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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lágrimas de Morango



Chorei hoje lágrimas de morango.
Fosse em outros tempos diria que eram lágrimas de sangue. Diria da dificuldade que a condição feminina implica em viver. Falaria que ser mulher é doído, e brincaria com as palavras doido e doído, numa tentativa desesperada de me salvar da minha própria veia dramática – vulgo mimimi.
Mas são outros tempos. O que não quer dizer que eu não tenha chorado lágrimas de sangue. Só que hoje foi diferente. Estava eu imersa num choro quase gostoso, desses que nos remetem à infância, desses que nos fazem soluçar, desses que te fazem ficar em dúvida se chorar faz aliviar ou se faz doer mais. Então, estava eu imersa num choro desses, e um pensamento mal-educado falou na frente de todos os outros. “São lágrimas de morango”.
Não sei bem o que é que isso significa, mas acalmou meu coração. Achei bonito e fiquei orgulhosa desse pensamento ter sido inconveniente com os outros justamente naquele momento. Morangos me acalmam. São vermelhos assim como o sangue, mas mais doces. Vão bem com tudo. De pratos light a calóricos. Contêm as letras de AMOR no nome. É, eu gosto de morangos.
E por algum motivo, também os morangos, assim como o choro, me remetem à infância. Talvez porque quando pequena eu tinha uma boneca que se chamava Moranguinho... Cheirosíssima ela era, aliás.
Hoje eu chorei infância. A minha, a das minhas irmãs e acho que a da minha mãe também. Hoje eu chorei mulher. Lágrimas de amor-ango. Mulher-ango. Ango. Angu. Lágrimas de bebê. Talvez todas elas sejam.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Blog 4 pecados

Pessoal,

Convido vocês a lerem, seguirem, comentarem o blog 4 Pecados.

São 5 autores que postarão diariamente textos sensuais.

Eu, @paraquenomes, @danisgorlon, @todo_sentir e @tabalipa

Hoje é a minha estreia e eu vou ficar bem feliz de ver comentários de vocês LÁ.





Beijocas.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sobre o aborto


Ontem o assunto comentado no twitter era o aborto. Devemos proibir? Liberar? Qual é a posição que cabe à sociedade tomar diante de gente irresponsável? (Porque pra engravidar sem querer, há que se ter no mínimo, uma dose de irresponsabilidade). Daí eu disse que ia dar um pitaco, e eis que surgiram várias discussões.
O pitaco que dei em no microblog foi o seguinte: Acho que é a mulher quem deve decidir se quer ter o filho, se não quer...e o homem só tem que calar a boca e assumir a decisão da mulher.
De repente o que o pessoal tava discutindo comigo era a questão de sexo, de gênero, nem mais aborto era. E é disso que eu quero falar em mais de 140 caracteres. Não das implicações políticas e sociais do aborto, mas do lugar da mulher nessa decisão.
O fato é que pro homem, nesse sentido, é tudo muito fácil. Come uma aqui, se apaixona ali, tem filho com uma, casa com outra. Pode-se montar a vida do jeito que bem entender. Não é preciso articular amor e sexo. Amar uma e transar com a outra é facinho.
Uma foda pode durar desde 5 min até umas 3h, para um homem. Já para a mulher, uma foda pode durar desde 5 min até uns 10 meses. Sim, porque a foda do homem acaba quando o espermatozóide sai do corpo dele. Já a foda da mulher, pode acabar só quando o bebê sai de dentro dela. E muitas vezes, é aí que a coisa piora. Há zilhões de mães solteiras pelo mundo afora que podem dizer disso.
É claro que não é a minha intenção vitimizar mulher nenhuma. Aliás, vitimizar nunca é bom pra ninguém. As Unidades de Saúde estão espalhadas pelo Brasil. Há camisinhas e anticoncepcionais gratuitos. Há informações por tudo o que é canto. Assim, se alguém engravida, há que se responzabilizar por isso, independente das contingências às quais esteja submetida. Isso é fato.
Mas acho que tem gente que tem a tendência de se dizer ser contra o aborto com a justificativa de “fez, cuida”. E muitas vezes o que está dito nas entrelinhas, é “Mocinha, você foi lá e deu, né. Agora te vira e cuida dessa criança!”.
Só que aí a sociedade coloca pra essa mãe, ter essa criança, como uma punição por ela ter engravidado. Ok, acho que talvez seja mesmo o caso de punir pessoas irresponsáveis de algum modo. Mas, gente, não assim. É extremamente assustador, desastroso, enlouquecedor pra uma criança, viver num ambiente em que ela não é desejada. Bem, o que tô dizendo aqui é, que a gente não puna uma pessoa com outra. A mesma lógica que funciona pra defender a proibição do aborto, funciona pra defender a legalização do aborto. Não é justo matar um ser vivo pela irresponsabilidade de outro. E nem é justo forçar a viver em péssimas condições um ser vivo, pela irresponsabilidade de outro.
Não costumo escrever sobre essas questões polêmicas, mas essa do aborto me beliscou. Talvez porque para mim isso seja, sim, uma questão de gênero. Muito me irrita homens julgando mulheres acerca disso. Podem me chamar de feminista, de ignorante, de seja lá o que for. Mas as mulheres sabem, que no fundo, há que ter um “plano b”, um modo de se virar sozinha. Homens podem ser maravilhosos, companheiros geniais, mas eles são assustadores: dissociam amor de sexo facilmente. Ou seja...em se tratando de fazer filhos, a responsabilidade cairá sempre à mulher de uma forma muito mais pesada do que cairá ao homem. E é óbvio que aqui eu estou generalizando pra poder falar do meu ponto de vista. Sei que há homens que são muito diferentes disso, mas não é disso que estou falando. (Não vistam carapuças à toa).
Enfim, acho que a questão do aborto é decisão de mulher tomar. Não digo no sentido político ou social, mas no um a um, no caso a caso. Sou mulher, o corpo é meu e tenho o direito de decidir o que entra e o que sai do meu corpo. A proibição do aborto é um estupro ao contrário.
Assim, não estou defendendo o aborto, nem a legalização do mesmo. Apenas digo que proibi-lo é uma violência. E acho que é justamente isso que falta na nossa sociedade. Discutirmos os temas, antes de tomarmos decisões.
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sábado, 24 de setembro de 2011

