as minhas amigas se apaixonavam por 3 pessoas por quadra, eu ficava com o coração encalhado. Me acostumei à calmaria de ter o controle do próprio batimento cardíaco. Aprendi a encaixar a minha alma perfeitamente ao meu corpo. E assim eu dormi na vida. Dormi, uma bela soneca. Foi mais ou menos o seguinte. Eu era criança e queria que o tempo passasse logo pra eu poder pintar as unhas de esmalte vermelho, usar salto alto e trabalhar fora de casa, aí o tempo não passava e eu reclamava, e puxa, era incrível como entre um ano e outro se passavam décadas. Um dia, de repente, eu acordei  e tava num corpo de 20 e poucos anos (como naquele filme "de repente 30", só que com menos dinheiro e com bem menos sensualidade), completamente enrolada em mim, pedindo a sua ajuda! Acho que assim, quando a gente ama, quer ser correspondido. Né? É. Eu nunca quis que você me amasse, eu só queria que você me mantivesse acordada. É como se antes de você, eu existisse numa outra dimensão. E você me trouxe para esta, a da realidade. É como se eu fosse espermatozóide e óvulo antes de te conhecer. Não me lembro bem de quem eu era. Acho que eu não existia, apesar de existir. Você me acordou de um sono idiota que eu dormi em plena BR, um perigo. Lembrei agora da Bela Adormecida. Ah, a Aurora! (Sim, vocês sabem que sou uma eterna idiota romântica). Assim como o príncipe beijou a Aurora e ela acordou, você fez comigo. Só que de uma forma muito mais real. Talvez você tenha me acordado com uma baforada do seu maldito cigarro, ou talvez tenha me acordado da forma como eu gosto de pensar que foi: com o seu olhar. E agora eu me ferrei, bem. Toda vez que você pisca, eu deixo de existir. Virei prisioneira das suas pupilas. Pago o preço que custar pra continuar existindo nos seus olhos. Não me liberte, por favor.

domingo, 22 de julho de 2012

Saudades


1 - Sinto saudades do menino besta que você era.
Da cara de pseudo-segurança com a qual me olhava, e me deixava sem-graça.
2 - Sinto saudades da sensação paranóica que eu tinha de que você lia os meus pensamentos.
De todo o esforço que eu fazia para que os meus olhos, ou cada um dos meus poros, não denunciassem que eu já te amava, muito antes de dizê-lo.
3 - Sinto saudades do esforço que eu fazia pra disfarçar a taquicardia que você me provocava a todo o instante.
Antes de te amar, eu nunca tinha sentido o meu coração. Eu nem sabia que ele ficava mais para o meio do meu corpo do que "do lado esquerdo do peito", como dizem. (É, o amor ensina biologia, minha gente)
4 - Sinto saudades do brilho dos meus olhos, que timidamente olhavam para o brilho dos seus.
E você nunca ficava encabulado quando eu te fitava com a curiosidade com a qual uma criança que mora na cidade fita o mar pela primeira vez.
5 - Eu sinto saudades da hiperatividade adolescente das suas mãos, que estavam em todos os lugares ao mesmo tempo.
6 - Eu sinto saudades do sabor dos seus sonhos, quando você acreditava na beleza da maioria das pessoas.
7 - Eu sinto saudades dos seus carinhos gratuitos, que vinham sempre acompanhados de demandas dos meus carinhos, que tímidos que eram, tinham medo de te assustar.
8 - Eu sinto saudades do coelhinho, das tardes e noites de sótão, Dexter, Lost, coca-zero, chocolate, dos poemas do Neruda, das legendas românticas nas fotos do Orkut, e da trilogia do Senhor dos Anéis que eu nunca conseguia assistir acordada.
9 - Eu sinto saudades de quando você tinha alucinações visuais ao me ver, porque só isso explica o fato de você não enxergar as minhas estrias, o meu mau-humor, as celulites, as chatices com picuinhas, as gordurinhas localizadas, as incongruências,  ou quaisquer defeitos, e só sabia me achar perfeita.

Cada uma dessas saudades me dói profundamente, cada vez que me acometem.


10 – Mas a principal é que... Eu sinto saudades de quem nós éramos naquele tempo. E essa é a saudade que mais dói, porque eu não quero voltar no tempo. A nostalgia é uma delícia quando se deseja ser ontem. Mas eu amo ontem o suficiente para deixá-lo. Aí a nostalgia fica esquisita. Até porque, o ontem continua hoje. As pessoas que éramos coexistem em nós, ainda hoje, mas são óbvias demais para que nós a percebamos. Tenho saudades porque as saudades também provocam dores boas. Sei que eu te amo porque tenho saudades de ti todo o tempo, dos muitos homens e meninos que coexistem em você, inclusive de todos os que você virá a ser. Sinto saudades do que ainda nem nos tornamos. Sei que eu te amo porque o passado, o presente e o futuro ficam todos mesclados em mim. Sei que eu te amo porque me fundo a você, como num bolo mármore, onde você pode ver o que é um e o que é outro, mas não consegue separar o que é um e o que é outro. Sei que eu te amo porque esse negócio que eu sinto e chamo de amor, me põe a escrever um texto esquizofrênico. Mas é assim que eu te amo, barão, de um jeito esquizofrênico. 

