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terça-feira, 26 de abril de 2011

Texto postado sem revisar - óbvio



Às vezes me dá náuseas de pensar na existência. Aliás, sem eufemismos. Náuseas nada. Tem dias que existir me dá ânsia de vômito. Existir me faz querer vomitar. E aí eu escrevo, que é o meu modo de vomitar. Se você está com nojo do que lê, ou se você é fresco (a), sugiro que interrompa a sua leitura por aqui. Porque hoje estou disposta a falar de coisas nojentas.
Acontece que o ser humano é péssimo e a vida é uma merda. Quer coisa mais nojenta do que isso? Quanto mais bonitinha, cheirosinha e bem-humoradinha é uma pessoa, mais podre ela é. Não há higiene na alma. Somos todos sujos. Deve ser por isso que morremos. E não adianta você fazer tudo certinho na sua vida, se pensa ou deseja coisas ruins. E não há como escapar dos pensamentos, muito menos dos desejos.  
É de repente que a gente se dá conta de que está no mundo. É de repente que a gente se dá conta de que vive e que tem um corpo. E é assim, sem nenhuma explicação. Temos sangue que corre nas veias e excreções que saem do corpo. E nenhuma tentativa de dar sentido a isso é suficiente. Todas as explicações nascem fadadas ao fracasso (assim como nós, que nascemos condenados à morte).
As pessoas entram na nossa vida, e gruda um pedaço delas na gente. Daí um dia as pessoas são arrancadas de nós. À fórceps. Silêncio. Mais silêncio. Concentre-se, vamos ouvir! Cri, cri, cri. Nenhuma explicação.
E é bem legal falar disso, discorrer sobre, quando tudo não passa de palavra rabiscada no papel, ou de letra na tela de cristal. Mas quando palavras e letras estão tatuadas em nós de forma ilegível, quando a nossa alma está rabiscada com sangue... isso dói, leitores. E é isso. Hoje nem eu mesma vou suportar me ler. Só vomitei palavras.

domingo, 24 de abril de 2011

Nem um título eu sei dar



Tá difícil de escrever hoje. Já mudei duas vezes de assunto, já apaguei duas páginas. Não consigo escrever nada decente. Tudo me parece piegas. Tudo me enjoa. E nem mal-humorada eu estou. É que eu não consigo saber do que é que quero escrever. Já falei de contos-de-fadas e de Páscoa, mas assunto nenhum me agradou por nem um instante,  e não podendo suportar as minhas palavras, assassinei-as. Talvez eu esteja exigente hoje. Talvez sem inspiração. Mas eu, que sou teimosa comigo, se decido escrever, obrigo a mim mesma a cumprir tal função. Náusea na alma! É isso o que eu sinto. Eu, que nem sou religiosa e que tenho os dois pés atrás com o capitalismo, comemorei a Páscoa. É. Estou em crise de valores. Tive um feriado com direito a bacalhau, chocolate, almoço e jantar em família. Desejei Feliz Páscoa como quem deseja Boa Sorte. Quando desejo Feliz Páscoa, desejo energias boas. E é só isso. Como bacalhau pela tradição, assim como poderia comer carne vermelha, bem mal passada e dançar em cima da mesa para fazer a digestão. O fato é que isso é uma mentira. Quisera eu ser tão descolada assim da religião ou do capitalismo. Eu adoro ganhar dinheiro e me pesaria a consciência comer carne vermelha. Dançar em cima da mesa? Faço-me rir. Oras, mas logo eu, que tenho teorias tão bonitas e leves com relação à vida? É. Pois é. E aproveitando que eu conto segredos aqui, revelo mais um (que na verdade é o mesmo, mas mais íntimo). Trata-se da minha visão do amor. Vou contar uma coisa minha que é muito séria. Talvez não seja para vocês que me leem, mas para mim, o é. Acontece que eu queria um amor bem romântico e meloso. Sabe pra que? Pra não querer mais depois. E não é que eu seja assim, decididamente louca ou malvada. (Decididamente, nada em mim existe.) Mas é que o meu corpo, a minha alma e o meu intelecto não coincidem. Vejo as cenas mais piegas e ridículas em filmes de comédia romântica. Penso que é um absurdo que alguém faça uma cena daquelas, que seria mais justo se alguns filmes fossem classificados como ficção-científica-para-mulheres do que como drama ou comédia-romântica. Seria mais leal com os espectadores. Seria mais leal comigo. E enquanto assisto a uma cena ridicula e forjada de amor, percebo que escorrem lágrimas dos meus olhos, meus pêlos se eriçam, a barriga sente frio. Ei! O que está acontecendo aí, Srº Corpo? E ele não me ouve, continua me fazendo chorar e arrepiar. E o intelecto se envergonha. E a alma se cala. Pois é exatamente disso que eu sofro hoje. De alma calada.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Meu sol laranja





