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quinta-feira, 3 de março de 2011

Real, Imaginário e Simbólico


Eu sou chorona. Isto é, as vezes choro, mesmo não concordando com as minhas lágrimas. O que quer dizer que o meu corpo chora, a minha alma se entristece, mas meu intelectual mantém-se preservado. Não vejo pra que chorar.
Mas acontece que sou três. Mente, corpo, alma. E as-vezes-quase-sempre, nada coincide. Daí sinto angústia, ou escrevo, ou enlouqueço, secretamente.
E as-vezes-raramente, essas “eus”, se encontram. É quando sou feliz. Quando há encontro corpo-alma-mente.
Não gosto da palavra “mente” porque me remete a mentira. Estaria eu, aqui, mentindo? Ou será que é a minha mente que mente pra mim? É. Acontece que eu sou desconfiada. Não com os outros, porque acredito bem fácil. Ou não acredito, mas também não ligo. Mas a desconfiança da qual falo aqui é da desconfiança de mim mesma. Sou paranóica comigo. Mas tudo secretamente e sem fazer barulho, que é para não assustar as pessoas que estão à minha volta.
Falar em volta, volta e meia recebo comentários de incentivo pra mim, que a vida é bonita, que o amor é legal e blábláblá. Gente, é sério. Eu gosto de viver. As coisas que escrevo aqui me angustiam, sim, é verdade. Mas a angústia é coisa da qual me alimento. Preciso dela pra viver, e isso não me parece ser de todo mal.
E é só porque sou tripartida, que escrevo. Ou, é só porque sou tripartida, que escrevemos. Mente, corpo e alma. Todas nós.

29 comentários:

Andressa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
** disse...

E vc escreve muito bem. Com ou sem angústia.
Meus amigos costumam dizer que eu sou bem assim, do jeito que vc descreve no texto...
Um dia, uma amiga disse que este trecho é a minha cara:

"Tem que ter drama.
Se não tiver drama, eu faço acontecer o drama. Por isso deve ser tão difícil conviver comigo, quem sabe?
Pra mim, quanto mais dramático, mais bonito."

(Rodrigo Tavares)

Um beijo =*

Ingrid disse...

temos momentos, eles devem ser vividos para que nos conheçamos melhor..
escrevendo, pensando, ou simplesmente chorando..
beijos Alicia.

Camila Fontenele disse...

Porque dentro de toda angustia há um desabafo em forma de letra, por pra fora é como viver de novo.

Beijo ;*

Í.ta** disse...

"tudo é uma questão de manter
a mente quieta
a espinha ereta
e o coração tranquilo".

Luana disse...

ai ai ai mas vc tb é uma poeta de mão cheia e caneta vazia, de tanta beleza que escreve.

Cristal disse...

Nada que vem da alma é de todo mau e de todo bom....

Mas é essencial...


Beijos querida...


Ani

Cristal disse...

Nada que vem da alma é de todo mau e de todo bom....

Mas é essencial...


Beijos querida...


Ani

Lívia Azzi disse...

De novo eu vi um espelho aqui.

R.B.Côvo disse...

Gostei muito desse seu texto. Dos melhores e mais honestos que tenho visto por aqui. Abraço.

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Belo des-fecho. Acho, em minha humilde suma de não-eus sintetizados num 'eu' postiço (parafraseando Pessoa), que a questão está no verbo 'ser', esse mentiroso equivocado..

Carina B. disse...

Já dizia Lacan, "A angústia é sinal do desejo."
;)

Betha Mendes disse...

autoconhecimento...
nem sempre queremos isso, mas é inevitável! desejos, medos, angústias, partidas... nossos "eus", e nossos mundos!

Bj

Betha

Vilmar Barros de Oliveira disse...

É isso mesmo Alicia!
"viver é afinar o instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro,
a toda hora, a todo momento".

Vivian disse...

Bom dia,Alicia!!

Somos todos um pouco complexos...
Se assim não fosse seria muito fácil...
E a facilidade não motiva ninguém...
Ótimo seu texto!!
*Te ofereço o selo Blog de Ouro.
Está neste link:
salablogfloreselivros.blogspot.com
Beijos
Bom final de semana!!

IsaBele disse...

Acho que ao poeta é essencial alguma angústia. Dificilmente são escritos textos belíssimos, como este, em momentos de grande euforia. Há algo de belo na tristeza, que é inerente aos poetas, mas que não seja só ela.

Grande beijo, linda!

Paulo Becare Henrique disse...

Nossa, sério que tem gente pensando que você não gosta de viver ou que é uma pessoa triste/depressiva/infeliz?

Uai (não repare, ando adotando involuntariamente uns "mineirismos"... rs), eu pensei que estivesse claro para todos que é da angústia que você (e isso é tarefa de cada ser humano) tira a seiva que sustém a vida.

Essas pessoas precisam ler o que Freud disse (não me lembro o lugar e as palavras exatas) sobre sair do sofrimento neurótico em direção à miséria da vida real.

Fernanda Hauptmann disse...

Eu acho que te entendo o que você disse. Acho que sou muito parecida com você, embora ninguém realmente se pareça com ninguém.

dreams, wars and teens disse...

achoo que você falou foi de mim nesse texto kk' liindo o texto flor,bom carnaval bj

Teresinha Oliveira disse...

Todos somos assim. Meio alegres, meio tristes, meio neuróticos, meio sãos...Continuemos dormindo, acordando e tentando ser quase felizes.

Leo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leo disse...

Leo disse...
Eu me vi muito aqui, neste post...
mas a dor maior e que mais me aprisiona é quando a alma entristece, a sorte, como tu disse, é que o intelecto continua preservado.

Beijos.

Vanessa Souza Moraes disse...

Tantas em uma só.

Papagaio Mudo disse...

você e seus múltiplos?
você e você(s)

abraço(s)

Gus

Tati Lemos disse...

tão lindo quando nossos eus se encontram, mas que a vida, alma e tudo que há seja sempre feliz, nunca deixe a tristeza e a angustia tomem conta!

Beijo

Verô. disse...

Sim, por isso que digo: " O EU em NÓS".

Julliany kotona disse...

Tbm sou chorona querida mas oq ue mas me doi não são as lagrimas dos meus olhos são as lagrimas da alma =/ eiiiiteadoro bjks.

coisasdelouco disse...

Olá...

Sim... "Mas, a angústia é coisa da qual me alimento" (e me atrevo: alimentamo-nos; eu também!) Costumo dizer: Deixem-me ser feliz com minha tristeza... É algo parecido.

Adorei a forma clara com que escreve.

Beijocas-fãs

Andressa disse...

Mente o corpo à alma.