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domingo, 11 de novembro de 2012

Das sabedorias femininas



Thais, 24 anos "... aí eu ganhei um roller do papai noel" 
Gabi, 10 anos "...manhêêê, ela ainda acredita em papai noel?"

A gente sempre acredita. Em tudo. De Papai Noel à palavra de homem, passando pela fada dos dentes e pelo amor. 
A Gabi também disse que sabe como chorar mesmo sem estar tão triste, pra conseguir o que quer. A Thais recomendou à Gabi que aproveite esse tempo da vida, porque depois dos 20 os homens nos deixam chorando sozinha.
Vocês que me acompanham aqui, bem sabem que não preciso de muito pra ter uma crise existencial, né. Pois hoje fiquei impressionada com a sabedoria da Gabi, uma menina de 10 anos. Olhei pra ela e pensei que na idade dela, eu também sabia as coisas que ela sabe (ainda que ela tenha anos-luz mais desenvoltura do que eu tinha na época), mas aos plenos 27 anos de idade não aprendi muito mais coisas. 
E quando a Thais disse que depois dos 20 não adianta chorar, pensei que isso é bem verdade, mas então por que ainda faço isso? 
Essa história de que as mulheres choram porque querem conseguir as coisas, acho que funcionam, sim na infância, a Gabi bem sabe disso. Só que depois a gente continua fazendo isso sem perceber que parou de funcionar. Porém, contudo, entretanto, todavia, no entanto, já percebi que choro muito mais gostoso quando tem alguém comigo, do que sozinha, no banheiro. E rio também. Não consigo gargalhar sozinha. E não é apenas porque me sinto ridícula, mas é que eu não tenho vontade mesmo.
Há algum tempo comecei a reparar nisso, os homens se matam de rir SOZINHOS com aqueles vídeos ridículos do partoba. Eu posso ver a coisa mais engraçada do mundo que solto um discreto "rs" se tiver sozinha, mas se estou com alguém, rio até a barriga doer.
Essa reflexão pode parecer inútil, e é mesmo, mas eu só queria dizer que tenho pensado que nós, mulheres, somos muito mais dependentes de alguém, do que supomos.
E cada vez me parece mais ridículo, idiota e sem-sentido as filosofias de autoajuda que propõem "seja feliz sozinha" pra depois ser feliz com alguém.
Olha, impossível.
Então eu apenas espero poder continuar acreditando. Seja lá no que for.



* No fundo toda mulher é uma menina de 10 anos, que nem acredita mais no amor, mas que acredita que alguém ainda a fará acreditar nele. E então ama.

11 comentários:

Jaqueline Silva disse...

Extremamente díficil, delicioso, orgulhoso e sei lá quantas coisas mais ler essa postagem.
Se impressionou a ti, em uma tarde, imagine em quantas crises existenciais Gabi não me põe.
Tenho orgulho de sua sabedoria, mas me assusto com sua percepção das coisas: "No começo é assim, depois se casam e é traição pra lá, traição pra cá." Gente, como assim a minha bebezinha enxerga os relacionamentos dessa forma?!?!?
Não adianta eu fazer um cerco e achar que a mantenho a salva do mundo, ele vem e esfrega as coisas na "cara" dela. Ilusão de mãe achar que podemos proteger nossas crias "ad eternum".
Acho que bem lá no fundo somos todas iguais. Aos dez, aos vinte ou aos vinte e sete.
E só pra terminar, fica a brilhante observação da Thais: "Acredito em amor, como não acreditar em papai-noel?"
Eu também meninas. Eu também!

Alicia disse...

Eu não acredito no amor, mas eu amo.

Ayanne Sobral disse...

Eu acredito.

Quando digo que acredito, o que sai da minha boca dá as mãos a uma pluralidade ininteligível de sentidos. Eu não acredito, mas acredito.

Eu acredito sou eu calada - nunca surda, nem cega. Sou eu parada, no meio da rua, observando rostos desconhecidos que nunca esquecerei. Eu acredito sou eu cansada, ferida, coberta de receios, mas de pé. Porque eu acredito é, antes de qualquer coisa, eu QUERO acreditar.

Eu acredito pode ser também, e talvez seja, eu vivo. Seja como for, eu acredito.



