O meu mundo existe quando sinto os seus lábios, por mim arderem.
E num calafrio, sinto as minhas células, uma a uma se perderem.
É nesse momento que eu mais me sinto segura: quando estou sem chão.
Foge de mim toda a ternura, e ou pura pura pulsão.
Pois eu moro no ar, e veja, nem sou borboleta.
E este ardor nada tem a ver com te amar. O que para mim, é uma faceta.
Diante disso te pergunto: Seus lábios ardem mesmo por mim ou esta sensação é o meu puro reflexo?
E ao encontrar os teus lábios, o meu mundo acaba? Ou esta sensação não tem nexo?
Meus lábios queimam sempre, desejando a aproximação dos teus.
Num arrepio que me deixa doente, ardo em febre, beirando um adeus.
Esta ardência... fisicamente tão pura, mas materialmente tão subjetiva...
Quando se presentifica é como uma lança, que me perfura, e minh’alma ativa.
E é nesse instante, que é eterno, que interpreto estar sendo correspondida.
Minha alma carrega consigo um inferno. Seu desejo me salva da minha vida.
Aí, eu te imploro: esclareça-me, meu amor: você me deseja ou esta é a minha loucura?
Se for desejo, deixe que apareça, por favor. Eu o personifico, não o deixarei ser apenas rasura!




