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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Depressão de segunda-feira




Segundas-feiras são o dia mundial da depressão, ou deveriam ser. Devemos respeitar estes dias.
É por isso que toda segunda-feira útil eu tenho tristeza. Tristeza que me invade, aparentemente sem motivo. Talvez porque sejam recomeços. Porque bem, eu sei que a semana começa, tecnicamente, no domingo. Mas para mim é na segunda.

É dia de luto. Luto é quando algo acaba, então não deveria ser na segunda, tecnicamente.
Mas tecnicamente poucas coisas funcionam. Por isso eu sou feliz na sexta, no sábado, no domingo. Mas na segunda sou triste.

E esta tristeza, me é avassaladora, mas não me consome. Por isso estou eu aqui, bebendo um bom vinho, dividindo uma pizza, na companhia da pessoa que amo.

E, oras, ainda assim estou triste?

Estou enlutada. Porque viver é difícil e custa caro. Mas é tão bom, que dedico um dia semanal ao luto da minha vida.

Porque ser feliz o tempo todo, seria um tédio. Só posso ser feliz um dia, na condição de abandonar a alegria no outro.

Não sou moça comportada, mas sou moça respeitosa. Respeito a vida e é por isso que nas segundas eu sou triste. Segunda, se fosse pra ser bom, chamaria-se primeira. Mas segunda é mesmo "de segunda".

E é uma falta de respeito ser feliz na segunda-feira. Sinto-me ofendida por quem consegue.


- imagem: deviantart

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tentando existir




Seus olhos me são mares e rios
Em um mundo, onde espelhos, não há

Seus olhos me dão calafrios
Mas é onde posso me enxergar

Assim, peço que me olhe, me veja, me enxergue
É o teu olhar que me sustenta, e a minha alma ergue

E se acontece de não me olhar, ou de me olhar e não me ver,
Me perco no mar de seus olhos, me afogo em não saber

Porque tenho notícias de mim por teu reflexo
Preciso existir, não tenho nexo.




*Imagem: Deviantart

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amor é sempre amor



Sempre ouço de uma amiga que, decepcionada com os homens, diz que seu próximo relacionamento será com uma mulher. Quer uma pessoa que seja carinhosa, compreensiva e companheira. E então, entre chistes, diz que uma mulher pode ser uma boa opção.

Outro dia, escutei uma coisa interessante de outra amiga, que gosta de meninas. Decepcionada com suas namoradas, diz que a solução seria gostar de homens. Acha que mulheres são muito instáveis, e que um homem poderia lhe proporcionar estabilidade.

Isso me fez pensar...

Sempre dizemos da eterna disputa entre homens e mulheres, do quanto é difícil conviver com as diferenças sexuais. Mas não se trata apenas das diferenças sexuais, e sim, das diferenças.

Porque, oras, em geral, nós não sofremos do outro. Sofremos é de nós mesmos. Não é que fulano não me ame, mas é que eu queria que ele me amasse mais. Queria que ele me amasse de outro modo. Queria que ele me amasse eternamente. O amor, pretérito imperfeito, almeja um futuro mais-que-perfeito. O amor quer o impossível. O amor exige o impossivel.

Nossas demandas de amores estão sempre além da capacidade do outro em correspondê-la. Quanto mais tenho amor, mais quero. (Lembra-me a música do Ira!  "Eu quero sempre mais! Eu espero sempre mais! De ti!...")

Amor é sempre amor. Seja homo ou heterossexual, as demandas de amor são insistentemente exigentes. O que amamos é a diferença no outro.

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Gostaria de aproveitar esse post, para contar-lhes que hoje, este blog completa 1 mês de existência. Agradeço a todos os leitores, comentadores e aos meus 106 seguidores!

Carinhos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pilates do amor


O amor. Aqui estou eu, disposta a falar sobre ele, novamente. O amor me faz questão. Como é que posso me doar tanto a um outro, ainda que ele sequer chegue a imaginar o poder que tem sobre mim? Como é que ouso ser feliz, apenas por amar?
É. O amor me deixa muito curiosa. Amar e viver, para mim são quase sinônimos. Amo de muitos jeitos, e sei que você que me lê, também. Porque o amor a que eu me refiro, não é sempre o amor romântico. É simplesmente o amor. Se é que o amor pode ser simples...
É também o amor pela vida. Não fosse ele, eu não estaria aqui, angustiada com todo o esforço que o meu corpo faz para se manter vivo. É sangue pra cá, secreção pra lá, sistema funcionando por aqui, hormônios por ali...  É pensamento aqui, outro pensamento ali, mais uma lembrança passando, e coisa que esqueci lembrando...
Ufa! Mas que trabalho dá viver! Mas que trabalho dá amar!
Eu aprendi que ser preguiçoso é coisa feia. Por isso não me importo de trabalhar tanto para amar. Faço pilates com os pensamentos, step com os sentimentos. E por isso posso andar, porque não tenho preguiça de amar. O amor nos dá movimentos. Não amar nos paralisa. Eu amo, eu ando.
Te parece pouco? Bem, é isso o que me permite ter um sono tranquilo todas as noites...



*imagem: deviantart

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Porque o amor é uma arte



Eu te amo e nem sei por que. Provavelmente, se soubesse, não o amaria. Porque amar, é uma coisa que não pode ser explicada.

Não pode. Diz de uma impossibilidade. É justamente o impossível que nos atrai, seduz e nos faz amar.

Algumas pessoas têm amores platônicos, que são aqueles ditos impossíveis. Parece excitante.

Eu, não. Eu amo você, que está aqui pertinho de mim.
Eu, sim. Porque eu sinto saudade de você mesmo quando você está comigo.

O que faz com que também o meu amor seja platônico, o que faz com que também o meu amor seja impossível.

Porque de 2, quero fazer 1. E não consigo. Somos sempre 2. As vezes, por um centésimo de segundo, somos 1. Mas quando me dou conta disso, já escapaste de mim, já escorreguei de você.

Porque o amor é uma arte. É a arte de suportar 100 desencontros, em nome de 1 quase-encontro. E não desistir. E acreditar que ainda vai ser possível. E se apaixonar pelo caminho trilhado de tal forma....que já não importa mais atingir o objetivo.