sábado, 14 de julho de 2012

O amor tem gosto de sangue



Te cedo o meu corpo, porque você sabe lidar com ele muito melhor do que eu. Tento deixar a minha alma de lado e deixar de existir por um instante, pra poder ser sua. Como é difícil fazer o que é fácil.
Mas tenho sempre esse empuxo a complicar as coisas. O complexo me atrai, a simplicidade me repudia. Isso. É a simplicidade que não gosta de mim, e não eu quem não gosto dela. Na verdade eu amo a simplicidade, e acho que luto muito para encontrá-la. Mas ela é demasiadamente complexa, já nos advertiu a Joana, da Clarice. Só sei te amar de um modo complicado. Falo, falo, não me contento. Vou pra lá e pra cá sem me dar conta de que não saí do lugar. E você, que às vezes parece não me amar, às vezes parece que sabe mais do amor do que eu mesma, que o tenho o amor como projeto de vida. Acho que você me ama de um jeito descomplicado. Tenho inveja de você. Sim, eu, uma mulher, tenho inveja de um homem. Inveja do pênis, diriam os freudianos. Mas é inveja do amor. Morro de inveja do seu modo simples de me amar. Diz que me ama de vez em quando, me mostra que isso é verdade todos os dias, e ok, é isso, existe paz no seu amor. Já o meu amor, não me dá sequer uma amostra grátis de paz. Me diz coisas horríveis, me sussurra coisas lindas. Não me deixa ser plenamente feliz e nem infeliz. Deve ser bom ser plena, ainda que na infelicidade. Mas fico tomando choques térmicos da minha intensidade. Indo do céu ao inferno o dia todo. Você não sabe o tormento que é te amar, menino. A minha maior prova de amor por você é tolerar o meu amor por você. Tolerar você, por vezes é chato, mas o difícil mesmo, é me tolerar te amando. Como é difícil não ter garantias. Como é difícil gostar de viver nesse limbo que eu crio e alimento todos os dias. Como é fácil complicar. O amor tem gosto de sangue. E eu sempre fui dessas que ao se cortar, gosta de sentir rapidamente o sabor do sangue, mas não daria de conta de me embebedar dele. É isso. Quero sentir o gosto do amor, mas não dou conta de me embebedar dele. Garçom, um copo de amor, sem sangue, por favor.

domingo, 24 de junho de 2012

DR entre eu e mim





Volta e meia me pego narrando a minha própria vida. Dei-me conta de que sou ótima narradora, péssima atriz do meu próprio filme, ou melhor, novela, que é mais chato e dramático. Eu, descolada de mim, faria coisas maravilhosas. Eu, dentro do meu corpo (presa nele, diga-se de passagem), faço várias besteiras, complico a minha rotina, tiro a beleza do simples e encho de nós aquilo que podiam ser laços bonitos e simples de desatar. Já disse aqui que tenho mania de viver no modo automático, sem parar pra pensar muito na vida. Quer dizer, não é que eu não pare pra pensar, mas é que o meu parar pra pensar já é tão comum, que também virou automático. Então volta e meia tenho de ser agressiva e me dar umas broncas do tipo “acorda, menina, talvez você morra hoje” Parece trágico, mas acho que é o que a minha mãe tentava fazer comigo, na época em que eu não podia fazer isso sozinha. Ela dizia que eu ia morrer, de um modo carinhoso, dizendo “você vai crescer, eu não estarei aqui pra fazer as coisas por você e...”. Acho que essa história de “você vai crescer” é um bom eufemismo pra “você vai morrer”. Aí a minha mãe (e o meu pai também, mas de outro modo que não importa aqui) me deixou um lindo superego de presente, que fica funcionando ininterruptamente, ora pra me foder a vida, ora pra me ajudar nela. Enfim, estou dizendo tudo isso porque percebo que a mesma coisa que me ajuda, me complica, e é simplesmente por eu não saber fazer uso daquilo. E acho que estou escrevendo também por obrigação, porque acho que esse blog está levemente abandonado. Talvez ele não precise mais existir. Mas precisar existir eu também não preciso, né. Que papo suicida. Metaforizem-me, por favor.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Deixa?

Você já estava dormindo, aconchegado no seu travesseiro e virado de bunda pra mim. 
Estava frio e eu não conseguia me esquentar, apesar de estar encaixada no seu corpo e com cobertas mais do que o suficiente. 
Você parecia tão confortável...tão quentinho...
E eu tão desajeitada...
-deixa eu entrar aí com você um pouquinho?
-aí onde?
-aí no seu corpo....deixa?
Então mesmo que você não tivesse deixado, mesmo que eu não tivesse podido, eu fui. Adormeci e deixei o meu corpo frio sozinho.

Nota mental, não mais mental agora.

