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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Hello, stranger!


Me sinto estranha quando me estranho. Me sinto normal quando me sinto estranha. Isso é estranho. Mas já me acostumei a ser estranha, o que faz com que me sentir assim seja normal. Às vezes me lembro que me sinto estranha, então me amo, porque eu não gosto de ser gente normal, podre como a maioria. Gosto de ser podre do meu jeito. Mas isso é mentira, porque eu nem me sinto podre. Me sinto é bem limpinha por dentro. Acho que me acostumei a olhar pras minhas obscuridades, e elas já não me assustam mais. Minhas belezas não são mais belas, minhas podridões não são mais podres. Nada do que eu era continuo sendo, mas mesmo assim não deixei de me ser. Me gosto mais agora do que me gostava há 5 minutos. Ando numa paz escandalosa, isso tem começado a me assustar. É como se a vida estivesse prestes a puxar o meu tapete, e eu estivesse dançando em cima dele me esforçando pra fingir que não percebo. Não quero pisar no chão, o tapete é voador. Não quero mais falar disso. Senão a vida percebe que eu to percebendo ela me olhar, e puxa o tapete só de sacanagem.

4 comentários:

Stella Tavares disse...

Adorei! Você puxa o tapete do leitor quando diz andar em uma paz escandalosa e a sua forma de fechar o novelo que vai se desenrolando em nossa imaginação enquanto lemos é ótima. Fico um pouco mais por aqui.
bjs

Junior Gros disse...

Também estranho quando estou em paz. Estranho quando estou feliz demais. Acho que acostumei-me a ser casmurro, como aquele tal Dom, do tal do Machado.
Me acostumei a estar por aqui, ler essas palavras tão boas.

Ferr disse...

Nunca pensei que a paz pudesse ser escandalosa.Só você mesma para nos fazer viver essa nova experiência.
Não me acho estranha; talvez inadequada. Não por minha causa mas por causa dos outros mesmo.
Meu interior é bem conhecido por mim ou pelo menos faço que com ele não me seja estranho.

Danelize Gomes disse...

Estranho é ser feliz sempre, às vezes, é bom uma puxada de tapete pra acordar,(ou não).