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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

se te odeio, então...nhac!

Eu odeio a forma como você joga palavras ao vento e elas parecem não voltar pra você. As palavras não desgrudam de mim, independente de eu as dizer ou apenas pensar. Mas palavras são bumerangues que não voltam pra você.
Odeio como você diz meia frase e espera que eu entenda todo o google a partir dela. (Atenção que eu ia dizer "toda a barsa", mas estamos em 2012, né)
Tenho muito ódio, mas muito ódio, mas muito ódio mesmo, da sua economia de palavras.
Não, eu não pretendo ler mentes. Não, eu não entendo os seus olhares. Não, eu não sei o que é óbvio pra você. Não, eu não sou idiota, é você quem não se traduz para mim.
Odeio a sua impaciência com as pequenezas do mundo, inclusive as minhas.
Eu odeio tanta coisa em você, que hoje, quando você saiu de casa, eu queria te beijar. E queria então que você me tomasse nos braços como se não soubesse quem sou, como se nunca tivesse se irritado comigo e me fizesse sentir que eu sou menos eu. E queria que os relógios parassem lá fora e que a gente pudesse ficar o dia todo juntos, ignorando a quarta-feira, a correria, os trabalhos e as irritações cotidianas.
E quando você me veio dar um beijo de tchau, eu quis entrar em combustão espontânea. Como eu amo e odeio que você esteja sempre sóbrio. E eu quis te morder, arrancando um pedaço dos seus lábios, manchando de sangue a sua camisa linda e roubando o seu lindo equilíbrio. Como eu queria não ser tão sóbria. Aí você virou as costas, eu te dei um chute na bunda, você saiu e eu fiquei com dor de cabeça. Porque sozinha que eu não ia ficar...

domingo, 9 de setembro de 2012

Deixa eu te matar só um pouquinho?




Oscilo entre querer entrar no seu corpo e desejar a sua morte.
Querer entrar no seu corpo, sim, porque parece que na sua pele tudo é mais gostoso. Você come aquele rolinho primavera com molho agridoce com tanta vontade, que eu, que odeio aquele treco, não canso de experimentar, porque na sua língua aquilo parece tão bom....aliás, tudo o que você come parece delicioso, não foi à toa que aprendi a gostar de tantas coisas que antes eu enchia a boca pra dizer que não gostava, com você. Seu sono parece sempre mais gostoso que o meu, eu chego a descansar enquanto te olho dormir, inspirar e expirar, inspirar e expirar...como se fosse minha responsabilidade cuidar do seu sono e garantir que tenha um bom descanso em vida.
Desejar a sua morte, sim, porque acho que só se você morresse pra eu me ver livre do amor que tenho por você. Não se assuste, bebê, você sabe que eu jamais te mataria, sabe que isso aqui tudo é metafórico (NÃO SABE? Pergunto eu, te arregalando os olhos com um sorriso esquisito só pra brincar de te assustar) Enfim. Tenho uma vontadezinha de te roubar a vida, de saber se eu poderia sobreviver sem você, de comer um pedacinho da sua carne, ver se o seu sangue me entorpeceria, saber se a sua pele deixaria a minha mais macia. Nham.
E na verdade tudo isso é mentira, ao mesmo tempo em que é verdade. Eu sei que eu sobreviveria sem você, e sei que se eu tirasse sangue seu jamais me perdoaria. Sei disso tudo, mas é tão bom querer...me deixa enlouquecer aqui, quietinha, com o amor que tenho por ti. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

dividindo o meu corpo

Eu achei que o amor ia passar, que depois de um tempo seria insensível a você. E olha, vamos deixar a hipocrisia e o amor idealizado de lado, e admitir que muitas vezes, sou sim. Por vezes te olho e você não me diz nada, é só uma pessoa nesse mundo. Não te amo o tempo todo. De vez em quando, acontece ainda de eu te odiar....em silêncio, porque procuro te poupar da minha gangorra existencial. Aliás, muitas vezes eu te amo como nunca nenhuma mulher aguentou amar nesse mundo, e você nem tem notícias disso. Me arrebento de amor e de ódio por você, e você nem sabe. É que eu sei que se você me conhecesse mesmo, eu te seria insuportável. Forjo um certo equilíbrio nas minhas palavras, e eu sei que muitas vezes você acredita. Forjo tão bem, que por vezes eu mesma acredito. Teve um dia dessa semana que eu me peguei insone. Não podia dormir porque o toque da sua pele na minha, berrava nos meus ouvidos, de um jeito irritante. Não sou dona de mim, é verdade, mas quando você me toca, eu desisto de me ser. E depois de meia década juntos você ainda tira o meu sono. Você tem noção do quão ridículo é isso? Me sinto encabulada de escrever isso, mas o faço porque me reconheço no seu olhar que, ao me ler, balança a cabeça, me chama de louca e diz que não entende. (Embora eu nunca veja você me lendo) Que bom que você não me entende, eu não suportaria dividir a minha vida e o meu corpo com alguém que me entendesse. É, amar é dividir o corpo com alguém. Mas isso só vale se você for mulher. Porque o homem que ama aceita ter meio corpo a mais, mas não meio corpo a menos. Homens são donos de si, mulheres estão sempre em busca de alguém que as faça sentir que são donas de si. E por isso não são, pois precisam que alguém lhes diga isso. E que diga sem palavras. O amor de um homem diz sem palavras. Adoro escrever de um jeito ininteligível aqui, e saber que as pessoas que me leem irão me entender, ou ao menos pensar que me entenderam. Enfim, meu amor por ti já passou e todos os dias sou visitada por um novo amor. As variações do amor se mostram pra mim todos os dias, e parecem ser infinitas. Cada "te amo" fala de um amor que é único. Eu nunca repeti um "te amo". Sabe o "te amo" que eu te disse da última vez? Não existe mais.

