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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sobre céu, inferno, honestidade, ética, e amor, é claro.



Acho que é importante a gente escutar o que fala. Igualmente importante é ler o que a gente escreve. E aí ao me ler, dou conta de que só sei falar de amor. Quando criei o blog, o objetivo era poder falar de coisas cotidianas, articulá-las com pensamentos e fazer um link com as minhas pessoalidades. Mas lendo-me, só vejo amor, amor, amor, amor. Mas por que isso?

Pode parecer, mas eu não falo apenas do amor sexual. Falo é de todo e qualquer tipo de amor. Não costumo dizer a qual amor eu me refiro, mas é de todo tipo: de mãe à cachorro, passando pelo romance. Porque, sinceramente, eu acredito que o mundo está contido no amor. E olha que eu não sou romanticazinha (ao menos acho que não sou) ou “mimizenta” como dizem por aqui. Também não acredito em Deus. (Isso pareceu desconexo? Talvez tenha sido. Agora vai me dar trabalho...)

Quer dizer, eu acredito em Deus. Mas o meu Deus (sim, meu!) não é esse que a maioria dos cristãos falam. O meu Deus é amor. E se lhe parece que não falo nada de novo (porque metade dos carros da cidade dizem através de adesivos que Deus é amor), acho ótimo. Mas talvez o que eu considero como minha diferença seja, então, o meu conceito de amor. Não acho que amar seja oferecer a outra face, como dizem os cristãos (independente do quão metafórico isso seja!).

Pra mim, amor é essa coisa que te faz sentir vivo. Freud chamou de libido. Poderíamos até chamar de pulsão (uau, como estou atrevida). E é isso o que eu chamo de amor. Amor por irmão, por cachorro, por mãe, por sexo, por leitura, por trabalho, por romance, por vida. Amor por amor.

Então, amor, para mim, é vida. Vida, para mim, é Deus. Logo, eu acredito em Deus, afinal de contas, é o amor que rege a minha vida. Mas aí eu preciso dizer pra vocês que eu não acredito na Bílbia, o que faz de mim uma pessoa não-cristã.

E tem uma coisa que as pessoas fazem muito e que muito me incomoda, que é confundir cristianismo com honestidade. Talvez porque quando se é criança a gente acredita  que se for mau, não vai pro céu. Se roubar, matar, desejar a mulher do próximo, usar o nome de Deus em vão, vai pagar por isso, e vai doer. Mas eu acho que se você faz a coisa por interesse – para ir para o céu, por exemplo – isso já te tira a ética.

Eu faço as coisas certas simplesmente poque acho que o mundo já está cheio de injustiças e eu não quero colaborar com isso. Sou honesta por rebeldia. Sou ética por imoralidade.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Eu quero te incomodar




Quero ser um ponto de interrogação. O seu eterno enigma. Quero ser a sua incansável pergunta. Quero que você às vezes se irrite comigo, às vezes se conforme com a minha chatice e às vezes se canse de mim. Sim, eu quero te incomodar.

Quero que de vez em quando, você tenha vontade de me matar. Quero que, de vez em quando, você tenha vontade de me deixar. E quero mais. Quero que você tenha coragem para isso. Que você seja homem o suficiente para ir embora.

Mas acima de tudo, quero que todos os dias, você escolha não me matar. Que você não me enforque, simplesmente, porque sentiria a minha falta. Que você não me jogue pra fora do carro porque me ama, e não porque as portas estão travadas. Quero que você me queira, todos os dias.

Quero que você durma na cama comigo porque gosta do meu cheiro, e não porque a cama é mais confortável que o sofá. Quero que você escolha fazer as suas refeições comigo porque gosta da minha companhia. Que você me abrace porque faz frio dentro, e não fora de você.

Quero, ainda, que você tente me satisfazer. Mas eu o advirto: você não irá conseguir. E não quero que você se frustre comigo ou consigo mesmo por causa disso. Simplesmente porque o meu desejo se metamorfoseia de forma acelerada. Eu não consigo acompanhar os meus impulsos. Logo, não espero que você consiga me satisfazer plenamente, eu não almejo que você me faça completamente feliz. Eu não preciso achar que sou a mulher mais feliz do mundo todo o tempo. Se quer saber, isso me sufocaria. Eu preciso ser infeliz de vez em quando, pra poder ser feliz de novo. A minha vida tem que ser insossa de vez em quando, para você poder temperá-la novamente. Felicidade o tempo todo se chama tédio. E nem de longe é isso o que eu quero. Nem pra mim e nem pra ti.

