Tem uma vertigem me comendo. Entrou pelo meu umbigo, quando eu ainda tinha um cordão umbilical que me ligava à minha mãe. Talvez tenha sido ela quem me transmitiu essa vertigem. E talvez por isso tenhamos uma relação esquisita. Amo tanto a minha mãe que se eu chegar perto demais, dói. Então me distancio pra poder respirar. A minha vertigem, quando encosta na vertigem dela, dá uma espécie de curto-circuito onde saem faíscas de amor. É terrível quando isso acontece. Quem já amou bem sabe que o amor machuca. Tal como a felicidade dói. Sentir é sempre dolorido. Mesmo quando sentir é bom. Se não dói eu não sinto. Chamo de dor tudo aquilo que me afeta. Sou masoquista da existência. Odeio sentir dor, mas odeio ainda mais não sentir. Sentir nada é a própria loucura. Prefiro o desespero das cócegas do que a agonia do silêncio do corpo. Mas sentir só é bom se tiver intervalos. Qualquer coisa só é boa ou ruim quando nasce de um intervalo. Entre eu e mim existe um intervalo. Um intervalo enorme, parece um precipício. E esse precipício é mais do que eu, é mais do que mim. Pertenço a esse precipício. Estou sempre sendo seduzida por ele, ao mesmo tempo em que me esforço para me distrair com outras coisas da vida. Tenho uma forte tendência à loucura, mas disfarço com resignação. Finjo para mim mesma que sou resiliente, e então acredito, e então pareço ser. Sou falsa comigo e faço de conta que não sei. Mas não faço isso por pura falsidade, é por não saber fazer diferente. Desde sempre sou infiel a mim, e essa é a minha mais profunda fidelidade.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
Saudades de sei lá o que. Porque se eu soubesse do que era, não sentia saudade.
Sinto saudades e digo que é de você, quando na verdade é de mim que sinto falta. Sinto saudades da minha espontaneidade e da minha leveza. Do meu corpo cru e dos meus cabelos levemente mais cheios. Da minha taquicardia e dos meus desejos. Sinto saudades da criança que fui, quando era inundada em esperanças. Sinto saudades de quando eu achava que a vida de gente grande era melhor do que a de criança. E sinto saudades de achar que a vida de criança era melhor do que a de adulta. Saudades, pra mim, é um bicho estranho. Não sei dizer bem onde ou como é, nem onde é que sinto. Amor eu sei que sinto no peito. Paixão eu sei que começa no peito e se espalha por todo o corpo (até pelos cabelos e unhas). Mas saudades eu não sei em que lugar do corpo que machuca. E quando a saudade se mistura com culpa, acho que vira angústia e fica ainda mais esquisito. Não é culpa. Acho que raramente eu faço coisas que me gerem culpa, costumo pensar e analisar demais antes de agir, até porque tenho medo de sentir culpa. Isso, sinto medo. É um misto de saudades com medo. Quando um sentimento se mistura com outro, eu chamo de angústia, porque não dá pra definir o que é que acontece, os sentimentos não são como água e óleo, eles não só se misturam, mas se confundem. (Tem um nome pra isso, né? Acho que aprendi na aula de química) Enfim, acho que o amor é a única mistura de sentimentos que não é angustiante. O amor pode machucar, mas acho que ser angustiante, não. E eu já não concordo com mais nada do que escrevi aqui. Saudades de quem eu era quando comecei a escrever esse texto. Ah, estou insuportável hoje.
domingo, 7 de outubro de 2012
Me beije a boca do estômago
Minha alma quer fugir do meu corpo para se fragmentar do universo.
Quero entrar em combustão espontânea e tirar férias de mim.
Preciso de uma existência que formigue, de um amor-tecido.
Quero deitar minha cabeça em seu peito, e então parar de respirar, enquanto o sangue que corre pelas suas veias ande cada vez com menos pressa, até então, p a r a r .
Te quero lambendo a minha alma.
Me beije a boca do estômago.
Abrace o meu sorriso triste.
Meus olhos cansados pedem cafuné.
Ah, mas nossa, Alicia, que palavras deprimentes.
Parece tristeza, mas é só cansaço de ser.
Roube-me de mim, por favor.
Quero entrar em combustão espontânea e tirar férias de mim.
Preciso de uma existência que formigue, de um amor-tecido.
Quero deitar minha cabeça em seu peito, e então parar de respirar, enquanto o sangue que corre pelas suas veias ande cada vez com menos pressa, até então, p a r a r .
Te quero lambendo a minha alma.
Me beije a boca do estômago.
Abrace o meu sorriso triste.
Meus olhos cansados pedem cafuné.
Ah, mas nossa, Alicia, que palavras deprimentes.
Parece tristeza, mas é só cansaço de ser.
Roube-me de mim, por favor.
domingo, 23 de setembro de 2012
Me veste com as suas palavras? Me despe com os seus beijos?
Estou rancorosa comigo por não saber guardar rancor de você.
Mentira, tô só pensativa, não sei guardar rancor nem de mim.
Vivo capturando as palavras alheias e tenho mania de enxergar verdades mesmo onde elas não existem. Qualquer que seja a roupa que você me vista, eu acredito que é a minha pele.
Talvez eu não tenha características especificamente minhas, então levo a ferro e fogo as suas palavras.
Isso é muito perigoso. Me jogo inteiramente nas suas mãos e acredito em tudo o que você diz. Por não saber o que sou, me torno exatamente aquilo que você diz que eu sou. Então posso ser qualquer coisa, desde que você queira.
Isso é delicioso. Porque se posso ser, posso des-ser também.
Sou uma pessoa sem corpo, sem personalidade, sem nome e sem desejo. Objetalizo-me para você.
E isso tudo é uma grande mentira, mas é muito mais fácil existir para você do que ser para mim.
Então me empresta aqui a sua existência pra eu sumir um pouco de mim. É pra isso que serve o amor, né.
domingo, 16 de setembro de 2012
Confundindo alhos com bugalhos, mas o amor é meu, caralhos
Isso que chamam por aí de "química", eu chamo de amor.
Na verdade chamo muita coisa de amor e por isso falo tanto disso.
Acho que chamo de amor até mesmo aquilo que não é amor.
Meu ódio por você é amor, meu tesão por você é amor, a química é amor, as coisas que não entendo são amor, é tudo amor.
Então o amor não tem pra mim aquela dimensão mimizenta que vocês conhecem, de príncipe, princesa, felicidade, para sempre e blé.
Mas eu te amo, seu zé mané, e as vezes te amo tanto que fico com eca do amor que tenho por você. É um exagero, bastava eu te amar só um pouquinho e as coisas fluiriam muito melhor. Mas nãããão, sou exagerada, dramática e chata então te amo um tanto absurdo que é só pra azucrinar a sua vida.
Esse texto não tá nada poético, mas é que o meu amor nem sempre é poético, as vezes ele é bem arroz com feijão mesmo, e eu gosto que seja assim.
Então é isso, eu moro no exagero, mas prometo não te comer de verdade (que nem eu sempre quero sentir você no meu estômago) e prometo não sugar a sua alma, tá?
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