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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Hoje me sinto como uma lasanha.

Tenho teorizado muito e sentido pouco.
Sinto medo de sentir, então tento não sentir. 
E não sentindo que sinto, não sinto medo.
Não sinto, logo minto.
Mas minto tão mal e porcamente que nem eu mesma acredito nas historinhas que teço pra poder achar que vivo bem.
Sou péssima ar-tesã. (Significa!)
Não sei fazer nada que exija delicadeza em demasia. E não é porque me falte coordenação motora, mas porque me falta paciência. Sou impaciente com delicadezas, e paradoxalmente me acho extremamente delicada. Agora fiquei em dúvida se sou eu ou se são os outros que me acham delicada. 
Vivo me confundindo com o que as pessoas dizem que eu sou. Às vezes me descubro no olhar do outro, às vezes inauguro um novo pedaço de mim com uma palavra alheia. E essa mania de me confundir com o que dizem que eu sou, é que me faz ser eu. 
Sinto que eu não seria eu mesma, se fosse só eu, então sou muitas. Tento ser não tantas, pra não parecer muito louca ou incoerente, mas quanto mais fujo de mim mais me encontro comigo. É como se eu estivesse num labirinto de paredes de mim mesma. Todos os caminhos me levam a mim. 
Eu sou tipo lasanha, que eu amo, mas que cansa só ter isso todos os dias.
É por isso que preciso de vc, pra descansar de mim. 

(É isso ou só me resta fugir do meu corpo).

8 comentários:

Alessandra disse...

Ai Alicia, eu também inauguro um novo pedaço de mim sempre que leio suas palavras. Acho que é normal se confundir com o que os outros pensam de nós. Alguns criam lendas sobre o que somos, outros acertam (?) e outros descobrem algo que nem nós mesmos tínhamos consciência. Nós mesmos nos descobrimos seres diferentes dia-a-dia não é mesmo? Eu me sinto uma estranha em meu próprio corpo de vez em quando, assim como também, de vez em quando, me percebo mais íntima de mim.
A verdade é que somos complexos. E imcompletos. Porque completo é o que nunca seremos.

Ontem li o Sermão das Árvores (uma amostra do livro favorito da Lori, que ela me enviou), e desejei ser árvore pela beleza de sua teoria. É de uma verdade imensurável o que diz o conto. As árvores são felizes porque não querem ser outra coisa. E nós sempre estamos em busca do ser algo, e quando conseguimos, já queremos ser um outro algo diferente...
Aff Alicia, peguei sua delicadeza de questionamentos filosóficos. Acho que é por isso que amo te ler. Você me faz refletir. E agora tenho que ir, o meu eu interior tá me fazendo muitas perguntas. Tudo por culpa sua rs'.

Beijos senhorita ;*

Brunno Lopez disse...

Acho digno quando alguém aparece assim - numa dessas tardes de fevereiro, quando o verão ainda está em sua melhor forma - e desdobra sinceridade sobre suas personalidades infinitas que servem para se descrever.
É preciso ser muito, pois não se é pouco, logo, você não poderia ser única. É preciso visitar várias facetas suas para formar o modelo ideal de ser humano, aquele que a gente se acostuma e reconhece em qualquer tipo de expressão.

Essa sua aceitação de algo mais para não cansar de si pode parecer simples, mas é honesta demais para não ser ao menos reverenciada.
Então, reverencio.

Mente Hiperativa disse...

Costumo dizer que lasanha por pior que seja, ainda é boa. Adoro lasanha.

Mas, falando do post, acho fantástica essa redescoberta de nós mesmos a cada dia, a cada contato com o outro, a caa leitura. A gente se reinventa, a gente se recria a cada instante. Nunca seremos puramente nós mesmos, tampouco aquilo que dizem que somos. Seremos sempre uma eterna confusão que nunca se arruma nem nunca se define por completo. Somos isso.

Graça Pereira disse...

Minha querida

O que é preciso é mudar a rotina...Comer todos os dias o mesmo cansa! E lidar todos os dias (uma vida inteira) com os mesmos amigos também cansa...Então para que se continue a gostar de lasanha, há que intercalá-la com outros pratos e para não nos cansarmos dos amigos, tentamos conhecer gente nova...até que dá aquela saudade interminável dos velhos amigos e o reencontro, te garanto, é como nos conhêcessemos naquele dia.
Beijocas
Graça

Jaqueline Silva disse...

Alicia, que lindeza de texto! Li segurando o fôlego e me identificando com uma porção de linhas! Você é “estabanadamente“ delicada, talvez daí a dúvida! <3

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Somos vários, mas isso de fato às vezes pesa.

Saudade da sua presença no blog, moça. Apareça.

Beijos

Talita Oliveira disse...

Ai, como é bom voltar aqui e ver que ainda continua lindo!
As suas palavras são encantadoras!

Eu vinha bastante aqui na época em que escrevia no Coisa de Menina, mas atribulações do dia-a-dia foram me distanciando da blogosfera.
Fico feliz em voltar e ver que os blogs que mais amo continuam na ativa!
Estou começando a escrever o "Quando eu passar". Se tiver um tempinho, apareça!

http://quandooeupassar.blogspot.com.br/

Um beijo!!


Luizfst disse...

Belo texto!