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quinta-feira, 10 de março de 2011

Menina, mulher. Qual é a diferença?




- Me dá parabéns.
- Por que?
- Porque hoje é dia da mulher.
- Mas você não é uma mulher.
- O que é que eu sou, então?
- Você é uma menininha. Uma menininha chata.
Silêncio
- Parabéns (smack).

Pois é, menina, mulher. Qual é a diferença? Quando se é adolescente, acha-se que a diferença é o corpo, a possibilidade de procriação, a menarca. Aí acontece que aparece o tal do sangue mensal, e... Nada muda. Continua-se sendo uma menininha. Depois pensa-se que se vai ser mulher quando entrar na faculdade, quando sair da faculdade, quando começar a trabalhar, quando mudar de emprego, quando ganhar melhor, quando trabalhar na área, quando puser prótese de silicone, quando começar a análise, quando terminar a análise, quando pintar o cabelo, quando namorar, quando casar, quando separar...ai, posso eternamente citar verbos e exemplos aqui.

Enquanto isso, durante esta busca, se é uma menininha. Chata. Desengonçada. Magrela. Gorda. Errada. Faltante. Falante. Tagarela. Como funciona isso? Como faço aquilo? Que botão devo apertar? Você me ama?
Menininhas enchem os sacos alheios, pedindo-lhes palavras. Pedindo-lhes olhos, ouvidos, corações. Reivindicando seus espaços, seus afetos, suas atenções.

Desengonçadas física e afetivamente, se metem em saltos altos e palavras difíceis, convencem a todos de que são inabaláveis. A quase todos, pois não a si mesmas. Sabem que em qualquer paralelepípedo, podem ter os saltos quebrados. Sabem que a qualquer lombada da vida, têm os seus corações partidos. Sabem que toda dor que há, sentem-nas elevadas ao cubo, no mínimo. Sabem que dois mais dois são quatro, mas fazem virar três, cinco, ou mil. Porque sabem das coisas que são da ordem ilógica, são da lógica da desordem. Amedrontam os homens, apaixonam os homens. E aí, o tal do ser mulher não chega, a graça está na busca, está no caminho que se trilha. Sábio é aquele que sabe disso. Que no fundo, toda mulher é uma menininha chata.

domingo, 6 de março de 2011

É. Carnaval pode ser muito legal. (A rima é banal. E daí?)



Tem vários tipos de "gentes". Gente legal, gente chata, gente inconveniente.

Tem aquelas pessoas que estão sempre felizes, ou parecem estar, ou parecem querer mostrar que estão. São insuportáveis. Odeio quem acorda de bom-humor, odeio quem sorri na segunda-feira. Odeio quem dá bom dia pra deus e o mundo. Odeio quem se contenta com pouco. (E a vida me é pouco). Odeio quem gosta da vida todos os dias.

Tem aquelas pessoas que estão sempre infelizes, e que fazem questão de mostrar isso. Você pergunta se tá tudo bem, e isso é por educação, e elas disparam a contar as misérias de suas vidas. Acreditam na felicidade alheia e por isso se acham dolorosamente injustiçadas por não terem suas gramas tão verdes quanto as dos vizinhos, que as pintam. Gente assim é muito séria e quer te convencer que sofre mais do que você. Não gosto de quem quer me convencer de que sofre mais do que eu. Nem de gente que quer me convencer de que é mais feliz do que eu.

Porque o que eu gosto, é de gente despropositada. De gente que é engraçada sem-querer, é trágica por acaso. De gente que fala como quem não quer nada. De gente que não quer nada. Simplesmente existe, simplesmente está ali, e simplesmente conquista. A gente sabe que simplicidade é coisa que dá um trabalho imenso. Até pra se vestir. Aquelas mulheres cheias de penduricalhos são horríveis. As de tom pastel também. Mas elegância é uma coisa que não se ensina e nem se aprende. Do mesmo jeito que acontece elegância com as roupas, acontece elegância com modos de viver.

Aí chega o carnaval. Gente que tem que mostrar que é feliz, que é bonita, que é mascarada e se diverte "horrores". Ou, então, aí chega o carnaval. Gente que quer mostrar que é inteligente, cult, intelectual e que odeia carnaval.

Pois o que eu odeio, são os extremos. Eu até gosto de carnaval. Odeio pagode, odeio funk, odeio escola de samba e odeio ratos de academia. (uau, estou espantada com a quantidade de coisas que odeio) Mas carnaval é um feriado longo. Dá pra viajar com os amigos, beber, rir, estudar. Adoro ter tempo. É verdade, eu sempre tenho, ou sempre deveria ter. Mas as coisas chatas da vida nos consomem demais. Ou, nós consumimos em excesso as coisas chatas da vida. E carnaval é isso. É tempo. De nada. Simples assim.

Me dá mais uma cerveja.


Imagem: deviantart

quinta-feira, 3 de março de 2011

Real, Imaginário e Simbólico


Eu sou chorona. Isto é, as vezes choro, mesmo não concordando com as minhas lágrimas. O que quer dizer que o meu corpo chora, a minha alma se entristece, mas meu intelectual mantém-se preservado. Não vejo pra que chorar.
Mas acontece que sou três. Mente, corpo, alma. E as-vezes-quase-sempre, nada coincide. Daí sinto angústia, ou escrevo, ou enlouqueço, secretamente.
E as-vezes-raramente, essas “eus”, se encontram. É quando sou feliz. Quando há encontro corpo-alma-mente.
Não gosto da palavra “mente” porque me remete a mentira. Estaria eu, aqui, mentindo? Ou será que é a minha mente que mente pra mim? É. Acontece que eu sou desconfiada. Não com os outros, porque acredito bem fácil. Ou não acredito, mas também não ligo. Mas a desconfiança da qual falo aqui é da desconfiança de mim mesma. Sou paranóica comigo. Mas tudo secretamente e sem fazer barulho, que é para não assustar as pessoas que estão à minha volta.
Falar em volta, volta e meia recebo comentários de incentivo pra mim, que a vida é bonita, que o amor é legal e blábláblá. Gente, é sério. Eu gosto de viver. As coisas que escrevo aqui me angustiam, sim, é verdade. Mas a angústia é coisa da qual me alimento. Preciso dela pra viver, e isso não me parece ser de todo mal.
E é só porque sou tripartida, que escrevo. Ou, é só porque sou tripartida, que escrevemos. Mente, corpo e alma. Todas nós.

terça-feira, 1 de março de 2011

Prisão


Me assusto de repente
Percebo que dormi e acordei
Estou presa em uma mente
E num corpo, que eu nem sei


Por um momento sinto
Tenho dedos nas mãos
É um instante lindo
Tentar fugir é em vão


Porque meu corpo é minha prisão
Dele não posso sair
Me prende, me dá a ilusão
De que a minha alma não pode cair


Mas e se eu despencar?
Talvez eu perca o meu mundo.
E se a minha alma não mais acordar?
Meu corpo estará junto?


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O amor me salva, apesar do horror




Rotina é coisa que me prende
Seu amor, é para mim, um escape
Se não é isso, fico doente
Deixando que a vida me mate

E então é o seu amor
Ou o amor do qual eu falo é o meu?
O amor me salva, apesar do horror
De ficar presa para sempre nos olhos teus

O meu horror é o meu desejo
Pois bem que eu queria ficar presa nos teus verdes
No entanto, por isso eu não almejo
És minha libertação, e não minhas paredes.