Dona A., cada coisa que você escreve pra mim, direta ou indiretamente, me dá um beliscão sutil, embora não sem dor, na existência. E acho que devo te agradecer e te odiar por isso.
Li o texto anterior a esse (muitas vezes, inclusive) e simplesmente não consegui comentar. Ainda não consigo.
E o seu último comentário lá no blog... bom, sobre ele vou te dizer em um abraço, um dia.

Odeio você.
Odeio não ter um livro seu nas minhas mãos. Odeio.

Ayanne Sobral disse...

Eu acredito.

Quando digo que acredito, o que sai da minha boca dá as mãos a uma pluralidade ininteligível de sentidos. Eu não acredito, mas acredito.

Eu acredito sou eu calada - nunca surda, nem cega. Sou eu parada, no meio da rua, observando rostos desconhecidos que nunca esquecerei. Eu acredito sou eu cansada, ferida, coberta de receios, mas de pé. Porque eu acredito é, antes de qualquer coisa, eu QUERO acreditar.

Eu acredito pode ser também, e talvez seja, eu vivo. Seja como for, eu acredito.



Dona A., cada coisa que você escreve pra mim, direta ou indiretamente, me dá um beliscão sutil, embora não sem dor, na existência. E acho que devo te agradecer e te odiar por isso.
Li o texto anterior a esse (muitas vezes, inclusive) e simplesmente não consegui comentar. Ainda não consigo.
E o seu último comentário lá no blog... bom, sobre ele vou te dizer em um abraço, um dia.

Odeio você.
Odeio não ter um livro seu nas minhas mãos. Odeio.

Loridane Melchior disse...

Eu não sei se o amor acredita em mim, mas eu acredito nele.

E, estava com saudade de passar por aqui.

Um beijo.

Poeta da Colina disse...

Acreditar em si, e no que se sente.

Danelize Gomes disse...

Eu acredito em ti e acredito na forma de amor que tu retrata aqui no teu espacinho, Ali.
Eu vou ser sempre uma criança louca, sempre mesmo, mas essa de viver feliz sozinha não tem como. Sou dependente até da minha gata, que dirá de algo que me faça amar.
Status: amando teu texto, sempre.
Beijo doce. <3

Junior Gros disse...

Tenho um amigo escritor, não apenas um. Mas esse em especial, escreveu a seguinte frase na dedicatória que fez para mim quando comprei seu livro mais recente "inspire-se, e sempre convide seu menino interior para escrever junto".
Pois sim, todos os homens são um pouco meninos, mas escondem isso. Talvez aí é que more o grande X das questão. As mulheres são mais fortes em muitos aspectos, mas nunca deixam de ser meninas.
Acho isso isso ótimo. Não sei se conseguiria amar uma mulher que não fosse menina.

Juh Martins disse...

Lindo,como todos os outros.
Confesso que me surpreendeu com o novo...
Acho que nós mulheres,não fomos feitas inteiras.
Saímos de um pedaço de costela,mas quem realmente falta um pedaço somos nós.
Como um quebra-cabeças onde só se completa o seu,trocando peças com um outro.
Por isso nossa necessidade de dividir momentos,seja ele qual for.
Toda mulher tem um pouco de menina em si,ainda que não se permita mostrar esse lado.
Essa é nossa essência.
E é lindo ser assim!
Parabéns Alicia.Lindo texto.
Lido,amado e comentado!
beiJuh

Thaís Alves disse...

Lindo o seu texto, e parte dele é grande verdade para mim também. É verdade que choramos sozinhas, mas continuamos chorando. Mas, quanto ao papo da autoajuda, considero real. Primeiro ser feliz sozinha é muito possível, desde que antes se tenha sido infeliz junto algumas vezes. E aí vc se conhece, se reconhece, se gosta, se ama. E quando vc se ama, consegue ser feliz sozinha. E isso é tçao libertador, porque agora que sou feliz junto, ele nunca poderá me fazer triste. Porque se isso acontecer eu junto meus pedaços e vou embora ser feliz sozinha! Beijos

Retrato de Mim disse...

Que texto maravilhoso, aliás todo teu espaço é ótimo, parabéns!