Edredon verde, sol laranja, você de camiseta cor-de-rosa-macho-sexy. Cheiro de arco-íris. Até o ar parado do quarto parece me convidar a enxergar as cores da vida.
Uma onda de felicidade súbita me impede de voltar aos braços de Morfeu, e me conduz ao colorido do dia. Desconfio. É feriado e faz sol no mesmo dia. Tenho você, café e cama. Sinto uma alegria tão boa... O dia promete. E tudo o que promete decepciona. Não posso me encantar. Não posso não me encantar. Felicidade muito grande me sufoca. E o ar me falta quando você me sobra.
Ei, você. Eu não sei quem é isso o que eu chamo, agora, de você.

É um corpo que divide a cama comigo, que rouba a minha coberta, que me faz carinho enquanto dorme.
É um par de olhos que pisca pra mim e me faz derreter mais que chocolate nas mãos de criança baiana.
É um par de olhos que me olha sério e me faz congelar assim como pés descalços em Bariloche.
É uma boca cheia dos dentes mais sinceros.
É uma boca que se estica pros lados desenhando um sorriso e se tornando o meu mundo por um instante. 
É um corpo que carrega lábios capazes de beijarem os meus pensamentos.
É um corpo que carrega um muro de silêncio, capaz de espancar a minha alma.
É um corpo, que quando faz barulho, me arrepia, trazendo um breve sentido para a minha existência.
Você é o meu sol laranja, materializado num pedaço de corpo. E, sim, eu desconfio. Porque você, assim como o dia, promete. E tudo o que promete decepciona.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Nos seus olhos descobri




Nosso amor não foi à primeira vista. Eu te vi centenas de vezes sem nada sentir por você. Nosso amor foi à primeira vista. Eu te vi várias vezes até olhar para você.

Mas não sei bem quando foi que eu realmente te olhei. Não sei bem quando foi que me senti olhada por você. Na minha lembrança foi como num passe de mágica. Num dia você era só mais uma pessoa no mundo, noutro dia você era o meu próprio mundo.

Foi de repente que me dei conta de que o meu peito queimava, a minha alma formigava, meu coração parava de existir e a minha barriga esfriava – só de pensar na sua existência.

E a gente teve um romance moderno. Trocamos msn, sms, entre olhares e não-ditos. Você era o meu ficante. E aí foi mesmo ficando. E eu fui deixando. Fiz charme e me esforcei pra não me jogar nos seus braços de um dia pro outro.

Temia que você me achasse maluca, se descobrisse a loucura que eu sentia por você. Temia que se você visse o meu amor, se assustasse. Temia que não fosse amor. Temia que você não fosse você. Você era mágico pra mim. E dentro do meu louco amor apaixonado, temia que você pudesse ler os meus pensamentos, que gritavam, antecipadamente – eu te amo.

Ah, como isso me assustava. Um milhão de sentimentos e loucuras que invadiam o meu corpo e só me faziam querer respirar no seu peito. Eu estava irreconhecível. Eu já duvidava de mim e da minha existência. Não via em mim aquilo que via nos teus olhos, que me olhavam. E aquilo me interessou.