domingo, 26 de agosto de 2012

Quero te vomitar

E de tanto te amar, e de tanto te engolir, e de tanto querer fazer nós dois virarmos um, e de tanto te desejar tatuado na minha pele, e de tanto querer sentir o gosto da comida com a sua língua, e de tanto querer enxergar o mundo através do mel dos seus olhos, e de tanto meu querer, quero te vomitar. Me fundo a você demasiadamente. Quero a minha essência de volta. Essa mesma, a que eu nunca tive. Não quero mais me confundir com você. Não quero ficar em dúvida se sou eu que penso ou se é você que pensaria. Cansei de achar que quero uma coisa, mas não saber se quero de forma autêntica, ou se é só pra ser desejada por você. Camaleoo-me por você, independente da minha vontade. Gosto do que você gostaria que eu gostasse assim, sem fazer tipo, verdadeiramente. É como a funcionária honesta e entediada, que odiando o seu trabalho, não pode faltar ao mesmo, e então empresta o seu corpo à doença. Assim sou eu, que pra ser objeto do seu desejo e do seu amor, me torno aquilo que você gostaria que eu fosse. Torno-me desde sempre aquilo que você queria. E ainda assim não é o suficiente. Nunca é. Porque sou aquilo que você queria de um modo desajeitado, e não de forma sexy. Só sei existir torta, e essa é a minha única essência. Porque sempre resta um pontinho de mim pra entortar aquilo em que eu me transmuto. Quero que esse pontinho tome-me toda. Mas ele é mirrado, desnutrido, fracassa toda vez, só sabe ser torto. Saia daqui de dentro de mim. Meu corpo precisa existir em si mesmo. Meu ser quer des-ser. Quero te vomitar.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu e os meus 12 pulmões

A minha pele grita pela sua, e eu sei que é paixão (Mentira, é tesão mesmo, mas paixão pra mim é eufemismo pra tesão, porque não sei falar de tesão como se fosse uma coisa natural. Aliás, acho que não sei falar de mim como se eu fosse uma coisa natural. Enfim.)
Minha alma grita por você e eu sei que é amor.
É estranho isso de dizer que corpo e alma são coisas diferentes, eu nunca sei explicar como posso sentir algo para além do meu corpo.
Acho que chamo de corpo aquilo que eu consigo localizar. Sinto uma dor muscular, aperto o local e dói mais ainda. Sinto vontade de comer doce, e localizo a parte embaixo da minha língua que saliva  por um pedaço de chocolate. É apaziguante isso de conseguir localizar de onde vem determinadas vontades, ainda que sejam ruins.
Acho que chamo de alma quando não consigo achar o lugar de onde vem o meu desejo. Te amo num lugar que não sei onde é. Balela isso de dizer que a gente ama com o coração. Se fosse só com o coração eu estaria tranquila.Besteira achar que é com o cérebro, se assim fosse, eu nem amaria. A merda é que eu não sei com que parte de mim eu amo, e aí chamo de alma, porque parece que é com o corpo todo e mais um tanto. Te amo com 50 dedos, embora eu tenha apenas 20 (sim, gente, 10 nas mãos e 10 nos pés, não é?) Te amo com as minhas 10 cabeças, embora eu tenha apenas 1. Te amo com meus 20 estômagos, com os meus 87 pés, com os meus 5 esôfagos, meus 10 rins, minhas 150 trompas de falópio, e por aí afora.
Não é fácil ser eu, meu filho. (Ficou estranho isso de filho, mas tenho uma regra própria aqui de não apagar as coisas que eu escrevo, então azar, vai ficar assim mesmo)
Tudo o que você tem que fazer é me lembrar de vez em quando, e de forma doce, que existe um chão embaixo dos meus pés. Que tenho apenas 1 cabeça, 2 rins, 1 útero, 1 sexo, 2 pernas, e tal. Pode parecer maluquice isso, mas preciso que você dê contorno ao meu corpo. (E agora pareceu mais maluco, né? Dane-se).