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domingo, 20 de novembro de 2011

Guarda a minha escrita



Você adormece e tudo o que eu quero é entrar nos seus sonhos.
Mas minha energia se conduz pra escrever. Escrever várias e diferentes coisas.
É o efeito do vinho, ou talvez a carência de efeitos dele.
Eu gosto disso, sabe?
Sei que às vezes você fica de saco cheio dessa nossa rotina, sei que às vezes eu reclamo muito, e você sempre faz de tudo pra que as coisas fiquem mais leves pra mim...
Mas eu gosto disso.
Você dorme. Ronca, na verdade.
Mas guarda a minha escrita.
Sou eu quem deveria guardar o seu sono. Talvez eu o faça. Mas estou mulherzinha demais pra reconhecer isso agora.
Mas você guarda a minha escrita. Dormindo ou acordado, você faz isso.
Dormindo, porque sei que posso te acordar a qualquer momento, e você rapidamente me salva de qualquer monstro que possa vir a me atormentar.
Acordado, porque eu só posso escrever nesse intervalo que há entre mim e você.
Te quero colado em mim, e se dependesse apenas de mim, eu te engoliria e seríamos um corpo só, sim.
Mas graças a deus que você tem bom-senso (ou tem medo de mim, que diferença faz?) e não permite que sejamos um corpo só. Porque assim podemos brincar de colar e descolar, e porque assim, eu consigo inventar.
Porque eu só amo aquilo que eu invento.
Então eu nem sei se você existe...

14 comentários:

Flá Costa* disse...

Uau q show de texto! Sei bem como é amar tanto a ponto de querer ser só um. Ainda bem q eles sempre nos trazem a sanidade! Rs.

Danelize Gomes disse...

Profundidade mode on, com ou sem efeito de vinho.
'porque assim podemos brincar de colar e descolar, e porque assim, eu consigo inventar'
Inventamos o que nos convém, amamos o que nos convém, mas às vezes não nos damos de conto do quanto mal isso nos causa.
Adorei teu texto, não toda linda.

Sabryna Gonçalves disse...

Nem sei o que comentar diante de tamanha profundida...
Simplesmente lindo.
Beijos querida

Carina B. disse...

Porque se dois são um só, ou duas metades que se completam, esse um, inteiro, formado, vive na solidão.

Viva os dois que juntos continuam sendo dois, e assim podem ser tantas coisas mais.

Adorei!

Ingrid disse...

via de duas mãos... amar..
lindo post Alicia..
beijos..

Giovanna Cóppola disse...

Você entra nos sonhos de qualquer um com a sua escrita. Aliás, é bom que vocês não sejam uma pessoa só, pois como você disse, não daria para brincar de grudar e desgrudar, e há uma imensidão de boas sensações nisso. :)

Jhenyffer Andrade disse...

Juro que me apaixonei pelo que escreveu, parecia real.
Abraços. te sigo.

Etiene disse...

"Te quero colado em mim, e se dependesse apenas de mim, eu te engoliria e seríamos um corpo só ..."

Ai ai, pensamento vai longe, adorei o texto

Multiethnic disse...

E tudo que eu invento é tão lindo e inevitavelmente amável.

Sandro Ataliba disse...

Se te faz tão bem, existe, nem que seja só para você. :)

Lívia Azzi disse...

Que saudades, Alicia!

Como você,colada ou descolada, só sei amar invenções.

Maíra Cintra disse...

Olá Alicia... acabei de descobrir seu blog e estou te seguindo, não sei porque não apareci nos seguidores ainda mas eu estou te seguindo..rs Vc escreve muito bem, parabéns. gostaria que conhecesse meu blog mairacintra.blogspot.com
conto com a sua visita! Beijos

Anônimo disse...

Existe um problema ai. É quando a segurança se torna conformismo. E quando isso acontece o pior que pode acontecer é secar sua fonte...

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Nesse mundo em que as mulheres fogem de forma tão estranha de sua feminilidade, ler os seus textos é entrar em contato com algo que resiste. E que fique bem claro, trata-se de algo raro, o feminino em estado de sublimação (papo de obsessivo, enfim, mas é por aí..)