Eu ia escrever um post super longo, mas estava pessoal demais e eu apaguei, vou deixar pro suposto livro que penso em escrever.
Escrevo isso aqui apenas pra deixar vocês curiosos (vai que isso faz vocês comprarem meus livros um dia?)
ahahahahaha, me deixem sonhar, por favor!
Na verdade tô escrevendo isso aqui apenas como nota para mim, mesmo.
Eu ia escrever sobre amor e culpa, e isso tinha a ver com as mulheres que eu amo. E tinha a ver com solidão também.


domingo, 27 de maio de 2012

Só é meu aquilo que posso carregar



O amor me suga e exige demais de mim. Não posso respirar sozinha, preciso suportar alguém dividindo o corpo comigo. Tranquilo, mulher se dá muito bem com loucuras de corpo.
(Sim, estou fazendo uma diferenciação e dizendo que não sei dos homens, mas sei que as mulheres suportam a falta de sentido que um corpo pode proporcionar. Se você é homem e discorda, favor vir falar comigo quando seu sexo estiver sangrando sem motivo aparente)

Então, como eu dizia, o amor me suga e exige demais de mim. Não sei ser feliz se você não estiver feliz. Não sei sorrir se o seu coração não estiver em paz, não sei  gargalhar se você não achar a minha risada bonita.

O amor rouba a minha respiração. Não sei existir sozinha no meu corpo feminino. Preciso sempre de alguém que garanta o compartilhamento do meu corpo. É angustiante depender de um corpo pra poder ter alma.

Só que hoje amanheci diferente. Não me pergunte o porquê, não me faça explicar o que eu não sei. Nada aconteceu, nada mudou. Eu simplesmente sei que não será assim para sempre. Eu só acordei portando a informação de que não morrerei se ficar a sós comigo. 

Acontece que só é meu aquilo que posso carregar comigo. E não posso carregar tanta neurose, meu amor.

O amor é sempre uma coisa antiga e por isso carrego com ele muita velharia. Gibi da Mônica, pega-varetas, o tédio de domingo, a cara de mau-humor da mãe, os cabelos brancos que começam a nascer no pai, a comida boa, a bolacha de natal, a tosse da vó, o cigarro do vô. E o vô nem fumava, mas tenho nostalgia diisso. E o amor nem doía, mas tenho nostalgia disso também.

Só é meu aquilo que posso carregar. Tchau, amor nostálgico, mas nessa vida é preciso correr. Não tenho coluna o suficiente pra uma mochila tão pesada. Larguei os bets. O amor é uma grande massa, a gente acaba chamando de amor muita coisa que não é. Agora só amo o que posso carregar. Sorte que você tá tatuado em mim, embora não esteja.


obs: não sei de quem é essa frase do título, se alguém souber, me avise pra eu dar os devidos créditos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Os humanos podem até não ter um Deus, mas os cachorros certamente têm.


É estranho pensar que a vida acaba.
É claro, a gente repete esse clichê de que a única certeza que a gente tem é que vai morrer, e blablablá, mas é tudo da boca pra fora.
O fato é que a gente nunca se acostuma com a morte, e isso é viver.
Vez ou outra a morte aparece e me surpreende, mostrando que nada muda quando alguém falta. Isto é, nada muda no mundo. O trânsito, as piadas, as guerras, os encontros, o aquecimento global....tudo continua.
No domingo à noite, a morte veio aqui em casa. Ela levou um pedacinho de Deus, que estava encarnado em um bull terrier que era a coisa mais perfeita desse mundo. Ele estava doentinho, já tinha começado a sofrer, e de fato, era melhor que ele descansasse. Mas não estou falando de uma questão lógica. Até porque se tem uma coisa que não faz sentido nessa vida, é ela mesma e a sua companheira, a morte.
Ele se foi e o mundo ficou mais amargo.
Ele se foi e despertou uma dor no peito que me entristece e grita nos meus ouvidos: você está viva! Viver dói.
Ele se foi e não levou nada de mim. Isso realmente dói. Quando alguém morre, dizem que morre junto uma parte nossa. Só que acho que não é assim. Acho que o doído da coisa é que quando as pessoas morrem, nada nosso se vai, continuamos do mesmo jeito, e essa é a angústia.
Ele se foi e me deixou inteirinha. Aliás, ele só me deixou muito mais madura do que eu era antes de conhecê-lo. Me ensinou que o amor pode ser leve. Não precisa sangrar o tempo todo, ser exagerado, e não preciso estar eminentemente à beira de um precipício para ser amor. Nada disso. O amor pode ser leve, pode ser cheiroso, pode ser doce e pode ser simples. Não sei ser simples porque além de ser humana, sou uma mulher. Mas os cachorros, que são pedacinhos de amor na Terra, esses sabem amar. Desconfio, aliás, que somente eles sabem amar. E sabendo amar, sabem receber amor.
Só que eu pensava assim: cachorros são pedaços de Deus. Deus é infinito. Logo, os cachorros são infinitos. E então, nesse domingo, eu descobri que os cachorros também têm um fim. Eles também precisam de um corpo pra viver. E por mais que a alma dele quisesse viver mais do que tudo no mundo, mesmo que ele tenha sido forte e respondido bravamente ao desejo de viver, mesmo que ele jamais tenha se queixado de dor, ou de ir ao veterinário, o seu corpo simplesmente deixou de funcionar.
Sou infinitamente grata por você ter feito parte da minha vida. Sou uma sortuda por ter recebido o seu amor, e ter podido te amar. Agradeço até mesmo pelos meus sapatos (novinhos em folha, diga-se de passagem), terem servido de mordedor pra você. Obrigada por me ensinar o amor de uma forma absolutamente única. Estou certa de que terá a eternidade mais linda de todos os cachorros do mundo. 


