Acho que é importante a gente escutar o que fala. Igualmente importante é ler o que a gente escreve. E aí ao me ler, dou conta de que só sei falar de amor. Quando criei o blog, o objetivo era poder falar de coisas cotidianas, articulá-las com pensamentos e fazer um link com as minhas pessoalidades. Mas lendo-me, só vejo amor, amor, amor, amor. Mas por que isso?
Pode parecer, mas eu não falo apenas do amor sexual. Falo é de todo e qualquer tipo de amor. Não costumo dizer a qual amor eu me refiro, mas é de todo tipo: de mãe à cachorro, passando pelo romance. Porque, sinceramente, eu acredito que o mundo está contido no amor. E olha que eu não sou romanticazinha (ao menos acho que não sou) ou “mimizenta” como dizem por aqui. Também não acredito em Deus. (Isso pareceu desconexo? Talvez tenha sido. Agora vai me dar trabalho...)
Quer dizer, eu acredito em Deus. Mas o meu Deus (sim, meu!) não é esse que a maioria dos cristãos falam. O meu Deus é amor. E se lhe parece que não falo nada de novo (porque metade dos carros da cidade dizem através de adesivos que Deus é amor), acho ótimo. Mas talvez o que eu considero como minha diferença seja, então, o meu conceito de amor. Não acho que amar seja oferecer a outra face, como dizem os cristãos (independente do quão metafórico isso seja!).
Pra mim, amor é essa coisa que te faz sentir vivo. Freud chamou de libido. Poderíamos até chamar de pulsão (uau, como estou atrevida). E é isso o que eu chamo de amor. Amor por irmão, por cachorro, por mãe, por sexo, por leitura, por trabalho, por romance, por vida. Amor por amor.
Então, amor, para mim, é vida. Vida, para mim, é Deus. Logo, eu acredito em Deus, afinal de contas, é o amor que rege a minha vida. Mas aí eu preciso dizer pra vocês que eu não acredito na Bílbia, o que faz de mim uma pessoa não-cristã.
E tem uma coisa que as pessoas fazem muito e que muito me incomoda, que é confundir cristianismo com honestidade. Talvez porque quando se é criança a gente acredita que se for mau, não vai pro céu. Se roubar, matar, desejar a mulher do próximo, usar o nome de Deus em vão, vai pagar por isso, e vai doer. Mas eu acho que se você faz a coisa por interesse – para ir para o céu, por exemplo – isso já te tira a ética.
Eu faço as coisas certas simplesmente poque acho que o mundo já está cheio de injustiças e eu não quero colaborar com isso. Sou honesta por rebeldia. Sou ética por imoralidade.




