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sábado, 14 de janeiro de 2012

Sono em palavras



Entorpeço-me de sono.
Amo-te.
Meu amor não tem dono.

Não quero fazer rimas.
Musico.
O que é brega me fascina.

Nada acontece.
Respiro.
Você não me aquece.

Eu, gelada.
Paraliso.
Só sei fazer nada.

Poema de merda.
Non-sense.
Minh'alma está lerda.

Vou ser honesta.
Isso não é poesia, é sono.
Tenho que aparar minha aresta.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

E no meio do caminho tinha a porra de um amor



Às vezes acho que eu não queria que você me amasse. Ao menos, parte de mim, deseja isso um momento ou outro. Vocês sabem, leitores, o amor é um negócio que a gente conquista e depois se torna a nossa honra mantê-lo. Se alguém deixa de nos amar, dizemos que a gente perdeu o amor de alguém. Looser. Não soube manter a chama do amor aceso e blábláblá. Eu nem sei se você me ama sempre. Sei que você tem muito carinho por mim, sei que me respeita. Mas acho que nem eu te amo sempre. Quer dizer, eu te amo sempre, mas o meu amor é uma mistura de várias coisas e então às vezes eu te odeio e te amo ao mesmo tempo, às vezes eu quero que você suma da minha frente, mas teria que ser só por um centésimo de segundo, porque o meu desejo realizado me mataria de dor no instante seguinte. Então, o meu amor é uma mistura de várias coisas. Mas eu mesma sou sempre bagunçada, sempre misturada, sempre impura de algum modo. Já você, tão objetivo, tão (insira aqui um eufemismo pra neurótico obsessivo)... Suas coisas são arrumadas, seus sentimentos parecem óbvios, suas atitudes são claras, seu planejamento de vida é organizado, assim como a disposição das suas roupas no seu lado do guarda-roupa. Tá aí. O nosso guarda-roupa é uma ótima metáfora nossa. O mesmo guarda-roupa, dividido em uma parte organizadíssima e a outra bagunçadíssima. O seu lado, tão vazio, mas tem tudo o que você precisa. O meu lado tão cheio, e no entanto, nada do que tem lá me serve. Quero sempre mais. Você, entediado por ter tudo o que quer, e eu me descabelando com meus excessos de quereres e não-saberes. Enfim, como sempre, me rendi às palavras e me perdi no que eu queria dizer. (Essa é a metáfora da minha vida, aliás) Mas então, acho que às vezes eu queria que você não me amasse, que era pra gente poder começar tudo de novo. Exatamente do jeito que foi, ou de diferentes formas. Queria te conquistar sem perder o teu amor. Minto, estou sendo hipócrita! Eu queria que você não me amasse pra ficar sem a responsabilidade que meu superego delega a mim de fazer com que você me ame o tempo todo. Queria o seu desejo cru, queria o seu corpo e o meu corpo, sem os contornos dos sentimentos. Porque acho que 1+1 só fazem 2, ao invés de 1, por culpa do amor. É, acho que o amor (me) atrapalha.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Uma puta, outra santa


Profissional do sexo. Puta. Vagabunda. Prostituta. Pelo menos eu recebo pra isso, benhê, e você que fica chupando de graça? Dizia para a amiga, enquanto tomavam um café colonial bancado pelo dinheiro que o sexo lhes trazia. Eram amigas de infância. Estudaram em colégio particular, fizeram aula de jazz, inglês e piano. Tudo juntas, durante anos.


(...)