(não deixo aqui espaço para comentários, porque penso que simplesmente não há nada a ser dito)



domingo, 20 de maio de 2012

Zona interior





Carrego uma bagunça em mim.
Eu sou a própria bagunça. Se por acaso a arrumo, deixo de existir.
Vocês têm noção de como é difícil ter que viver bagunçada pra existir?
Faço agenda, meticulosamente. Cumpro-a.
Mas se por acaso eu venho a perder a minha agenda, sei exatamente tudo o que está escrito lá.
Mas é claro que não é dessa bagunça que eu falo!
Sou responsável e sei parecer ser organizada.
Sei fingir ter o que não tenho.
Sei fazer charme.
Faço charme pra esconder a minha bagunça interior.
Uma vez, por acidente, um homem viu a minha bagunça. 
Descobriu a zona que há dentro de mim. 
"Me ferrei, pensei eu".
Mas o homem gostava de putaria, encantou-se com a minha zona e ficou em mim. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Das minhas loucurinhas

Acabei de escrever um texto e apagá-lo duas vezes seguidas. Da primeira vez o blogger salvou o meu texto, na segunda vez fui mais eficiente e sumi com ele mesmo.

Quem é essa que mora em mim? Quem é essa onde eu moro? Quem é essa que apaga os próprios textos que escreve?

Não sei bem de onde vem essa mania que tenho de escrever no próprio blogger, e não salvar as postagens em outro lugar. Acho que gosto da ideia de poder, de repente, perder todas as minhas letras pelo limbo da internet.

Eu dizia no texto que eu fiz sumir, de um compromisso que fiz comigo mesma. Prometi a mim mesma que não morreria em vida. Então escrevo pra não morrer. E essa morte da qual eu falo, não é nada profundo ou lispectoriano. É uma morte banal. Escrevo porque não quero virar um zumbi, e tenho fortes tendências a isso. Acho que tenho medo de matar o meu amor, se eu virar zumbi, e por isso escrevo tanto sobre esse tal de amor. Já pensei que estava tentando desvendá-lo, mas acho que fui mentirosa nesse pensamento.

Tenho amarras que me paralisam, enquanto o amor é um treco que me chacoalha. Gosto do amor porque ele me tira a razão. E a razão só me ferra nessa vida. Pensar é algo que não me serve muito. Serviria, se eu fosse corajosa. Mas nessa vida tenho medo de ter medo. (Leitor, se nesse momento vc pensa em deixar um comentário-clichê me dizendo que tem que ter coragem na vida e blábláblá....olhe pro seu próprio umbigo). Adoro conselhos, mas prefiro bater a cabeça na parede.

Tenho juízo em demasia, isso é falta de juízo.

Penso demais, e me realizo ao pensar.

O problema da fantasia é que ela nos satisfaz, ao menos em parte.

Às vezes acho que foi Lewis Carroll quem me fez. Acorda, Alic(ia)! Gritou o príncipe, após entorpecer-me com seus beijos. Sou uma bela adormecida que não deu certo. Escrevo porque vivo num limbo entre o sono e a vigília. Não quero abrir mão de nenhuma das duas coisas. E é disso que sofre o ser humano, de não querer abrir mão.

Por medo de perder, perco algo todos os dias.

domingo, 13 de maio de 2012

Eu não moro aqui

E essa tristeza que me toma?
Não sei, talvez seja mau-humor.
Algo sem motivo.
Minto. É claro que tem motivo. E de alguma forma, a gente sempre o sabe.
Sei tantas coisas em mim sem saber...
Meu corpo é tão inteligente! É por isso que ele dói.
Tenho vinte e muitos anos e todos os dias me corpo anuncia uma dorzinha.
Não sou maria-queixosa, é uma dor que me diz que estou viva, e não que sofro.
Fiz ballet clássico durante uns bons anos, tipo uma década. Minha professora dizia: bailarina sem dor é bailarina morta! Na verdade ela não dizia, ela gritava isso, muito brava. E eu levei ao pé da letra. Saí do ballet, não quis ser bailarina. Mas continuo me doendo pra saber que existo.
Uma articulação sussurra-me ao ouvido, um músculo fala mais firme, um tendão cantarola.
Mas há uma alergia, assim, uma coceirinha, que ah, essa me enlouquece.
É tipo aquela coceira nas costas que você beira a se arranhar, mas não consegue aliviá-la. Ou aquela coceira que anda. É uma coceira na alma. Não a alcanço, e ela dança em mim. Desdenha da existência do meu corpo e faz com que eu me sinta gigante pro meu corpo, minúscula pro meu corpo. Faz com que o meu corpo não seja a minha casa.
Se você está me lendo porque sempre me lê, sabe que tenho horror a conselhos. Não pense que estou sofrendo, é apenas o meu modo de viver.
Sim, minha alma está quase sempre desencaixada do meu corpo e é por isso que eu me movo. É por isso que eu não sou bailarina, mas danço. Vivo dançando.
A dança perfeita seria se eu não tivesse um corpo. O corpo me aprisiona. Quero sair daqui, sou claustrofóbica. Quero que me abracem, embora eu seja claustrofóbica.
Mentira, não tenho claustrofobia.
Tenho é uma vida mais ou menos que me faz escrever amenidades.
Queria eu sofrer muito pra poder escrever visceralmente.

domingo, 29 de abril de 2012

Sou só mais uma mulherzinha, podem me julgar.


