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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Blá blá blá nada a dizer

Sou eu mesma desde que me conheço por gente e ainda não me acostumei comigo.
Mas sei que sem mim as coisas me seriam muito mais difíceis.
É estranho ser uma multidão em apenas um corpo.
É claustrofóbico não poder sair do meu corpo com o tanto de gente que tem aqui.
Preciso me focar nas minhas janelas, que são os buracos do meu corpo.
Me apoio no olhar e de repente já não sei mais o que vi.
Me concentro na minha audição, no meu paladar, nos meus sentidos - que de particípio só têm a conjugação...!
Sou puro gerúndio.
O presente do indicativo é carinho na minh´alma.
O imperativo me excita.
O pretérito só sabe lembrar das minhas imperfeições.
O futuro tem a audácia de me voltar ao pretérito.
Malditos tempos.
Desde que conheço o relógio só sei odiá-lo sem poder deixá-lo.
Desde que conheço o espelho só sei amá-lo sem querer a minha imagem.
Queria um pedaço de espelho que fosse comestível.
Queria comer-me.
Narcisismo.
Autofagia.
Sumi.

(UFA)

terça-feira, 28 de maio de 2013

Cacos de chocolate com batatas

Palavras são cacos de vidro. Não posso engolir. Posso, mas me machuco. Posso me machucar, mas não quero.
Palavras são cacos de vidro. Não quero engolir. Prefiro cuspi-las em você.


Palavras são de chocolate  Não posso engolir. Posso, mas acabariam muito rápido. Por que acabar logo, se posso derretê-las na boca.
Palavras são tabletes de chocolate. Não quero engolir. Prefiro que se aqueçam até derreter em minha boca.

Portanto, se quiseres dizer-me palavras-cacos-de-vidro, prepare-se para ter a sua alma arranhada por elas.

Portanto, se quiseres dizer-me palavras-tabletes-de-chocolate, dá-me direto na boca.

Cheguei a um ponto da vida em que prefiro beijos a palavras. DR's não nos levam a lugar nenhum, exceto onde já estivemos.

(Cheguei a um ponto da vida onde não me importo em postar textos ruins.)

Me deixa existir na minha dor,
minha incompletude sangra.
Eu adoro sangue, desde a cor até o gosto.
É agridoce.
Gosto de sangue desde criança.
Qual criança não gosta?
Crianças-vampiros.
Adultos-vampiros.
Vampiros-vampiros.
Tu piras. Eu piro.
Purê de batatas.
Pirei.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Hello, stranger!


Me sinto estranha quando me estranho. Me sinto normal quando me sinto estranha. Isso é estranho. Mas já me acostumei a ser estranha, o que faz com que me sentir assim seja normal. Às vezes me lembro que me sinto estranha, então me amo, porque eu não gosto de ser gente normal, podre como a maioria. Gosto de ser podre do meu jeito. Mas isso é mentira, porque eu nem me sinto podre. Me sinto é bem limpinha por dentro. Acho que me acostumei a olhar pras minhas obscuridades, e elas já não me assustam mais. Minhas belezas não são mais belas, minhas podridões não são mais podres. Nada do que eu era continuo sendo, mas mesmo assim não deixei de me ser. Me gosto mais agora do que me gostava há 5 minutos. Ando numa paz escandalosa, isso tem começado a me assustar. É como se a vida estivesse prestes a puxar o meu tapete, e eu estivesse dançando em cima dele me esforçando pra fingir que não percebo. Não quero pisar no chão, o tapete é voador. Não quero mais falar disso. Senão a vida percebe que eu to percebendo ela me olhar, e puxa o tapete só de sacanagem.

domingo, 14 de abril de 2013

Das coisas que só sei que existem porque são doídas.

Meu corpo é tecido de dias e bordado de noites.
Meus quereres são invernos disfarçados de verão.
Meus ouvidos pedem silêncio, meus olhos flertam com o escuro.
E fico achando que sou moça alegre.

O riso é meu disfarce.
A tranquilidade é minha roupa.
A resignação é meu acessório.
A paz é minha maquiagem.

Mas não me tire o riso,
não me tire o amor,
não me tire a maquiagem e nem a fome.
De vez em quando apenas me chame pelo nome.

Não posso esquecer de lembrar que não sei quem sou.

domingo, 31 de março de 2013

Vem aqui e me deixa

Tudo é sempre pouco pra mim.

E não é porque "sou intensa", "sou bipolar" ou sou qualquer coisa assim.

É porque sou geminiana. (MENTIRA!)

(Sim, eu sou gemininiana, mas isso nada tem a ver, eu acho).

É que eu vivo me enganando.

Minto pra mim mesma que o que eu quero pode ser nomeado.

Finjo que acredito que é possível me satisfazer.

Acredito nas minhas mentiras.

Me satisfaço.

Me sinto completa.

Me canso de mentir pra mim.

Me canso de me ser.

Tento des-ser.

Não posso.

Só sei me ser.

Estou presa a mim.

Socorro, alguém me salve de mim!

Não, você não. Hum, você também não. Moço, sai daqui! Menina, você é estranha, se afaste.

Não permito que as pessoas se aproximem.

É sempre preciso manter uma certa distâncias das pessoas.

Vai que alguém consegue me salvar de mim mesma, mesmo?

Não posso correr o risco. Me deixem!