Foi com você que eu aprendi a amar vinho e a gostar de carne de porco. Foi com você que aprendi que o meu corpo pode ser vários. Descobri que posso amar sem enlouquecer. Descobri que conhecer o mundo e o próprio corpo podem justificar uma vida. Que a comida é coisa que deve ser respeitada. Que os animais são uma versão evoluída de nós, humanos. Foi com você que eu aprendi coisas que, talvez você mesmo, não tenha aprendido.

Seguindo a trilha do seu olhar, eu olhei pra mim. Refletindo o que os seus olhos diziam, eu também gostei do que vi. E foi só por isso que eu pude escrever. Porque os seus olhos despertaram a minha curiosidade – por mim mesma.

Céus! Eu existia antes de te conhecer? Bem, talvez eu estivesse dormindo. À moda da Bela Adormecida, você me acordou. Não com um beijo, mas com um olhar. Nem você príncipe, nem eu princesa. Sem reino encantado, sem felizes para sempre. Porque essas coisas todas só importam quando a gente não ama.

sábado, 16 de abril de 2011

Pa-ciência




Viver me exige muita calma. Ou melhor, as pessoas me exigem muita paciência. Eu tenho paciência, tenho bastante. Mas as vezes sou avarenta com a minha preciosa paciência, e prefiro guardar um pouco dela. Eu quero viver bastante, e cada vez mais vejo que mais preciso de paciência. E quando a deixo a no bolso, as pessoas me irritam. Muito.

Pareço ser legal. Sério, eu pareço mesmo ser legal. Eu sou doce. Verdade!

Mas acontece que eu odeio dois tipos de gente: as pessoas que são burras e as pessoas que acham que eu sou burra. E isso é, tipo, 90% da população. (Vejam que eu não disse que sou inteligente. Certo?)

Eu tenho vinte e poucos anos (ou vinte e muitos anos?), mas vezenquando, me sinto com oitenta. Parece que a vida já me exigiu demais e que, então, cansei de muita coisa. Mas a minha vida nem foi tão difícil assim, até agora, pra eu falar nesse tom de quem sabe-tudo.

Às vezes eu me sinto com quinze anos. Que é quando falo do meu modo infantil de amar, da paixão adolescente que tenho pelo homem com quem divido a vida. Ou, por certas teimosias que insistem em me acompanhar pelo passeio que a gente faz no mundo e chama de vida.

O fato é que fico oscilando. Não sei ter a minha idade, não sei ter vinte e tantos anos. Sei ter quinze ou oitenta. (Não digo oito ou oitenta porque além do clichê, acho que agir como quem tem oito anos já é forçar muito a barra)

Sei ter energia pra fazer um bilhão de coisas e nem parar pra respirar. Sei ter preguiça imensa de sair no sábado a noite.

Sei ficar vinte minutos de bom-humor na fila da padaria. Sei enlouquecer de irritação se a moça do caixa me atende sem me olhar nos olhos.
Sei ser extremamente compreensiva com a ignorância de alguém sobre si mesma. Sei ficar muito brava com um erro de português no cardápio do restaurante.

Sei amar um homem como se eu fosse morrer sem ele. Sei amar o mesmo homem sabendo que ele respira lá, e eu cá.

Sei gostar de usar trancinhas no cabelo. Sei querer ficar de pijama e sem brincos em casa.

Sei me embananar do jeito mais feio com as minhas contas. Sei trabalhar de um jeito muito responsável.

Sei ter blog, twitter, facebook com diferentes perfis. Sei fazer cara feia pra quem quer ipad e biblioteca virtual.



O que eu não sei é achar o que chamam de meio-termo. O que eu não sei é achar uma terceira opção. Eu sou uma jovem-menina-idosa. Perdida no mundo e irritada com as pessoas. Porque paciência eu tenho com quem merece. E é merecedor dessa minha paciência, quem é merecedor do meu amor (enfim, gente, cheguei no amor). Então, paciência mesmo, eu tenho com quem eu amo. O resto do mundo, eu suporto.