Tenho uma mania feia de me perder no seu desejo.

Acho que sou toda senhora de mim, toda moderna e dona do meu nariz, e então, quando me dou conta, mais pareço uma mulherzinha do século XV gostando das coisas que você gosta, emitindo opiniões políticas e sociais que talvez eu jamais pensasse, se não tivesse conhecido você.

Mulheres, podem ficar bravas comigo. Não sou um exemplo a ser seguido.

Feministas, podem me jogar na fogueira, não acho que isso de me perder no desejo do meu amado seja um problema.

Não queimei sutiãs, e tenho minhas dúvidas se faria isso.

Sim, eu trabalho, ganho dinheiro e não abriria mão disso por nada nesse mundo.

Mas eu também não consigo supor como seria, caso as coisas fossem diferentes, porque não são.

Quanto mais cheia de mim eu penso ser, mais me descubro completamente à mercê do seu desejo.

Eu, que quanto mais te tenho, quanto mais eu acho que sei de mim, com mais intensidade me flagro sabendo cada vez menos quem sou eu.

Minha alma sabe muito bem o que quer - mas o que ela quer, é se perder na sua....

E nessa, eu só me fodo, se a gente pensar como livro de autoajuda. Um ser tem que ser completo sozinho, a gente não se completa no outro. Você tem que primeiro ser feliz sozinho pra depois amar alguém. É preciso, acima de tudo, amar a si mesmo e blábláblá......ECA!

E nessa, eu adoro me foder. Porque é quando eu me perco em você que a minha existência descansa.

Eu sei que se um dia eu não mais te tiver, sobreviverei. E isso basta de afagos ao meu ego.

Que o mundo se foda, que se explodam as feministas, que morram os escritores de autoajuda....eu amo você. E isso é tudo. E isso é muito. Mesmo que de vez em quando, eu suma. Adoro sumir.

domingo, 22 de abril de 2012

Ai!



A vida dói 
O amor mói

A alegria me pesa
Seu sorriso me lesa

Felicidade me devasta
Viver não me basta

O amor me exaure
Por favor, me restaure.

(E que não nos enganemos, mortais.
O amor dói mesmo quando dá certo.
E eu sou um tanto masoquista.)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Deus

Fico tonta e tá tudo errado.

Sei que te amo porque sei que pode acabar.

Sei que te amo porque te dei o poder de me tirar o chão, e apenas rezo pra que você não o faça.

Sei que te amo porque não sei.

Sei que te amo porque quero. Meu amor por ti custa caro, mas vale.

Sei que te amo porque se eu pudesse escolher, não escolheria amar. Escolheria morrer, que deve ser bem mais doce. Escolheria odiar, que é bem mais suportável. Mas o amor não é escolha que um indivíduo em sã consciência  faça.

Deus me livre da sã consciência.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Perda parcial

- Você não sente que está perdendo algo, estando comigo?
 - Sinto, sim. Estando com você estou perdendo todos os outros homens do mundo.
- E isso não te angustia?
- Perder é uma escolha. 






Amar é escolher perder. Olha só que coisa besta eu recortando diálogos da vida real pra postar no meu blog. Mas veja, só, quando eu mais me convenço do meu discurso barato de que você não é mais romântico como no começo, de que você me espanca com a sua ausência de palavras, você de repente me faz as maiores declarações de amor com o seu olhar. A ponta dos seus dedos grita à minha pele o quanto eu sou amada. E tudo isso no grito de um silêncio. Amar você é a perda mais linda da minha vida. Eu não sei de onde surgiu essa história de que perder é mau, doído e ruim. O amor pode ser uma perda deliciosa. Mas sem historinha romantiquinha de que vale a pena perder uma coisa pra ganhar outra. Não! Pensemos no amor como pura perda. No amor como um buraco que a gente crava na nossa existência. E que depois disso nunca mais possa ser feliz sem amor. Vocês já viram, como ficam as pessoas quando perdem um amor? Querem outro pra se curarem. E aquele discurso de que "tenho que ficar bem sozinho antes de estar com alguém", geralmente é pura extração de livro de autoajuda, ou seja, de nada serve. 
Se você já amou, se fodeu, meu bem. Nunca mais vai ser feliz sem amor. Ainda bem que a gente pode amar coisas e causas. Não fosse isso, bebê, eu te sufocaria. Ia te matar de tanto amor. Sorte a sua que eu escrevo, que eu trabalho, que eu amo várias coisas nessa vida. E olha, comecei esse texto pra falar daquele diálogo ali em cima e de como vejo o seu amor por mim, daí o leitor pode me achar louca (como sempre) porque a declaração de amor ali é minha. Mas é que com certas perguntas, você me ganha. Acho que no fim das contas perder e ganhar não são opostos, talvez sejam faces da mesma moeda.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Escoliose na alma