Não me compreenda, por favor. Não me entenda, pelamordedeus. Reserva-me o lugar de enigma na sua vida. Se te esforçares demais para me compreender, chegará à exaustão. Não quero que se canse.

E, por outro lado, eu te peço: não desista de mim. Suporta-me como incompreensível. Eu quero ser o seu ponto de interrogação, o seu amado e encantador ponto de interrogação. Mas se me lança olhares opacos, eu murcho. E a interrogação vira uma vírgula, chata e sem-graça. Permita-me que eu me sustente em um belo e curvelíneo ponto de interrogação.

Diante disso, eu lhe peço: Não decifra-me, ou te devoro.

sábado, 9 de abril de 2011

Adole-sendo



Estou eternamente debutando diante de você. Adolescendo.

Totalmente inadvertido, fazes-me as maiores declarações de amor. Sem serenatas, sem poesias, sem ser piegas, sem-querer.

Seria um crime se soubesses disso. Você jamais me diria coisa tão bela, se soubesse o que está falando. Doce ignorância a sua. Nem faz idéia do poder que tem sobre mim. Aliás, no dia em que souber, o terá abandonado.

Um dia, eu tinha medo de te perder. Tinha medo de ser abandonada. Amedrontrava-me terrivelmente a ideia de que você me descobrisse.

Pois é, agora eu me permito ficar nua diante de ti. É, eu sou isso. Tenho estrias na alma, celulites no coração. E se você não puder me amar assim, fico um tanto feliz que vá embora.

É porque eu te amo enlouquecidamente que te permito partir. Mas você decide ficar. E, internamente, eu morro de alegrias. Eu me fragmento em felicidade. Derreto-me em lágrimas. Mas não te deixo saber. Sou egoísta, e alguns saberes, guardo exclusivamente pra mim.

Amar é deixar ir. Vai, se quiser. Mas se te interessa saber, quero que fique. Quero que me convide a ir com você. Eu só te quero. Mas não posso te deixar saber disso, completamente.  E se você souber, torço para que não acredite. Então saiba só um pouquinho. Porque  no dia que você tiver idéia do que você é pra mim....céus, estarei perdida.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Porque as vezes te quero tanto, que ter um corpo me atrapalha.




Você exige muito de mim.
Eu sinto como se você estivesse nas minhas mãos. 
Como se as suas alegrias e frustrações dependessem de um leve movimento dos meus dedos. 
Como se, caso eu respirasse por um segundo a mais, você pudesse explodir.
Como se, dependendo da frequência do meu piscar de olhos, você pudesse derreter.
Como se, caso eu pisasse em uma folha seca com o pé direito, mas não com o pé esquerdo, você viesse a se fragmentar.
E é tudo tão intenso, que diante disso, eu me paraliso. Sinto que não posso me mexer, ou posso te desmanchar. E não, você não é perfeito. Mas eu amo a sua imperfeição.
Já tive tanta taquicardia, outrora, que o meu coração está com câimbras. Então, parou de pulsar, obedecendo a um comando da minha alma. Auto-preservação da espécie.
O meu sangue já não corre pelas minhas veias. Ele caminha, de forma branda e amedrontada. Assim como eu, o meu sangue pisa em ovos. 
O fervor da minha alma queima a pele do meu corpo. E aí eu não sinto dor, desde que eu não me mova. Meu corpo deixa de existir, e sou pura alma. 
Cronologicamente, isso tudo dura um instante, é efêmero. Mas continua a ecoar pela eternidade.
Aqui, no cinza da realidade, você nada exige de mim. E isso me é quase insuportável. 
Porque as vezes, te quero tanto, que ter um corpo me atrapalha.  
Quero um beijo da tua alma, na boca do meu estômago. Agora, por favor.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ca-fé





O corpo sai do sono
Sem já sequer se lembrar em qual mundo onírico esteve

Entorpece-se de café
Que é para se manter na realidade

Manhã de sol lá fora
Arde a alma só de olhar

Respirar lhe é um dom concedido hoje
Agradece ao mundo

Viver
É uma oração.