Escrevo. Apago. Escrevo. Apago. Escrevo. Apago.
Estou escrevendo muito mal ou é o botão delete que está irresistível hoje?
Nem um, nem outro.
Minha alma grita, e assustado, o meu corpo se cala. E extasiado, se nega a aceitar o movimento dos meus dedos sobre o teclado.
É que eu ouvi Zeca Baleiro.
Ou eu fui pôr o Zeca pra cantar pra tentar quebrar essa dança frustrada entre corpo e alma?
Não sei. E acho que isso nem importa.
O que importa é que escrever é extravasar pedaços de alma.
E às vezes meu corpo está tão encantado com os pedaços de alma, que se recusa a extravasar. Fica ali, todo cheio, exibindo-se para si mesmo. E a alma fica ali, encantada pelo encanto que produz no corpo...
Oras, do que é que estou falando?
O corpo, a alma. Que casal bonito! Mais parece eu e você.
Pois veja só, bebê. Não importa do que eu fale, acabo falando de você.
Pois veja só, alma. Não importa do que eu fale, acabo falando de você.
Então falem comigo...
Não me deixem aqui, só, diante do meu corpo que, vez em quando, decide se calar.