Escrevo porque não sei cantar, não sei dançar, escrevo porque não sei. Minha existência me sobra, ou talvez me falte. Tanto faz. Minha existência não se encaixa na minha vida. Meu corpo não sei encaixa na minha alma. O que eu quero dizer não cabe na palavra. O mundo é um grande desencaixe, mas não era pra ser assim. É que sou torta. A vida é linda e simples. Complico tudo. Até amo. Veja só que absurdo, amar! É o que há de mais incoerente na vida, essa história de amar. Mas acontece, quero me perder nas entranhas daquele que por vezes, odeio. Quero beijar as tripas daquele que umas duas vezes por semana, quero matar. Seria tão mais fácil se eu não te amasse... Seria tão mais chato se você não existisse... Não sei me zangar com você e isso é um problema sério. Não sei se é preguiça, se amor, se é neurose ou se é vagabundagem minha. Simplesmente às vezes me basta que você esteja aqui. E isso é verdade e mentira ao mesmo tempo. Amo as minhas ambivalências, por isso não me curo delas. Elas são tudo o que eu tenho. Só peço que você suporte o meu amor e o meu ódio também, não abro mão de nenhum deles. Tento te poupar disso quando me calo, mas eu sei que você sente. Sou transparente para você, não vejo problemas nisso. E o fato é que se um dia, ou se muitos dias, eu me queixei da sua falta de palavras, hoje aprendi a conviver com elas. Acho que seus olhos são tagarelas. Mas às vezes você o emudece de propósito, e aí dói, mas aí eu sei que é de propósito e acho uma honra. O fato é que eu sempre quero causar reações em você, de qualquer tipo. Sorte minha que você é “do bem”, como dizem. Sei que você se acha um menino mau, e talvez até seja. Mas aos meus olhos, você é bom. Essa é a minha sorte. Porque meu bem, eu estou nas suas mãos. Mas não acredite nisso que eu estou dizendo, por favor.

sábado, 3 de março de 2012

E se....



Se eu deixar de te amar, o que pode acontecer?
E se me faltar o amor, eu posso morrer?
Se você parar de falar, o meu ser se esvai?
E se eu parar de falar, minha existência cai?

Vida é sem garantia
Felicidade, se deus quiser, não existe
Amor é um troço que arrepia
Por mais que eu fuja, ele insiste

Só vivo porque amo
Só amo porque não sei
A vida é um engano
E esse poema ficou gay.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Viver morrer escrever


Lembro-me de dizer aqui o fato de eu não gostar das coisas que eu escrevo. Pode parecer hipocrisia minha, e talvez seja mesmo. Às vezes eu gosto do que escrevo. Não é um gostar imediato e é por isso (ou por preguiça mesmo) que não reviso o que eu escrevo antes de postar. Mas quando alguém “desenterra” um texto meu, ou seja, quando leio algo que escrevi há tempos, às vezes acontece de eu gostar. Estou dizendo isso porque me parece que nos últimos tempos não gosto das minhas coisas. E aqui eu nem me refiro à escrita, porque eu nem tenho escrito mesmo, mas me refiro aos meus pensamentos. Acho que uma pessoa  escreve porque gosta de algum pensamento seu, e aí decide dar um gole de vida própria às palavras. As minhas palavras estão secas, e os meus pensamentos estão cinzas. Está sem-graça. Talvez a vida real esteja me tomando mais que o usual. Talvez eu esteja dormindo. Digo isso porque no primeiro texto que escrevi aqui, eu disse “escrevo para acordar”, fazendo referência à minha péssima mania de viver no modo piloto automático. Mas veja, acho que agora, por exemplo, estou escrevendo no modo automático. E porque eu supus isso, não estou mais. É como num sonho, você não sabe que está sonhando, até que duvide de que ele seja mesmo a realidade, e ai acorda. É como na realidade, você não sabe que está na realidade até duvidar dela e pensar na possibilidade de tudo ser apenas um sonho, e aí não acorda, e porque não acorda, acorda. Mas é claro que isso está ficando confuso, é sempre assim quando eu escrevo, e é por isso que eu acho que escrever me desperta, porque a realidade não é nítida, a vida não é óbvia, o ser humano não é previsível, a escrita não é clara. Não sei se escrevo porque algo me dói, ou se escrevo pra algo me doer. Duvido da minha existência quando não escrevo. Mas estar amortecida, por vezes é bom, ou é necessário. A morte sida. Também a morte me seduz. E é por isso que vivo. Viver é andar em direção à morte. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Dos clichês às invenções

