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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A minha ausência me salva


Tenho escrito pouco, embora continue sempre dialogando muito comigo mesma (obviamente, não por opção própria). Então achei justo escrever um pouco sobre as coisas que eu não tenho escrito.
Acontece que acho eu que tenho tentando achar uns atalhos na vida. Tenho tentado não pensar muito, e pode ser até que tenho me esforçado pra não amar tanto. Agora não estou certa se isso é um esforço mesmo, daqueles que nos deixa de língua de fora, ou se isso tem acontecido espontaneamente.
Ou, ainda, talvez eu não esteja escrevendo muito por pura preguiça. É, às vezes encontro explicações complicadíssimas e neuróticas, pra coisas que são simplesmente preguiça. Tem um psicanalista francês, Lacan, que diz que a depressão é uma covardia moral. Acho eu, que com isso, ele quis dizer que muitas vezes as pessoas deixam as coisas que querem pra lá, porque dá muito trabalho, e acabam fazendo o que acham que deviam querer, ao invés de fazerem o que realmente querem. Então agora tô achando que não tenho escrito por covardia, talvez. Vocês sabem, não sou uma pessoa muito decidida nas minhas opiniões. Olha eu aqui, divagando sobre uma coisa inútil, coisa que eu acabei de dizer que tenho tentado não fazer, buscando alguns atalhos.
Ou talvez ainda, a poesia me tenha sido roubada, furtada, ou fugido de mim. A linda Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”.
Ou, ainda, talvez eu tenha achado que escrever me tem sido inútil. Não tem servido muito. Não estou gostando nada, nada desse texto idiota, por exemplo.
Ou, talvez sejam todas essas coisas ao mesmo tempo. Porque mulher é um ser misturado. Onde vai, se mistura às coisas. Sempre escuto as mulheres dizerem “mergulho de cabeça nos meus relacionamentos” e fico achando que isso é mentira. Porque comigo acontece de sempre uma pontinha de mim ficar de fora, de qualquer coisa. E é essa pontinha que me salva. Por isso posso perder o emprego, o amor da minha vida ou qualquer coisa que eu sei que viu sobreviver. Vai doer, eu posso achar que vou morrer, e vou sentir tanta dor como só alguém que está vivo pode sentir. Mas no fim das contas eu vou abrir os olhos e me dar conta de que fiz tempestade em copo d’água, como é com tudo na minha vida. E eu só posso achar que a coisa não era tão difícil quanto parecia, depois que passou. Porque quando passa, aquilo que era uma pontinha que estava de fora, fica toda de fora. E eu me des-misturo. Até então, vou me misturando a tudo. Não sei se eu gosto disso porque sempre gostei, ou se gosto só porque o meu amado gosta. Há coisas que talvez eu não fizesse sozinha, mas que com meu amado vira a coisa mais interessante do mundo. Não sei de nada e é por isso que tenho evitado filosofias em excesso, elas não me ajudam a saber mais, elas apenas existem porque sou apaixonada por elas. Mas como todo relacionamento tem as suas crises, eu to numa crise com a escrita agora.
E se você leu essa porcaria de post até o final, te deixo um beijo de agradecimento.

17 comentários:

.:P:. disse...

Grato pelo beijo.

Aline Inaiza disse...

Sua escrita sendo tão sincera, tão em crise e sem máscara.. é o que me sempre faz querer ler as palavras em formas que só você sabe libertar.

Meus parabéns Alicia, poucos se arriscam como algo que li agora.

Acredite, eu também acabo agradecendo.

Anne Viturino disse...

Quem leu duas vezes, ganha dois beijos? hehehe
Difícil é não lê-la até o final. Quem resiste? [eis-me aqui quebrando minha regra de não fazer comentários e blá blá blá. Mais uma vez: quem resiste?]

Carinne Barbosa disse...

Parabéns, sabe escrever muito bem o que passa nessa sua cabeça maluca. Desculpando a ousadia, rs.
Outro beijo.

Sandro Ataliba disse...

Ou talvez nem seja nada disso. :)

Nanda Melo disse...

Te leio sempre até o final, odiando o ponto final dos seus textos. Enquanto escreve, é como se dialogasse comigo. Quem mais te lê é o meu eu de dentro. Seu blog fala comigo e ponto. Sem fim.

Luini Nerva disse...

Eu li até o final, então beijo pra ti tbm.

Homem disse...

Olá,
Li até o final por curiosidade, texto em devaneios, passam por uma coisa e por outra, sinto sua confusão, sinto a crise de filosofia, quando isso te dói e te faz pensar e pensar. "Pensar é perigoso", ouvi certa vez, mas "quem resiste" cutucar a casquinha do machucado?

Melhoras para seu relacionamento
Homem de 2indices

Sandra Botelho disse...

Nas entrelinhas apenas uma alma meio confusa e quem ainda não teve fases assim?
Bjos achocolatados

Luiza Nascimento disse...

É assim quando começa uma mudança na gente, o que nos servia como inspiração já não serve mais. Uma hora você se transforma de vez e encontra sua nova inspiração

Ferr disse...

Nossa, que belíssimo! Foi o seu melhor texto que li até agora...Disse que está em crise com a escrita? As crises são resolvidas sendo vividas,bem ou mal. No seu caso foi positivo, continue assim buscando presença em meio a ausência.

Sabrina Andrade disse...

Porque você é tão fantástica e original quando escreve?

*:
saahandradee.blogspot.com

Renata de Aragão Lopes disse...

Obrigada! : )

Outro beijo,
Doce de Lira

Camila disse...

Também me sinto assim, às vezes... Esse silêncio é bom ,também. Renovar forçar, reencontrar sua vontade em querer encontrar novos caminhos.
Espero que fique bem. Logo!

Nunca mais passei por aqui.
Sentia saudades da tua escrita.
Grande beijo, querida!

Verônica disse...

Lacan é demais!

e outro beijo pra vc, Alicia!
:D

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Concordo com o Lacan, concordo com a Adélia e com o seu belo texto. E o título ficou muito bonito também: a nossa ausência é que nos salva de nós mesmos..

Beijos, moça sumida

Carol Schuenck disse...

Eu tenho um blog, soa ruim falar assim "EU TENHO UM BLOG", não tenho blog algum, o blog me tem. Me tinha. Tem quando escrevo, ah você sabe, blogs. Voltando ao foco, sobre o blog... Blog vira parte nossa, a gente vira blog, é casamento mesmo, do tipo de comunhão de bens. O que eu quero dizer, e tento e tento e não consigo, é que quando a gente tem blog, quando a gente vira blog, a gente, pelo menos eu, fico com um sorriso de orelha a orelha quando alguém, não vale amigo que obrigo a ler, aparece do nada lá, falando que se identificou! Porque eu gosto quando me identifico com algum companheiro-blog e me sinto bem, e quero fazê-lo sentir bem também, como quando alguém já me fez. Não vamos falar de proporções, você tem vários destes por dia, eu tenho um destes leitores novos por ano, mas ainda assim é leitor, ainda assim é blog.
Talvez eu tenha problemas pra te dizer o quão maravilhada estou com você e com como escreve, com o quanto me identifico, então não sei dizer em poucas palavras, não sei dizer, como não sei muitas e quase todo o tempo quando sinto algo muito ASSIM, então, acho que adeus, não quero me alongar. Parabéns pelo blog (eu sei, fica feio e vazio assim, maaaaaaaaaas...)!