Eu não sei se eu sei ser feliz sem você



Acho uma droga o quanto a minha felicidade parece depender da sua. Não posso ficar totalmente bem se você não estiver.
Acho uma droga o quanto a minha felicidade independe da sua. Porque de vez em quando, você é puro mau-humor e eu sou um pedacinho de paz no mundo. Não tá errado isso?
Pois eis que eu não sei. E parte da minha guerra interior tá desenhada aí. Posso eu ser feliz sozinha? Saiam daqui, otimistas! Não quero ouvir essa porra desse clichê de que todo mundo tem que ser feliz sozinho, ou de que temos que estar bem sozinhos primeiro para depois estar bem com o outro, ou de que só é amado quem ama mais a si mesmo. Isso é puro blá-blá-blá. Lindo e óbvio de ser dito. Mas quando é experienciado, o clichê se derrete, me congela inteira, e se transforma em pura avalanche.
Não, eu não sei se eu sei ser feliz sem você. Isso que eu não estou nem considerando o fato de um dia você ir embora, ou eu me cansar...nada. Digo apenas de momentos. Me refiro a esses instantes que vivem acontecendo, quando escapamos um do outro. Das manhãs em que você acorda cantando quando eu queria que o satélite da NASA caísse aqui em casa. Das noites de domingo em que fico eufórica e animada, enquanto você confessa sileciosamente toda a sua dor de existir ao universo. Naqueles momentos em que quero discutir teorias filosóficas, e você quer assistir a porcaria do Pânico na Tevê. Das minhas paranóias de achar que você não me ama de 5 em 5 minutos, e tentar disfarçar a minha loucura com silêncios floreados. Das suas paranóias de achar que não falo o suficiente, e deixar tudo o que você pensa, irritantemente óbvio pra mim.
E, subitamente, quando me dou conta, estamos numa sintonia doída. Você diz de um assunto pelo qual eu não tenho o mínimo interesse, mas acho lindo que você saiba aquilo. De repente, você faz um comentário diabeticamente doce fazendo referência ao nosso futuro. Quase enfarto quando sem-querer, me dá um sorriso sexy, de quem enxerga a minha alma e lê os meus pensamentos.
Aí, mas nem era disso que eu queria falar. Eu tava perguntando se era justo eu ser feliz sozinha...e eu não sei se há uma resposta definitiva. Mas ao que me parece agora... Claro que é, porque às vezes estamos juntos, emaranhados um no outro, e às vezes caminhamos sozinhos, lado a lado. Porque você me entorpece, e eu preciso respirar. Porque sei que você também precisa respirar, e eu tenho uma tendência bonita e agressiva de te deixar asmático.