Às vezes me dá náuseas de pensar na existência. Aliás, sem eufemismos. Náuseas nada. Tem dias que existir me dá ânsia de vômito. Existir me faz querer vomitar. E aí eu escrevo, que é o meu modo de vomitar. Se você está com nojo do que lê, ou se você é fresco (a), sugiro que interrompa a sua leitura por aqui. Porque hoje estou disposta a falar de coisas nojentas.
Acontece que o ser humano é péssimo e a vida é uma merda. Quer coisa mais nojenta do que isso? Quanto mais bonitinha, cheirosinha e bem-humoradinha é uma pessoa, mais podre ela é. Não há higiene na alma. Somos todos sujos. Deve ser por isso que morremos. E não adianta você fazer tudo certinho na sua vida, se pensa ou deseja coisas ruins. E não há como escapar dos pensamentos, muito menos dos desejos.
Acontece que o ser humano é péssimo e a vida é uma merda. Quer coisa mais nojenta do que isso? Quanto mais bonitinha, cheirosinha e bem-humoradinha é uma pessoa, mais podre ela é. Não há higiene na alma. Somos todos sujos. Deve ser por isso que morremos. E não adianta você fazer tudo certinho na sua vida, se pensa ou deseja coisas ruins. E não há como escapar dos pensamentos, muito menos dos desejos.
É de repente que a gente se dá conta de que está no mundo. É de repente que a gente se dá conta de que vive e que tem um corpo. E é assim, sem nenhuma explicação. Temos sangue que corre nas veias e excreções que saem do corpo. E nenhuma tentativa de dar sentido a isso é suficiente. Todas as explicações nascem fadadas ao fracasso (assim como nós, que nascemos condenados à morte).
As pessoas entram na nossa vida, e gruda um pedaço delas na gente. Daí um dia as pessoas são arrancadas de nós. À fórceps. Silêncio. Mais silêncio. Concentre-se, vamos ouvir! Cri, cri, cri. Nenhuma explicação.
E é bem legal falar disso, discorrer sobre, quando tudo não passa de palavra rabiscada no papel, ou de letra na tela de cristal. Mas quando palavras e letras estão tatuadas em nós de forma ilegível, quando a nossa alma está rabiscada com sangue... isso dói, leitores. E é isso. Hoje nem eu mesma vou suportar me ler. Só vomitei palavras.




