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sábado, 24 de setembro de 2011

Eu não sei se eu sei ser feliz sem você



Acho uma droga o quanto a minha felicidade parece depender da sua. Não posso ficar totalmente bem se você não estiver.
Acho uma droga o quanto a minha felicidade independe da sua. Porque de vez em quando, você é puro mau-humor e eu sou um pedacinho de paz no mundo. Não tá errado isso?
Pois eis que eu não sei. E parte da minha guerra interior tá desenhada aí. Posso eu ser feliz sozinha? Saiam daqui, otimistas! Não quero ouvir essa porra desse clichê de que todo mundo tem que ser feliz sozinho, ou de que temos que estar bem sozinhos primeiro para depois estar bem com o outro, ou de que só é amado quem ama mais a si mesmo. Isso é puro blá-blá-blá. Lindo e óbvio de ser dito. Mas quando é experienciado, o clichê se derrete, me congela inteira, e se transforma em pura avalanche.
Não, eu não sei se eu sei ser feliz sem você. Isso que eu não estou nem considerando o fato de um dia você ir embora, ou eu me cansar...nada. Digo apenas de momentos. Me refiro a esses instantes que vivem acontecendo, quando escapamos um do outro. Das manhãs em que você acorda cantando quando eu queria que o satélite da NASA caísse aqui em casa. Das noites de domingo em que fico eufórica e animada, enquanto você confessa sileciosamente toda a sua dor de existir ao universo. Naqueles momentos em que quero discutir teorias filosóficas, e você quer assistir a porcaria do Pânico na Tevê. Das minhas paranóias de achar que você não me ama de 5 em 5 minutos, e tentar disfarçar a minha loucura com silêncios floreados. Das suas paranóias de achar que não falo o suficiente, e deixar tudo o que você pensa, irritantemente óbvio pra mim.
E, subitamente, quando me dou conta, estamos numa sintonia doída. Você diz de um assunto pelo qual eu não tenho o mínimo interesse, mas acho lindo que você saiba aquilo. De repente, você faz um comentário diabeticamente doce fazendo referência ao nosso futuro. Quase enfarto quando sem-querer, me dá um sorriso sexy, de quem enxerga a minha alma e lê os meus pensamentos.
Aí, mas nem era disso que eu queria falar. Eu tava perguntando se era justo eu ser feliz sozinha...e eu não sei se há uma resposta definitiva. Mas ao que me parece agora... Claro que é, porque às vezes estamos juntos, emaranhados um no outro, e às vezes caminhamos sozinhos, lado a lado. Porque você me entorpece, e eu preciso respirar. Porque sei que você também precisa respirar, e eu tenho uma tendência bonita e agressiva de te deixar asmático.

15 comentários:

Ana C. disse...

ainda não li...
mas só pra testa no comentário :)

Ingrid disse...

concordo ..
beijos perfumados..

Brunna N. disse...

Eu nunca sei o que comentar, sabe
Mas posso dizer que sou tomada pelas suas palavras e fico encantada, Alicia.
Agradeço, por sempre falar comigo dessa forma.. :}

M. disse...

Bom texto. Não saber é inerente. Uma constante busca é a nossa vida...

Carina B. disse...

Morri de rir com o "Saiam daqui, otimistas!" Muito bom, rs. E adoro esses seus textos "pensativos", buscando respostas pra essas questões que nunca tem resposta definitiva, mas continuamos buscando-as.
E mais pro final do texto me lembrei que certa vez escrevi: Amar é (con)fundir solidões. E talvez seja (con)fundir felicidades também.

Jeferson Cardoso disse...

Bem, entendo, e já que mencionou e ofereceu oportunidade a quem queira opinar: desculpe o otimismo, mas acredito ser algo muito bom se bastar para ser feliz, estar feliz independente do outro, ou mesmo dos outros

Obs. Não vi o seu comentário amigo em meu blog “º~º” HTTP://jefhcardoso.blogspot.com/

Claudio! disse...

Antes de mais nada. Dei uma boa risada com essa cobrancinha do Jeferson....

Agora posso começar...
Li e me achei durante trechos, na rotina que eu tinha enquanto casado. E digo mais, não soube dar o devido valor. Achava que sempre poderia ter mais, e não percebi o tanto que tinha. Isso é triste e cruel ao mesmo tempo. Mas como ouvi hoje: São nos erros que aprendemos. Fato. Sei o que procurar agora, sei ate onde procurar. E por ter essa noção estou pouco a pouco caindo em mim.

Voce é sensata, sabe que são momentos, que são rompantes. No fim do dia, quando deita ao lado dele é que tem certeza. Fecha os olhos e cantarola: Aqui éééé, o meu lugar!

Saudade dessas sensações, assumo....
Beijo!

Ayanne Sobral disse...

Esse texto só poderia ser escrito por você, Alicia. Porque só falando com ela eu leio uma poesia agridoce embebida assim:

"E, subitamente, quando me dou conta, estamos numa sintonia doída".
"De repente, você faz um comentário diabeticamente doce fazendo referência ao nosso futuro".

Seu lirismo tem uma polidez particular. A tua poesia cotidiana, quase despretensiosa, sussurra amor. E ele escorre em todas as linhas.

O resultado? Um texto, assim. Teu.
Com-fusão de felicidades. De almas.

Ayanne Sobral disse...

"Pois se é no não que se descobre de verdade
O que te sobra além das coisas casuais
Me diz se assim está em paz?
Achando que sofrer é amar demais"

[Tá bom - Los Hermanos]

Sei lá, mas na minha cabeça essa música parece ter sido feita pra ser trilha sonora do seu texto. Eu pude ouvi-la, enquanto te lia.

Meu beijo, superquerida.
:)

Talita Prates disse...

sempre um louco amor louco...

Beijo!

Marcelo Moro disse...

é forte, tem presença, não tem lugar pra aquele lenga lenga que a gente ta costumado a ler por aí, Li de uma respirada só, até o fim quase fiquei asmático, rs , muito , muito bom

Andressa C. disse...

org.asmático, ler.

Camila Lourenço disse...

Preciso me lembrar mais vezes de ñ me privar de te ler.
Ô coisa gostosa!

Amei!!


Bjo

Simone Huck disse...

O que a gente tem que fazer quando lê algo que é EXATAMENTE o que sentimos e o que gostaríamos de ter ESCRITO?
Me dá uma resposta?

Eu simplesmente AMEI cada vírgula, cada respiro das suas palavras.
E concordo: fodam-se os que acham que é melhor viver sozinho para se viver bem junto. Cansada disso.

Um beijo admirado,

Ivan disse...

Quando se vive colado não sobra espaço pro amor. É necessário um vão para o amor se acomodar.
Abraço