O texto completo tá lá no 4 pecados.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Estou cheia de vazios


Ao passear pelos blogs alheios, coisa comum é achar textos falando sobre saudade. Sempre fico pensando que eu acho que não sei o que é saudade, porque nunca tive vontade de escrever sobre isso. É claro que eu já perdi pessoas importantes nessa vida, mas acho que não tenho saudades doídas, dessas que nos fazem querer voltar no tempo. Na verdade, voltar no tempo é uma das coisas que, de fato, não me apetecem. E não é porque eu tenha encontrado uma alegria plena, que me faz sempre mais feliz que o dia anterior (deus me livre disso). Eu não sou de escancarar felicidade, vocês bem sabem disso. Sinto um aperto estranho aqui dentro, e pensei que pudesse ser saudade, porque é uma vontade de você há algum tempo atrás. É uma vontade daqueles olhos tagarelas, daquele desejo que contornava meu corpo, daquela taquicardia que o seu desejo me causava. Mas não é saudade, porque não dói. É uma lembrança docinha, até gostosa. Pensei estar brava com você, por ter mudado tanto. Pensei estar magoada com você, por não saber me manter achando que sou a oitava maravilha do mundo. Mas, não. Acho que hoje o que eu sinto é nada. Não posso confundir as coisas. Percebo agora que há algum tempo, venho tentando definir o indefinível, nomear o inominável, organizar meus sentimentos, etiquetá-los, perfumá-los e fazer deles minhas companhias. É assustador, mas talvez eu esteja avançando nisso. Não tenho vontade de gritar, não tenho vontade de lhe oferecer lágrimas ou sorrisos. Estou vazia. Sei disso porque está cabendo uma quantidade enorme de ar em meus pulmões, e isso não é usual. Pode parecer pra você, que os sentimentos não existem fisicamente, mas ele existe sim. Quem já sentiu dor de amor, bem sabe que a dor é no corpo, tão física quanto dor de dente. Então, agora não dói. E eu, que nem consigo olhar nos seus olhos hoje, te agradeço. Estou cheia de vazios. E os vazios são aquilo que eu tenho de mais legítimo. Não, eu não gosto de estar vazia, eu prefiro escorrer em letras sobre o meu amor, sobre o meu ódio, sobre o brilho dos seus olhos - que são o meu fetiche. Mas é o que temos pra hoje: vazios. E por isso eu te agradeço, porque você me faz mais eu mesma, mesmo quando me machuca.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Escrever é dar vida às coisas mortas dentro de nós



Tem gente que diz que escrever é uma terapia, que a escrita faz bem e tal. Eu acho isso de uma hipocrisia tamanha. Me desculpem se eu ofender alguém, mas é que, pra mim, terapia é tudo aquilo que faz bem e ponto final. E quem escreve com a alma, sabe que escrever custa muito caro. As palavras não são bailarininhas de plástico, que a gente coloca numa caixinha musical, dá corda e as vê dançando. As palavras são perigosas, elas nos fazem refém. Escrever não é matar alguma coisa, deixar algo no passado. Escrever é dar vida às coisas mortas dentro de nós. Sabe criança, quando brinca com espírito e depois fica com medo? Me sinto assim quando escrevo. O sentimento está morto dentro de mim, muito bonitinho e cheirosinho, e então eu vou lá futricar. Espremo, cutuco, faço sangrar. E por mais que eu publique no blog, vocês leiam, comentem e depois eu desligue o computador, aquelas coisa têm vida própria. Quando eu fecho o blog, as letras ficam dançando aqui, secretamente. E o meu estômago se revira, e a minha alma tem espasmos. E olha que a minha escrita é bem pobrezinha. Leio gente por aí que escreve bonito e difícil, mas eu não sei fazer isso. Escrevo do jeito que penso. Louca e simples, assim eu sou, assim as minhas palavras são, e também os meus pensamentos. Vejam só, no post anterior eu disse que a felicidade atrapalha a escrita. Então vim aqui dizer do sofrimento que a escrita causa, e agora minha alma sangra. A felicidade ainda está aqui, mas eu a fiz sangrar. Porque só assim eu posso escrever. Me veio agora a imagem mental de uma criança com catapora. Ela tem várias bolinhas pelo corpo, e não deve coçá-las. Aqui, eu coço com muito gosto. Arranco a casquinha fora, ponho a ferida pra sangrar. É delicioso se coçar, mas sangra. Assim é a escrita, deliciosa e sangrenta. Nada terapêutico.