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domingo, 14 de agosto de 2011

No-body



Escrevo. Apago. Escrevo. Apago. Escrevo. Apago.
Estou escrevendo muito mal ou é o botão delete que está irresistível hoje?
Nem um, nem outro.
Minha alma grita, e assustado, o meu corpo se cala. E extasiado, se nega a aceitar o movimento dos meus dedos sobre o teclado.
É que eu ouvi Zeca Baleiro.
Ou eu fui pôr o Zeca pra cantar pra tentar quebrar essa dança frustrada entre corpo e alma?
Não sei. E acho que isso nem importa.
O que importa é que escrever é extravasar pedaços de alma.
E às vezes meu corpo está tão encantado com os pedaços de alma, que se recusa a extravasar. Fica ali, todo cheio, exibindo-se para si mesmo. E a alma fica ali, encantada pelo encanto que produz no corpo...
Oras, do que é que estou falando?
O corpo, a alma. Que casal bonito! Mais parece eu e você.
Pois veja só, bebê. Não importa do que eu fale, acabo falando de você.
Pois veja só, alma. Não importa do que eu fale, acabo falando de você.
Então falem comigo...
Não me deixem aqui, só, diante do meu corpo que, vez em quando, decide se calar.

sábado, 6 de agosto de 2011

É prosa, é poesia, é sem imagem

Cheguei ao meu limite.
Estou exausta de tanto te amar.
Eu te amo? Faço-me rir.
Foi-se o tempo em que dizer que te amo, tinha como função me aliviar.

É, porque declarar o meu amor por ti me alivia, sim. É como se eu fosse um balão, que fosse se enchendo de tanto amor. E as palavras, então, fossem um delicado buraquinho que se faz nesse balão, que sem permitir que eu (ops, ele) estoure, deixando um cadinho do amor vazar. E é aí eu respiro. "Escrevo pra respirar", disse a Lispector. Eu digo do amor pra respirar.
E eis que “eu te amo” nem cócegas mais me faz. Talvez eu exploda.
Preciso dizer uma palavra que não sei qual é. Sinto cócegas na língua e também o gosto dessa palavrinha. (Ou será uma palavrona?) Me arrepia quando penso nela, me dá um pouco de doideira, e aí me dou conta do quão cheia estou.

Dizia a minha mãe, quando eu era bem menor do que ainda sou, que era feio dizer “estou cheia”.
–É satisfeita, menina!

Satisfação? Ha-ha-ha. Quem me dera um amor tranqüilo, que me satisfaça e me deixe bem.

Eu não sei amar assim.
Só sei sugar a sua alma.
Só sei não caber em mim.

"Eu te amo não diz tudo", disse a Martha Medeiros. Pois eu acho que eu te amo não diz é nada.
 Porque amar é dizer sem palavras.

Ou endoidei de vez?

sábado, 30 de julho de 2011

Palavra é morte.



Tenho um vício, e nem sei qual é. Talvez seja de vida. Talvez seja de morte. Qual é a diferença? Às vezes finjo que sei. Mas é pura mentira. Não sei delimitar onde acaba um e começa o outro. E se forem sinônimos?  Eu só sei que tenho sono em vida. Sono é uma predisposição à morte. E eu sou isso mesmo. Sou muito estúpida. Eu não sei o que é que sou. Todas as minhas palavras – ditas e escritas – são pura elocubrações. Eu não faço idéia do que sou, pra que sirvo ou pra que a vida me é útil. Mas estou aqui e enquanto isso, saboreio palavras. Porque é isso o que faço com mais prazer. Degustar pedaços de morte. Ah! E você acha que palavra é vida? Muito engraçada você, dona Alicia. Coisa que nasce tem fim anunciado e por isso é um pouco morta. Tenho uma palavra infinita no bolso? Sei dizer algo eterno? Sei não. Toda palavra me parece curta e insuficiente. Tudo o que digo é fadado ao fracasso. MORTE. Palavra é morte. Palavra é morta. Ó, superego, não me olhe com essa cara de decepção pura e amarga. Eu sou um pedaço de morte perambulando pelo universo, sim. E tu também és. E isso pode ser bonito, ao mesmo tempo em que é assustador. Porque todas as coisas vivas são ambivalentes. Até as palavras. Que são meio zumbis, meio-mortas-vivas. Se alimentam de vidas, exatamente como os zumbis! Porque a palavra mata parte daquela coisa que você queria dizer. Nunca digo aquilo que quero, mas consigo em partes dizer um pedaço daquilo que eu queria. O suficiente pra ser minimamente compreendida. Tá, eu sou um tanto louca, esse texto mais ainda, e isso não faz sentido. Bem-vindo à vida, baby.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Cuspindo palavras



Palavra cuspida
Sentimento sem medida
Dizer rasgado
Você desconfiado
Te amo com o que não tenho
Palavras fazem de  mim um desdenho
E é por isso que não posso dizê-lo
Te amo num atropelo
Não é segredo
No amor excedo
Trata-se de impotência minha
Isso mais parece ladainha
Mas não há Viagra no mundo
Que nem por um segundo
Me cure de mim
É, eu tenho um fim
E o meu fim, a palavra anuncia
(Palavra de amor é pura agonia)
O meu amor por ti é coisa diferente
É eterno , não é coisa de gente
Fica pra sempre - colado no universo
Palavra mente
Ainda que seja verso

sábado, 23 de julho de 2011

Senti-dó

O corpo entorpece
A palavra vai junto
Tudo se desfigura
Ou sou eu que posso enxergar?
As coisas não fazem sentido
Eu é que dou um a elas
Porque assim posso suportá-las

E quando eu não agüento
As coisas parecem embaçadas
Mas é quando mais estão nítidas
(Tenho vontade de vomitar
Ao me ler)
O sentido me excede
E tudo vira mentira.