Dizem que amor é coisa verdadeira, se for “apesar de”.
E aí, pensando nisso, me dei conta de que eu não sou assim.
Eu te amo “justo porque”.
Mas isso me custa muito caro. Porque a linha que divide o “eu te amo” e o “eu te odeio” é tênue, é extremamente sensível. E eu deixo esta linha nas suas mãos. É justo você, que nem sabe disso, que controla quando é que eu te amo ou quando é que eu te odeio.
Eu te amo quando você é seco comigo, de um jeito doce. Acho engraçado e sexy perceber um pedaço seu, materializado numa resposta ácida.
Eu te odeio quando você é estúpido comigo.
Eu te amo quando você está distraído. Quando falo e você não me ouve, mas ainda assim responde, como num espasmo.
Eu te odeio quando você se recusa a tentar fazer duas coisas ao mesmo tempo.
Eu te amo quando você brinca com os cachorros ou sorri pra uma criança. Sinto que você é muito mais do que faz questão de ser.
Eu te odeio quando você não se dá conta disso.
E, sobretudo, eu te amo todo o tempo. E eu jamais odeio você. Mas o que acontece é que de vez em quando, eu queria te odiar. E aí, eu odeio a mim mesma. O "eu te odeio" é o meu puro reflexo.
Minhas células são tagarelas, e gritam, irritantemente, para a minha alma, dizendo que te querem, todo o tempo.
A minha alma com toda a sua impaciência, sussura nos meus ouvidos que te deseja ardentemente.
E as vezes eu me odeio por isso. Porque amar é misturar amor e dor, bom e ruim, sim e não.
Amar você é a maior antítese da minha existência. E ora eu amo odiar você, ora eu odeio amar você. Eu sei que você não entende (e isso até me alivia). Mas o ódio não é o oposto do amor, o ódio é o excesso de amor.
E no fundo, o que eu odeio, é deixar esta linha divisora em suas mãos. E no fundo, o que eu odeio, é que eu confio que você vá cuidar bem de uma coisa que você nem sabe que existe.
Eu amodeio você.