Amor meu.
Coisa mais clichê isso de começar um texto com "amor".
Mas se tem uma coisa que eu ainda não encontrei  uma forma, foi falar de amor sem cair no clichê.
Então, danem-se os clichês.
Quero te dizer aquele blábláblá de toda menina apaixonada (sim, menina, embora eu já esteja mais perto dos 30 do que dos 20 (toda mulher apaixonada tem alma de menina)).
Eu queria nomear aqui várias tentativas de explicação pra dizer o porquê eu te amo, mas eis que nesse motivo alguma coisa me paralisa, e me impede de ser tããão clichê assim.
Só queria te dizer que estou bem. Que você me faz ter a sensação de que, se existe uma moça chamada felicidade que mora nesse mundo, eu tenho um pedacinho dela nas minhas mãos. Eu já disse, mas repito, nunca pensei na vida que eu pudesse ser tão feliz. Nunca imaginei que eu pudesse ser tão eu, ao lado de um homem. É estranho dizer isso “ser tão eu” pelo simples motivo de que eu não sei o que é ser “tão eu”. Sou só mais um ser humano perambulando por esse mundo, que não sabe quem é. Não sei quem sou, mas meu sexto sentido (tenho chamado "alma" de sexto sentido) berra nos meus ouvidos, quando estou ao seu lado, de que eu sou isso. Não, eu não defino a mim mesma como “mulher de fulano” (fulano é você, é sempre bom explicar). Mas eu me aproximo de mim mesma quando respiro na sua presença. O ar flui melhor pelos meus pulmões quando escuto o piscar dos seus olhos, o estralar das suas pernas. Você é um ser muito barulhento. Joga a porcaria do PS3 ligado no último volume, assiste televisão como se fosse um senhorzinho de 80 anos que deveria usar aparelho de surdez e não usa, e como se isso não bastasse, ainda grita nos meus ouvidos toda a lindeza da sua existência. Seu olhar me esfaqueia, me incendeia, me bate, me acaricia, me faz sumir, me faz existir. Suas mãos me dão contorno, me dão nada, me descobrem, me queimam. E chega dessa melação toda. Quando eu acho que não posso te querer mais, quando acho que esgotei todas as mimizices que o amor me faz escrever, me dá um surto de amorzinho adolescente, e cá estou eu, escrevendo pra você essas babaquices aqui.
Eu te amo.
E isso é insuficiente. Tudo é insuficiente. Sou apenas um corpo, que faz do amor um guarda-chuva (ou uma sombrinha? Tanto faz.) A vida chove, o amor me defende. Ou me ofende.
Escrevo porque não sei amar.
Escrevo porque não sei viver.
Escrevo porque não sei.


(Nem a vida chove, nem o amor defende, muito menos ofende. Talvez não aconteça nada e eu é que invente tudo isso.)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A minha ausência me salva


Tenho escrito pouco, embora continue sempre dialogando muito comigo mesma (obviamente, não por opção própria). Então achei justo escrever um pouco sobre as coisas que eu não tenho escrito.
Acontece que acho eu que tenho tentando achar uns atalhos na vida. Tenho tentado não pensar muito, e pode ser até que tenho me esforçado pra não amar tanto. Agora não estou certa se isso é um esforço mesmo, daqueles que nos deixa de língua de fora, ou se isso tem acontecido espontaneamente.
Ou, ainda, talvez eu não esteja escrevendo muito por pura preguiça. É, às vezes encontro explicações complicadíssimas e neuróticas, pra coisas que são simplesmente preguiça. Tem um psicanalista francês, Lacan, que diz que a depressão é uma covardia moral. Acho eu, que com isso, ele quis dizer que muitas vezes as pessoas deixam as coisas que querem pra lá, porque dá muito trabalho, e acabam fazendo o que acham que deviam querer, ao invés de fazerem o que realmente querem. Então agora tô achando que não tenho escrito por covardia, talvez. Vocês sabem, não sou uma pessoa muito decidida nas minhas opiniões. Olha eu aqui, divagando sobre uma coisa inútil, coisa que eu acabei de dizer que tenho tentado não fazer, buscando alguns atalhos.
Ou talvez ainda, a poesia me tenha sido roubada, furtada, ou fugido de mim. A linda Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”.
Ou, ainda, talvez eu tenha achado que escrever me tem sido inútil. Não tem servido muito. Não estou gostando nada, nada desse texto idiota, por exemplo.
Ou, talvez sejam todas essas coisas ao mesmo tempo. Porque mulher é um ser misturado. Onde vai, se mistura às coisas. Sempre escuto as mulheres dizerem “mergulho de cabeça nos meus relacionamentos” e fico achando que isso é mentira. Porque comigo acontece de sempre uma pontinha de mim ficar de fora, de qualquer coisa. E é essa pontinha que me salva. Por isso posso perder o emprego, o amor da minha vida ou qualquer coisa que eu sei que viu sobreviver. Vai doer, eu posso achar que vou morrer, e vou sentir tanta dor como só alguém que está vivo pode sentir. Mas no fim das contas eu vou abrir os olhos e me dar conta de que fiz tempestade em copo d’água, como é com tudo na minha vida. E eu só posso achar que a coisa não era tão difícil quanto parecia, depois que passou. Porque quando passa, aquilo que era uma pontinha que estava de fora, fica toda de fora. E eu me des-misturo. Até então, vou me misturando a tudo. Não sei se eu gosto disso porque sempre gostei, ou se gosto só porque o meu amado gosta. Há coisas que talvez eu não fizesse sozinha, mas que com meu amado vira a coisa mais interessante do mundo. Não sei de nada e é por isso que tenho evitado filosofias em excesso, elas não me ajudam a saber mais, elas apenas existem porque sou apaixonada por elas. Mas como todo relacionamento tem as suas crises, eu to numa crise com a escrita agora.
E se você leu essa porcaria de post até o final, te deixo um beijo de agradecimento.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Enlouquecendo



