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sábado, 10 de setembro de 2011

É tudo bem estranho. Beeeem estranho.

É tudo bem estranho.
Me divirto com você.
Mas não to a fim de te fazer MAIS UMA declaração de amor. Já tem muitas.
É, nem tem mais graça.
O fato é que assim, sendo, nada tenho a dizer.
E fico muito brava comigo. Quer dizer, que, prestenção, se eu não vou dizer do meu amor por você, nada mais tenho a dizer?
É.
Vai se foder. (de mim para mim).
Acho muito legal amar. Ser amada. Enlouquecer de amor.
Sei lá se eu existiria se não te amasse.
Me dói, sabia?
Você pode achar que amor é coisa boa e tal, mas me dói. E não é metáfora, é dor mesmo. Arde o peito, falta o ar.
E se eu não vou falar de amor, dói também, sabia? Fico vazia, balançando que nem balão de gás hélio. Pra lá e pra cá sem direção.
Me dá um beijo no coração. Ou some da minha vida.
Te amar dói, fingir que não te amo, dói de um jeito insuportável.
Quero você pra sempre, mesmo que seja por dois minutos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Não escrever é resistência




Pois é. Estou numa fase crítica. Tenho estado vazia e sem inspiração. Talvez eu esteja trabalhando demais, o que me deixa demasiadamente sóbria. (Silêncio) Caramba, como eu sei ser hipócrita. E desde quando o trabalho nos deixa sóbrios? Ainda mais eu, que trabalho com pessoas. Pessoas foram feitas pra nos enlouquecer, e não pra nos equilibrar! Talvez, na verdade, eu nem esteja vazia. Talvez esteja é transbordando. E por transbordar, faço um bico, assobio e finjo que está tudo bem, que não é comigo. Sim, eu sei assobiar. Nem todo bico que eu faço é pra fazer manha.
Hunf. Às vezes fico puta como me deixo influenciar pelas coisas que você diz. Eu nem me acho manhosa, e cá estou aqui, me justificando pra você. Na verdade, assim, lá no fundo mesmo, eu sou manhosa. Muito manhosa. Demais da conta. Mas, benzinho, você não me agüentaria um dia sequer, caso eu fosse tudo o que eu tenho vontade de ser. Aliás, acho que eu mesma, vomitaria de me ver sendo o que sou. Então, aos seus olhos, eu não devia ser manhosa.
Poxa vida! Olha a batalha em que eu vivo. Fico lutando todo o tempo comigo. Sou ferida aberta sangrando como uma hemofílica e finjo ser toda cicatriz. Me disfarço de tatuagem, essa coisa bonita com um leve alto relevo. Tá aí: tatuagem. Era isso que eu queria ser pra você. Uma coisa que te fizesse companhia sempre, da qual você se orgulhasse e nem pensasse em se livrar. Mas o que eu quero é sempre querendo-não-querer. Assim, faça-me o favor de não realizar todos os meus desejos, pois é neles que eu respiro.

sábado, 3 de setembro de 2011

Há algo em mim que grita quando silencia




É comum eu me queixar do seu silêncio, da sua mesquinharia com as palavras e com os versos que se fazem de letras.
Mas ultimamente eu é que tenho me calado. Não sei por quê. Poderia dizer que é o reflexo do seu silêncio, mas isso seria pura hipocrisia minha. Não, a minha atitude não depende da sua. Amar é apesar de, e não porque. E eu te amo apesar de você ser você. E quero ser amada apesar de ser eu mesma.
Pois bem. Do que é que se trata esse silêncio meu? Veja só, que você sequer se queixou do meu silêncio. Porque ele talvez nem exista para você; mas em mim, grita.
Esse silêncio, tão meu, me berra coisas incompreensíveis. Trata-se de uma série de vogais, numa miséria de consoantes e de pouca expressão facial. Trata-se de um silêncio angustiante, por ser pouco compreensível.
Há algo em mim que me cala, enquanto grita. E eu não sei o que é. Há algo em mim que me grita enquanto eu calo. Talvez seja um mini-surto. Porque vc sabe, né. Tenho vários mini-surtos. Quer saber? Você não sabe. Não tem a menor idéia. Tenho crises existenciais gravíssimas, da qual você mal tem notícias. E não é porque eu sou ensimesmada, autista (como você adora dizer que sou), ou egoísta. É simplesmente porque decido te poupar de parte das minhas loucuras. Você não agüentaria. Ou, eu é que não agüentaria me enxergar enlouquecendo diante dos seus olhos.
E depois tudo isso passa. Em um mês, ou em um segundo... O tempo é meu amigo e sempre me surpreende.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Me esborracho por te amar




