Tenho escrito pouco, embora continue sempre dialogando muito comigo mesma (obviamente, não por opção própria). Então achei justo escrever um pouco sobre as coisas que eu não tenho escrito.
Acontece que acho eu que tenho tentando achar uns atalhos na vida. Tenho tentado não pensar muito, e pode ser até que tenho me esforçado pra não amar tanto. Agora não estou certa se isso é um esforço mesmo, daqueles que nos deixa de língua de fora, ou se isso tem acontecido espontaneamente.
Ou, ainda, talvez eu não esteja escrevendo muito por pura preguiça. É, às vezes encontro explicações complicadíssimas e neuróticas, pra coisas que são simplesmente preguiça. Tem um psicanalista francês, Lacan, que diz que a depressão é uma covardia moral. Acho eu, que com isso, ele quis dizer que muitas vezes as pessoas deixam as coisas que querem pra lá, porque dá muito trabalho, e acabam fazendo o que acham que deviam querer, ao invés de fazerem o que realmente querem. Então agora tô achando que não tenho escrito por covardia, talvez. Vocês sabem, não sou uma pessoa muito decidida nas minhas opiniões. Olha eu aqui, divagando sobre uma coisa inútil, coisa que eu acabei de dizer que tenho tentado não fazer, buscando alguns atalhos.
Ou talvez ainda, a poesia me tenha sido roubada, furtada, ou fugido de mim. A linda Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”.
Ou, ainda, talvez eu tenha achado que escrever me tem sido inútil. Não tem servido muito. Não estou gostando nada, nada desse texto idiota, por exemplo.
Ou, talvez sejam todas essas coisas ao mesmo tempo. Porque mulher é um ser misturado. Onde vai, se mistura às coisas. Sempre escuto as mulheres dizerem “mergulho de cabeça nos meus relacionamentos” e fico achando que isso é mentira. Porque comigo acontece de sempre uma pontinha de mim ficar de fora, de qualquer coisa. E é essa pontinha que me salva. Por isso posso perder o emprego, o amor da minha vida ou qualquer coisa que eu sei que viu sobreviver. Vai doer, eu posso achar que vou morrer, e vou sentir tanta dor como só alguém que está vivo pode sentir. Mas no fim das contas eu vou abrir os olhos e me dar conta de que fiz tempestade em copo d’água, como é com tudo na minha vida. E eu só posso achar que a coisa não era tão difícil quanto parecia, depois que passou. Porque quando passa, aquilo que era uma pontinha que estava de fora, fica toda de fora. E eu me des-misturo. Até então, vou me misturando a tudo. Não sei se eu gosto disso porque sempre gostei, ou se gosto só porque o meu amado gosta. Há coisas que talvez eu não fizesse sozinha, mas que com meu amado vira a coisa mais interessante do mundo. Não sei de nada e é por isso que tenho evitado filosofias em excesso, elas não me ajudam a saber mais, elas apenas existem porque sou apaixonada por elas. Mas como todo relacionamento tem as suas crises, eu to numa crise com a escrita agora.
E se você leu essa porcaria de post até o final, te deixo um beijo de agradecimento.