Escrevo porque amo. E toda vez que venho aqui ao blog, é pra dizer alguma coisa do meu amor. Acho que vocês que aqui me acompanham, bem sabem que o amor do qual eu falo é uma coisa que eu nem sei o que é, mas que sei que é meu. Porque eu não tenho nada nessa vida: nem corpo, nem casa, nem planos - mas tenho o meu amor. Não é que eu não tenha alguns objetivos traçados na vida, é claro que os tenho, mas eles são todos em nome desse tal  amor. Quero um dia publicar um livro, sonho em ser lida por muitas pessoas, e amada pelo que escrevo. (Eca, que me lembrei agora de Caio Fernando Abreu que escreveu mais ou menos isso – digo eca porque acho que Caio Fernando era na verdade um mimizento, apenas. E talvez-muito-provavelmente eu também seja)

Enfim, mas mesmo se um dia eu não publicar um livro ou não for famosa, ainda assim continuarei escrevendo. Escrevo porque amo. Quero um dia, escrever pra ser amada. E é claro que não era disso que pensei eu escrever quando digitei a primeira letra. Mas eis que esse tal de amor, quanto mais eu o delineio, coloro, contorno, esfumeio, mais ele me escapa. Já pensei que o amor fosse físico, já pensei que fosse outro nome pra alma, já pensei que ele fosse mentira – e continuo pensando que o amor é  todas essas coisas. Quanto mais coisas penso sobre o amor, maior fica o meu pacote de possibilidades. Temo enlouquecer um dia. Não sei se por amar, não sei se por querer saber do amor. Sei que o amor é pra ser sentido e não sabido, e blábláblá. Sim, blábláblá, porque saber disso não muda porcaria nenhuma das minhas ânsias e desesperos em relação a essa coisa que eu venho chamando de amor. Porque...caros leitores, eu duvido até mesmo desse nome, a-m-o-r. Estou perdendo os saberes que já tive outrora, e é por isso que temo a loucura. Aliás, loucura, pra mim, é outro nome pra amor. É quando você tira os pés do chão e se deixa voar. Mas voar é coisa que não acredito ser controlada. Amar, assim como voar, assim como enlouquecer, é perder o controle.

Então tudo o que eu digo, tudo o que eu faço, tudo o que eu falo, me parece ser em nome do amor. Mas isso é coisa demais pra ser amor, acho que o amor não deve ser uma coisa assim tão grande. Talvez o amor seja só o resto disso tudo. Quando você elimina todas as coisas da sua vida, talvez sobre o amor. Mas essa seria uma operação de subtração, e eu só sei adicionar. Você diz “acho que o amor é isso”, e eu concordo. Ele diz “acho que o amor é aquilo”, e eu concordo também. E se alguém me disser que é o contrário, continuo concordando. Não sei excluir as coisas. Penso agora que isso não é só com o amor, mas me parece que é com tudo na minha vida. Nada nessa vida me parece errado, lá no fundo. É claro que eu tenho a minha consciência, alguma ética, um superego rígido que me carrega de valores morais (e mortais) e me faz encher a boca pra falar mal do mundo, da sociedade, do capitalismo, da rede globo, dos homens, das mulheres, do bbb e de quem quer que for, na mesa de bar, na faculdade, ou até mesmo em casa. Mas no âmago da coisa (se é que eu sei o que que é isso), eu concordo com tudo. Às vezes penso que sou indiferente ao mundo. Sou relativa demais. E relativizo também o amor.

Estou me superando. Antes achava, enquanto escrevia, que meus leitores me entenderiam ("meus" leitores? Que vocabulário é esse, Alicia?) e que apenas meu amante me acharia louca. Agora já penso que todos devem me achar maluca. Eu estou me achando maluca. Sei que sou. Mas finjo o equilíbrio como ninguém, sou uma lady. (Péssima metáfora, em tempos de Lady Gaga)

Obs: Posso fazer um comentário ainda mais maluco? Claro que posso, porque o blog é meu. É que todos os parágrafos começam com a letra “e”. Nossa, Alicia, mas que relevante isso. Amém.)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sono em palavras



Entorpeço-me de sono.
Amo-te.
Meu amor não tem dono.

Não quero fazer rimas.
Musico.
O que é brega me fascina.

Nada acontece.
Respiro.
Você não me aquece.

Eu, gelada.
Paraliso.
Só sei fazer nada.

Poema de merda.
Non-sense.
Minh'alma está lerda.

Vou ser honesta.
Isso não é poesia, é sono.
Tenho que aparar minha aresta.