Eu estava ali, encantada com a sua capacidade de me despertar taquicardias secretas. Abismada diante da nítida sensação de que você leria os meus pensamentos. Eu te amo, eu pensava. Mentira, amo não. Também eu pensava, logo em seguida, para te despistar de toda a minha queda por você. Eu me apaixonei muito rápido e fiquei torcendo para que você correspondesse, minimamente. E você correspondeu mais do que eu achei que seria possível. Você me amou do mesmo jeito que o meu sonho mais ambicioso tinha sonhado. E aliviada, eu pisquei. Aliviada, respirei bem fundo, ufa. E assim que abri os olhos me vi aqui. Toda inserida numa rotina ao seu lado. Dividindo as contas e as tarefas da casa com você. Dividindo o meu sono e os meus sonhos com você. Testemunhando a sua existência, e querendo que você compartilhe cada pedaço do meu corpo comigo. Puta que o pariu, nem nos meus sonhos de menina mais ousados eu achei que seria possível ter alguém como você do meu lado. É claro que vezenquando ou vezemsempre você muito me irrita e eu tenho vontade de me deliciar te enforcando com as minhas próprias mãos. É claro que uma duas vezes por dia eu te fuzilo com o meu olhar. É claro que muitas vezes tudo é escuro. E é óbvio que nem tudo são flores. E eu nem sei dizer quando é que eu mais te amo. Se é quando você me conta uma coisa muito inútil, mas que eu acho lindo que você saiba, se é quando você me diz uma coisa sem cabimento e eu tenho vontade de te dar um tiro na testa, ou se é quando você, de repente, me dá uma olhada charmosa e cheia de não-intenções. Talvez seja o tempo todo. Me derreto por você. Às vezes me odeio por ser tão fragilizada a ponto de me esborrachar no chão por qualquer palavra sua, mas de nada adianta. Já estou ali, toda desmontada diante da sua existência. Eu nem sei por que é que estou escrevendo isso tudo. Talvez seja para agradecer ao Papai-do-céu. Obrigada, porque você é de verdade.

domingo, 21 de agosto de 2011

O amor é ridículo




Tá tudo errado. Não era pra ser assim. Não era pra eu te amar desse jeito desproporcional. Eu devia ter um amor do tamanho do meu corpo, e não do tamanho da minha alma.

Não era pra eu ter um amor doído. Acreditei que amor era bom e que fazia as pessoas felizes. Descobri com você que amar é maravilhoso – ou é um inferno. Dizem no senso-comum, ou oito ou oitenta.

Meu amor por você me faz chorar e me esmigalha a alma. Faz faltar o ar dentro do meu corpo, e só poder ser apaziguada por você mesmo, ainda que eu te odeie por alguns instantes.

Que coisa mais ridícula! Você me machuca e só você consegue me consolar. Você se recusa a me consolar, e me machuca ainda mais.

Que coisa mais ridícula! Entrego nas suas mãos a parte mais frágil que tenho de mim mesma, e deixo você pintar e bordar com ela. Você estraçalha a minha parte delicada e preciosa, pisa em cima e ainda cospe. Mas não, meu amor, sei que você não faz de propósito. Não, você não tem a menor idéia de que tem nas mãos esse pedaço tão importante de mim.

E aí tem momentos que eu só sei doer. Só sei transformar alma em lágrima, só sei condensar a minha existência, e condenar os meus sentimentos.

Meu amor por você é meio masoquista. E isso não é baixa auto-estima. Fosse esse o problema, seria muito mais fácil de resolver.

Não sei se o problema é a forma ou se é o tamanho do meu amor. Mas também, no fim das contas, se não fosse um problema...ainda seria amor?