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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quero comer um pedaço da sua alma




Eu te amo de um jeito estranho. Isso não é novidade. Você me dá uma certa fome, que comida nenhuma resolve. Quero comer um pedaço da sua alma com um gole de amor puro. Embebedar-me da tua existência e esquecer da minha. Olha, isso soa muito louco. E talvez seja mesmo. Sei que às vezes você se assusta comigo. Sei que às vezes você e a sua alma se esquivam de mim. Sei que o meu amor é puro exagero e que eu sou desengonçada com isso.

É que parece que tudo aqui dentro de mim é desproporcional. Tenho um corpo até pequeno, na realidade. Mas às vezes ele é tão grande... fico voando aqui dentro. Outras vezes ele é tão apertado... fico claustrofóbica comigo. E ainda tem a alma. Quando estou bem, nem a sinto. Acho que ela se cala, ou se adapta ao tamanho real do meu corpo. Ou, ainda, sou apenas eu que deixo de prestar atenção nela. Mas na maior parte do tempo eu não estou bem. Vamos lá, não se ofenda. Sou incrivelmente feliz ao seu lado. Mas você sabe, né?  Tenho essa minha insatisfação – é de estimação, por favor, não a tire de mim! – constante. Não é um sofrimento, é um querer que não se cala. Pois bem, é esse querer tagarela que faz com que eu tenha quase que constantemente a sensação de que algo está muito esquisito aqui comigo.

Ora a alma voa, ora a alma pula, ora a alma some. Ora o corpo pesa, ora ele parece nem existir, ora dói. E assim corpo e alma se flertam e se escapam quase todo o tempo. E eu, que nem sei se sou mais corpo ou mais alma, fico aqui, vítima deles. É quase um bullying o que eles fazem comigo. Ah, mas que tendência tenho eu a me vitimizar! Logo eu, que tanto gosto dessa brincadeira que corpo e alma fazem. Logo eu, que adoro ficar em cima do muro! E aí vem você, me cobra posicionamentos diante da vida, me lembra que existe uma realidade e me convoca a olhar ao meu redor. Ufa! Porque se não fosse assim, talvez eu me ensimesmasse a tal ponto, que nunca mais voltasse.

Tenho uma tendência autista, um amor pelas coisas que não se explicam, um apego pela falta de sentido. E todos os dias você me salva de mim mesma. Obrigada. Por tudo. Inclusive por não deixar que eu me alimente da sua alma.

17 comentários:

Moyra Guerra disse...

parabéns... tu escreve muito!
adorei o texto, me identifiquei tanto.

anavu disse...

Me fez sorrir. :)

Andressa disse...

Ora a alma voa, ora a alma pula, ora a alma some... O amor parece sem direção, apesar de estar bem direcionado.

E sobre esquecer nossa existência no outro... Às vezes nem queremos esquecer, é que no corpo de quem amamos nos vestimos melhor. Gostamos do que vemos. :)

Danelize Gomes disse...

Ora, ora, ora Alicia... Porque tão perfeita?
Tu já percebeste que todos os teus textos estão me ajudando?
Sei lá, é como se o que se passasse aí, passasse da mesma forma e com a mesma intensidade aqui.
Tenho tanta ânsia em me alimentar da alma dele. Tenho tanta ânsia de mergulhar no corpo dele, mas sempre ele me puxa para a realidade e me faz ver que essa minha "esquisitice" é costume de Danelize mesmo.
às vezes, me sinto presa ao meu corpo, às vezes me sinto fora da minha alma, mas quando tudo está em ordem, esqueço-os. Trágico,sei.
Enfim, me identifiquei demais com teu texto, sua perfeição feminina!

Ayanne Sobral disse...

Lindo. Show. Foda.
Como sempre!

[mas isso ainda é muito pouco!]

Ayanne Sobral disse...

Voltar aqui é se apaixonar de novo pelas tuas palavras, pelo teu jeito único de falar de forma tão ampla e, ao mesmo tempo, só seu. Fiquei torcendo para que esse texto não acabasse nunca, eu poderia ficar uma vida, duas, três vidas e meia te lendo [e, assim, me vendo]. O problema é que em algum momento tenho/preciso voltar para a falta de sentido, para o meu corpo apertado e minha insatisfação constante, causa e efeito de um querer que não cessa nunca. Com uma diferença - e alívio, porém: eu tenho uma alma irmã por aí [aí, em Curitiba], que sabe descrever exatamente o que sinto, e isso alivia tanta, mas tanta coisa. Além de ser lindo.

Obrigada. Obrigada por me permitir te ler e te sentir e, assim, sentir também um tantão de mim.

A b e l disse...

É preciso chão às nuvens para horizonte.

Lindo texto.
Te seguindo no twitter.
Abçs!

Camila Márcia disse...

Uau...

"Ora a alma voa, ora a alma pula, ora a alma some. Ora o corpo pesa, ora ele parece nem existir, ora dói."

Simplesmente perfect....
Repassou bem as situações voluveis que todas as pessoas cedo ou tarde passam....


Bjs.

k. sαmαnthα disse...

Nossa. rs'
Me identifiquei bastante com o texto.
É mais ou menos isso que tô sentindo tbm! ^^
Adorei!

beeijoca ;*
http://changesl.blogspot.com/

Cláudia Nascimento M. disse...

O amor é lindo!!

Flá Costa * disse...

como sempre você arrasando nos textos!
mara!

NDORETTO disse...

Aquela história: Que Deus te livre de mim!....rsrsrsr.....Uau....

Beijos
Neusa

Cafundó disse...

Ensimesmada deve ser o êxtase.
Demais!

Flávia Garcia disse...

"...E assim corpo e alma se flertam e se escapam quase todo o tempo. E eu, que nem sei se sou mais corpo ou mais alma, fico aqui, vítima deles..."
Bingo!!! Diagnosticaste o meu problema!!!

Aline disse...

o amor e sua voracidade, sua inquietude nos deixando sempre a merce de nós mesmos.

LuH disse...

E quantas fomes terei para que saibas que nenhuma delas me foi satisfeita?

Lindo, lindo...

E que sempre haja fome!

Lívia Azzi disse...

O amor e a fome têm seus sincronismos. Mantê-los acesos também é um modo de salvação...